Acabamos de chegar de uma viagem de 11 noites pelo Vietnã! Viajamos o país de norte a sul, passando por várias cidades, tendo contato com uma cultura incrível e colecionando memórias e aprendizados. Foi uma viagem rica em experiências. Aliás, viajar, como já disse algum filósofo do Facebook, é uma das poucas formas de gastar dinheiro e se tornar mais rico. E, nessa viagem pelo Vietnã, nosso investimento financeiro nos deu muito retorno. Valeu a pena.

Como ainda estou com todas essas vivências fresquinhas na memória, quis fazer um artigo para vocês com 11 fatos que aprendemos no Vietnã. Obviamente teria muito mais que 11 para dizer, mas quis igualar ao número de noites que tivemos por lá, só pra combinar 😉 Esse é apenas o primeiro de muitos outros artigos que virão dessa viagem. Fiquem de olho, pois muita coisa interessante ainda está por vir!

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Halong Bay, Vietnã. Foto: arquivo pessoal

1 – Sempre é dia e hora para um “happy hour”

Happy hour, ou hora feliz, até onde eu sabia, era uma confraternização feita após o horário de trabalho, ou, ainda, algumas horas em que restaurantes oferecem bebidas gratuitas ou com descontos a seus clientes. No Vietnã, porém, o conceito de “happy hour” extrapola – e muito – esse que conhecemos. Por lá, happy hour também quer dizer bebida grátis (geralmente era “pague 2 e ganhe 1”), mas também pode ser utilizado por vendedores, a qualquer momento, do dia ou da noite, para te convencer a comprar algo. Era algo do tipo “olhe esse leque, madame, happy hour!”. Sentido? Nenhum, para mim. O preço era o mesmo, não havia brinde, muito menos bebida. Era apenas uma forma de convencimento. Não cheguei a pesquisar a origem da profusão do termo “happy hour” por aquelas bandas, mas de todo jeito era engraçado e, se a compra não era efetuada, ao menos me era desejado uma “hora feliz” – sempre bem-vinda!

2 – Mulheres vietnamitas são naturalmente elegantes

Para mim, agora, faz muito sentido aquela imagem estereotipada da mulher vietnamita, esguia, de cabelos longos e negros, trajando uma elegante roupa esvoaçante. Há muitas, de fato, assim. Mulheres vietnamitas são naturalmente belas e ainda se preocupam muito com a sua beleza. Apesar do calor de mais de 40 graus, andavam cobertas dos pés à cabeça para se protegerem do sol, já que o padrão de beleza local é de “quanto menos bronzeada, mais bonita”. Sacrifícios em nome da vaidade. Muitas vezes, dava até para sentir vergonha pela roupa mal-arrumada que usava perto delas. Enquanto eu estava ali com meu shortinho e camiseta, toda suada e pregada, elas usavam camisas ou vestidos belíssimos, de tecidos nobres muito bem-acabados, muitíssimo elegantes. O Vietnã tem tradição em produzir roupas e, pelo visto, não é só para a exportação. As mulheres locais se favorecem muito desse mercado e desfilam modelitos incríveis. Juro.

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Estudantes vietnamitas em ensaio fotográfico em Hanói. Foto: arquivo pessoal

3 – Qualquer coisa pode ser comida

Vietnamitas já passaram por maus bocados. Anos de colonização e guerras fizeram do país um lugar muito pobre. Como é de se esperar em situações críticas, as pessoas tiveram que aprender a se alimentar com o que estava disponível. Além do arroz, base da alimentação do Vietnã, e dos inúmeros vegetais e frutas, cobras, sapos, gatos e cachorros não são raros de serem encontrados nos pratos do país. Obviamente, não provei nada (e nem irei, posso garantir), mas tivemos um guia que nos contou a respeito disso – além de termos visto umas coisas estranhas nos mercados locais.

4 – Olha a moto!

Com uma quantidade absuuuuurda de motos nas ruas, e que não têm o menor respeito pelas leis de trânsito, não há quem passe pelo Vietnã sem se impressionar com o trânsito caótico do país. Especialmente em Hanói e Ho Chi Minh City, por serem cidades maiores, você vai precisar brigar peito a peito com os motociclistas e ciclistas por espaço nas ruas e nas calçadas. Isso mesmo: nem as calçadas ficam livres do trânsito desses veículos. Além disso, não existe essa de “faixa de pedestres”, “sinal vermelho”, “cruzamento”, “dê a preferência”, “mão da via”, a ordem que impera no país é a do “eu primeiro”. Se minha mãe me visse atravessar a rua no Vietnã, certamente sofreria um infarto. Mas é isso: se quiser atravessar a rua no Vietnã, olhe para os dois lados, se não houver uma moto a menos de 50 cm de distância de você, atravesse! Dá certo, acredite. Afinal, estou aqui para escrever isso para vocês.

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Hanói: motos nas calçadas e pedestres nas ruas, com as motos. Foto: arquivo pessoal

5 – Máscaras não são enfeites

Hanói é a cidade mais poluída em que já estive. É realmente assustador ver a nuvem de poluição que paira a cidade – não esperava por isso. Para se protegerem, os vietnamitas usam uma máscara cobrindo nariz e boca. Geralmente, essas máscaras são feitas de tecidos e são estampadas e bonitinhas. Entretanto, tal “acessório” não é enfeite, mas uma urgente necessidade de se protegerem.

6 – Vietnamitas comem o dia inteiro

No Brasil, não é comum ver pessoas preparando comida na rua. Podemos até ver um carrinho de cachorro quente, ou uma barraquinha de espetinho de carne, mas cortar a carne no meio da rua e prepará-la ali mesmo, na calçada, eu só vi no Vietnã. Além disso, sempre havia alguém sentado ali do lado, comendo. Não importava a hora, acho que por lá não tem horários para café da manhã, almoço ou janta. Toda hora é hora de comer, ali na rua, sentado no banquinho, sozinho ou acompanhado. Nesses dias de viagem, sentimos que comida é assunto muito sério no Vietnã.

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Vietnamitas comendo na rua em Hanói. Isso já era bem tarde da noite. Foto: arquivo pessoal

7 – É possível conversar sem trocar 1 palavra

Vietnamitas não falam bem – ou não falam at all – inglês. Ora o sotaque é carregado demais e a gente não compreende, ora eles simplesmente não sabem falar NADA nesse idioma. Como estamos muito acostumados a usar o inglês para tudo, tivemos que usar a criatividade e caprichar nas mímicas para expressar o que queríamos dizer. Foi totalmente fora da nossa zona de conforto. A calculadora do celular foi essencial na hora de falar em números, os sinais universais com a cabeça e as expressões da boca nos salvaram em muitos momentos e a sempre útil “cara de paisagem” quando a gente não entendia nada, mas queria fazer que sim, foi imensamente utilizada. No fim, deu certo – aparentemente.

8 – Variadas experiências gastronômicas

Em 11 dias de viagem, fazendo todas as refeições “fora de casa”, podemos dizer que experimentamos vários sabores no Vietnã. Fomos a restaurantes refinados e simples. Tomei drinks no cruzeiro e cerveja no banquinho de plástico na calçada. A conclusão que chegamos é que, pelo menos no Vietnã, preço e popularidade não estão ligados ao sabor. Tampouco a avaliação no TripAdvisor. Comidas de rua são muito comuns por lá. Há também restaurantes renomados – e caros – que servem boa comida. Mas é quase certo que você não vai ter sua refeição inesquecível no Vietnã sentado em uma mesa com forro de linho. Experimentar a comida local, feita por um local, servida por um local em um ambiente local é uma experiência que vale a pena ser vivida. Arrisque!

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Bia Hói, o chopp mais barato do mundo é feito no Vietnã. Foto: arquivo pessoal

9 – Não há lugar vazio no Vietnã 

Vietnã é um país CHEIO! Cheio de vietnamitas e cheio de turistas também – pelo menos em abril. Todos os templos, museus e atrações que visitamos estavam completamente lotados. É bem cansativo brigar por espaço nas fotos (e ainda se desviar das motos), confesso. O auge do nosso descontentamento com a “lotação” do Vietnã foi quando, em Hue, ao visitarmos um parque aquático abandonado, constatamos que ele estava mais cheio que shopping em véspera de Natal. Se planeja visitar o país também nessa época, esteja preparado para dar muita cotovelada e “chega pra lá” em outros turistas o tempo todo.

10 – A vida segue independente do turismo

Embora essa loucura de turistas por toda parte, como acabei de mencionar, é impressionante ver que a vida da maioria da população local não se altera pela sua presença ali. Há quem viva do turismo, obviamente, mas quem não trabalha em nada relacionado a esse mercado, simplesmente não muda o seu dia a dia por isso. A vida segue, entendem? A senhorinha que está sentada naquele ponto da calçada há 20 anos preparando o seu único prato, não vai fazer nada diferente porque tem 1 turista tirando foto dela, ou comendo de sua refeição. A cerimônia no templo segue com monges e turistas. Para eles, parece muito natural que estejamos ali a passeio, observando o modo de vida deles e o nosso maior presente é que, dessa forma, eles nos oferecem desbundes de originalidade e naturalidade.

templo budista hue monges turistas

Em Hue: turistas e monges no templo. Foto: arquivo pessoal

11 – Vietnamitas são estressados, mas sabem perdoar

Provavelmente esse comentário vai ser ingênuo, pois não estive tempo suficiente no país, ou tampouco estudei o suficiente para fazer essa observação, mas vou deixá-la aqui, como uma memória da minha surpresa em 2 aspectos. Primeiro, que por ser um país que segue majoritariamente o Budismo, tinha a ideia que eles seriam um povo calmo, pacífico (em Bali, seguidores do Hinduísmo, eram assim). Mas o que vimos foi um povo de “pavio curto”, que brigava na rua com frequência, trocando xingamentos, perdendo a paciência no trânsito facilmente (compreensível) e a paz dos templos budistas parecia não alcançar as ruas. Foi o que vi.

Em segundo lugar, em contrapartida, fiquei muito surpresa por não ver e sentir “ódio” deles em relação aos EUA por conta da guerra. Ouvi da boca de um guia, que inclusive era vivo à época do conflito, que ele não sente rancor dos americanos, apesar de esses terem prejudicado muito o Vietnã. Também senti isso de diferentes formas, por várias pessoas, em variados momentos. Fiquei feliz com isso, afinal, são apenas 40 anos do fim da guerra que prejudicou muito o país e eles já aprenderam a levantar, sacudir a poeira e seguir em frente. Ah, Vietnã, você me ensinou tanto…

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Flor em Ho Chi Minh, Vietnã. Foto: arquivo pessoal

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  • Larissa outubro 1, 2017

    Que delicia esse post!
    Amei!
    Quero conhecer esse país um dia!
    Fico feliz por essas suas experiências incríveis! ♥️

    • Pollyane
      Pollyane outubro 2, 2017

      Eu acho que você iria gostar, Larissa! Espero que possa ir mesmo um dia… Te passarei todas as dicas! Beijooo

  • Renata Suzart maio 3, 2017

    País que está na minha lista há um tempo… E espero poder conhecer-lo em breve! Adorei as suas observações e mal posso esperar por mais e mais posts do Vietnã! Ahh, AMEI também o relato da viagem ao vivo! hihihi!!! Beijoca!

    • Pollyane
      Pollyane maio 3, 2017

      E eu espero que você possa conhecê-lo em breve! Acredito que o esquema “cruzeiro”, no seu caso, é o ideal 😀 Depois quero saber tudo também! Beijos

  • Nath abril 28, 2017

    O Vietnã é um dos meus países favoritos desde que fiz meu TCC sobre a guerra ‘contra’ os americanos. Aprendi muito sobre a cultura e quero muito conhecer. Eu amei esse post! Pensei que eles fossem bem calminhos também por conta do budismo hehe Bem diferente!

    Beijos

    • Pollyane
      Pollyane maio 3, 2017

      Nossa, Nath, que interessante fazer um TCC sobre o Vietnã! Aposto que você aprendeu um monte de coisas legais. Espero que você possa ir lá conhecer pessoalmente um dia, especialmente Ho Chi Minh, que guarda mais essas questões de guerra do país. Beijo grande e obrigada pela visita!