Daqui a exatos 39 dias estarei embarcando para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde fixarei residência por, pelo menos, 2 anos.

Eu nunca estive em um país predominantemente muçulmano, nunca vi um deserto de perto e o ponto mais oriental do globo que já pisei foi em Istambul, numa conexão de voo (que não conta, né?).

plane-170984_1280

Dessa forma, é muito natural que eu esteja cheia de expectativas em relação ao meu destino, que poderão ou não corresponder à realidade. Foi aí que pensei que talvez fosse interessante anotar tudo isso para depois fazer uma comparação expectativa X realidade.

Listei 10 “itens básicos” que, inevitavelmente, passam pela nossa cabeça quando planejamos mudar de país. Separei essa lista em 2 posts. Tudo que vou escrever é baseado unicamente no meu achismo, sem qualquer comprometimento com a realidade. Vamos a primeira parte da lista.

1 – Clima

Nasci no coração do cerrado brasileiro, onde possuímos 2 estações bem definidas: quente e chuvosa, frio e seco. Só que o nosso quente não é tão quente, nem o nosso frio tão frio. Usamos mais ou menos as mesmas roupas o ano todo, somente acrescentando uma jaquetinha aqui ou ali.

Quanto ao clima de Abu Dhabi, eu (infelizmente) espero sentir o maior calor da minha vida. Sei que a sensação térmica fica por volta dos 50 ºC durante alguns meses do ano, inclusive no mês que eu chegarei lá. Que alegria, mas não.

Adoro sol! Ele deixa as pessoas felizes, tudo fica mais bonito e agradável de se fazer. Mas calor… calor desanima, cansa, desidrata. E vai ser assim, não tem jeito. Penso que lá também deve ser dividido em duas estações: muito quente e seco, forno/fogueira/caldeirão/brasa e seco. E chuva? Bem… então… é deserto, né? Não espero uma chuvinha tão cedo. Mas tempestades de areia, talvez. Na verdade, acho que seria interessante presenciar alguma! Veremos…

2 – Língua

A língua oficial do país é o árabe. Siiimmm, aquela mesmo, cheia de rabiscos traços lindos, que muita gente adora tatuar, mas ninguém sabe ler.

Felizmente, ao que tudo indica, todo mundo fala inglês. Há muitas pessoas de diferentes nacionalidades convivendo no país e o inglês, como língua simples e global que é, foi adotado por todos como meio de comunicação.

Estudei a língua inglesa por 4 anos e meio, o que não quer dizer, absolutamente, que eu consigo me virar em TODAS as situações. Até porque (e isso serve com qualquer outra língua) se a gente não pratica, acaba esquecendo. Por isso, pretendo voltar a fazer um curso de inglês por lá. Nada de voltar para o verbo to be, mas partir para algo mais prático, com mais conversação. Aceito indicações!

E também, já que está na chuva é para se molhar, já que está no deserto é para se queimar, pretendo fazer umas aulinhas de árabe. Longe de mim (e da minha capacidade com línguas) ficar fluente, mas acho muito legal quando as pessoas se esforçam para aprender a língua local, mesmo que “não tenha utilidade depois” – o que eu discordo. Sempre haverá aquelas pessoas de idade que não falam inglês, ou aqueles vendedores que te atenderão com mais carinho quando você disser Shukran ou Marhaba (sim, tive que olhar no tradutor, ainda não aprendi nenhuma palavra). Let’s see.

3 – Alimentação

Desde a minha primeira viagem internacional (Paris – 2008), sofri o trauma que todo brasileiro que se arrisca no exterior passa: cadê o arroz, o feijão, o bife acebolado, a saladinha, o self-service?!?! Até hoje, e duvido muito que ainda vá acontecer, não encontrei comida melhor que a nossa. Portugal chegou muito perto, mas faltou o chuchu e o pão de queijo. Me desculpem, mas não tem jeito.

Quando penso em comida árabe, já começo a salivar lembrando das esfihas, chancliches, charutos, quibes… Tudo que provei até hoje é maravilhoso! Ou seja, a minha expectativa em relação à comida é bastante otimista!

4377849234_4cf58a6fa4_o

E, caso eu me decepcione, sei que encontraremos, sem grandes dificuldades, toda a gama de cozinhas italianas, chinesas, francesas… Yes, viva a globalização!

Outro ponto relacionado à alimentação que eu ainda não sei exatamente o que esperar, é o que podemos adquirir nos mercados. Sei que as bebidas alcóolicas não são vendidas em qualquer lugar (quando chegar lá, vejo direito essa questão e faço um post explicativo), que a carne de porco também é banida da maioria dos supermercados e que os nossos produtinhos brasileiros (farinha, polvilho, paçoca etc.) provavelmente vão ser difíceis de serem encontrados. Triste expectativa para quem adora uma tapioca de manhã…

4 – Transporte

Talvez esse seja o ponto de menor preocupação até o momento, porque foi o que menos pesquisei. Hehehe.

Morando em Madrid atualmente, sou fascinada pelo transporte público daqui. Tudo funciona muito bem: ônibus, metrô, trem, táxis, aeroportos. A única coisa realmente chata aqui é achar vaga de estacionamento para carro, o que é facilmente compensado pela eficiência dos outros meios de transporte.

Não sei, e agora entra a parte da minha expectativa, se o transporte público em Abu-Dhabi é tão eficiente quanto o daqui. Não sei se vou fazer uso dele, assim como faço o tempo todo aqui. Acredito que vou utilizar bastante o carro mesmo, já que o combustível é ridiculamente barato e que pensar numa simples caminhadinha de casa ao ponto de ônibus (que tem ar condicionado) sob um sol de 45 ºC não é muito animador.

Com certeza, esse será um tópico em que a realidade vai falar muito mais que a minha expectativa, tão fajuta até então.

5 – Saúde

Vai bem, obrigada!

Esse seria o tópico de menor preocupação, se não fosse o fato de que é extremamente frustrante não poder explicar, na sua língua materna, os seus problemas de saúde a um médico. Já passei por essa situação aqui na Espanha e foi bem chato.

Além desse fator “comunicação” com o médico, há também a aflição de não ter (na enorme maioria das vezes) nenhuma recomendação do médico/hospital, a não ser que você já conheça algumas pessoas na cidade para onde se mudou, o que não é o meu caso. Se eu precisar de algum médico, vou ter que “googlar” e arriscar. Chato, não é?

Apesar disso, creio que o sistema de saúde dos Emirados seja muito bom! Li uma coisa ou outra por aí e ninguém disse o contrário. Há bons hospitais e médicos de várias especialidades e nacionalidades (quem sabe um brasileiro, ãhn?, ãhn?).

O que nos resta é cuidar da saúde que temos, graças a Deus, e torcer para que nada aconteça e assim não precisarmos “pagar para ver” qual seria essa realidade. Tomara. Amém.

confira os posts relacionados

Comente via Facebook

  • […] Para quem não viu, no primeiro post eu falei sobre Transporte! E o post das expectativas está aqui! […]

  • […] vésperas de me mudar para Abu Dhabi, escrevi dois posts (aqui e aqui) sobre as minhas expectativas em relação à cidade. A intenção era avaliar […]

  • […] feijão, bife, salada e batata frita. Ahhh, quem me dera… Como eu já havia previsto nos primeiros posts do blog, é difícil achar comida tão boa quanto a nossa brasileira (ou, pelo menos , que seja […]

  • […] continuidade ao post anterior sobre as minhas expectativas em relação a Abu-Dhabi, vou comentar sobre o que eu espero em […]