25 de março de 2017

Alexandria: será que vale a pena?

Quem acompanhou o artigo do nosso roteiro pelo Egito viu que a nossa ida a Alexandria foi controversa. Apesar da frustração do congestionamento gigantesco que pegamos para chegar até lá, que até rendeu um registro fotográfico, ainda tivemos tempo de ver algumas atrações na cidade e, basicamente, “saber como é” ou “riscar no mapa”.

Ir ou não ir, eis a questão

Eu digo o seguinte: tem tempo sobrando? Vá! É melhor ir lá e comprovar com seus próprios olhos e experiências o que é a cidade do que confiar na opinião alheia, inclusive na minha. Eu não decidir ir desavisada: li, sim, muita coisa ruim antes de ir, mas também li relatos bons. Ou seja, tive que pagar para ir e ver por mim mesma.

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Ruas de Alexandria. Foto: arquivo pessoal

Inevitavelmente, por ter um blog, acabo compartilhando as minhas experiências com um monte de gente que nem conheço. Algumas são parecidas comigo e acabam concordando com as minhas opiniões, outras não. E não há nada de errado nisso! Também já li em muitos blogs relatos que eu não concordava, mas não quer dizer o blogueiro estava errado, apenas que ele era um ser humano diferente e, principalmente, que a experiência que ele teve no lugar não tem como ser igual à minha, né? Inclusive, não desejo que você fique preso por 3h em um congestionamento, caso decida ir. Logo, a sua experiência já seria bem diferente.

Em resumo: quer muito ir? Vá. Não está muito certo? Então continue o texto.

Por que decidimos ir a Alexandria

Amo História. Adorava as aulas de História no Ensino Médio com o meu querido mestre Adonai, que nos contava dos tempos faraônicos e das grandes civilizações que habitavam o Egito. Sonhava em conhecer o país, já até contei aqui, e isso incluía Alexandria. Por que? Oras, porque Alexandria já foi uma das cidades mais importantes do mundo! Quem não iria querer conhecer? Especialmente alguém que ama História, como não ser tentado? Além do querido mestre da juventude, outro culpado da inclusão de Alexandria foi o marido, que me fez assistir ao filme Ágora algum tempo antes da viagem. Aí ficou difícil resistir…

Obviamente, os tempos mudaram (para Alexandria, há alguns séculos) e eu não fui ingênua o suficiente para achar que a cidade seria tão interessante como outrora. Mas e se fosse legal? Se valesse muito a pena? Se depois eu lesse um artigo maravilhoso contando como a cidade ainda conserva um encanto até os dias de hoje? Eu não podia bancar esse arrependimento – o jeito era ir nessa viagem, ou, quem sabe, nunca mais. Mandei um email para a agência de viagens e pedi para incluir Alexandria. Pronto, aí era só esperar para ver como seria.

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Ruas de Alexandria. Foto: arquivo pessoal

Alexandria não teve culpa, mas…

Há inúmeros imprevistos em uma viagem que podem estragar tudo. A culpa nem sempre é sua, da empresa de turismo, de alguém específico, da cidade… No caso de Alexandria, o congestionamento (aliado à fome, ao tédio e à vontade de ir ao banheiro que sentimos enquanto estávamos presos), o climão com o guia (depois explico direito) e o trânsito infernal de Alexandria contribuíram imensamente com o nosso desgosto com o passeio. Por conta do atraso na ida, também tivemos que cancelar a ida a algumas atrações.

Já falei antes que a minha viagem ao Egito foi marcada por grandes expectativas e igualmente grandes choques de realidade. Alexandria contribuiu enormemente com isso. Eu esperava que a cidade fosse ser mais tranquila que Cairo, mas a verdade é que ela é uma “mini-Cairo-cairótico”: feia, suja, desorganizada e com um trânsito de tirar a paciência de qualquer monge. A culpa é da cidade? Não. A culpa é minha que não consegui me desligar dos fatores negativos. Viajar é ganhar um pacote surpresa, abrir e gostar ou não do que tiver lá dentro. Você não pode mudar o conteúdo do pacote, é um presente, então apenas aceita se gosta ou não.

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Trânsito em Alexandria: terrível! Foto: arquivo pessoal

O que fizemos em Alexandria: Catacumbas de Kom el Shoqafa

O primeiro lugar que visitamos foram as Catacumbas de Kom el Shoqafa, um sítio arqueológico construído no século I, utilizado até o século IV, e que foi descoberto somente em 1900, quando um burrinho caiu lá dentro. Essas catacumbas são um dos maiores sítios funerários romanos egípcios e consistem de uma série de túmulos Alexandrinos, com influências gregas e romanas.

Essas não foram as primeiras catacumbas que já visitamos, então não posso dizer que foi muita novidade em questão de estrutura, já que as catacumbas de Roma e do Vaticano são bem parecidas com essas. A diferença, porém, é que ainda não se sabe muito sobre essas catacumbas egípcias, pois elas ficaram por séculos abandonadas e muito de seu interior foi perdido, devido a alta umidade do lugar. Logo, onde não há uma história comprovada, muitas especulações preenchem os imaginários das pessoas, o que deixa o cenário ainda mais misterioso ou sombrio, a depender da sua leitura. Eu confesso que adoro catacumbas!

É proibido fotografar no interior das Catacumbas, então peguei algumas imagens da internet para vocês:

Catacumbas de Kom el Shoqafa

Foto: CC

Catacumbas de Kom el Shoqafa

Foto: CC

As Catacumbas de Kom el Shoqafa são parada obrigatória para quem visita Alexandria. Elas são consideradas uma das 7 Maravilhas do Mundo Medieval! Uma vez na cidade, recomendo MUITO a visita, mas atenção: se você sofre de claustrofobia, problemas respiratórios graves ou tem dificuldade de locomoção, não recomendo a visita. O interior das catacumbas é irregular, por muitas vezes tivemos que nos equilibrar em tábuas, além de ser escuro (usamos lanternas do celular), muito fechado e úmido. Se não tiver nenhum problema com isso, vá, porque é realmente interessante!

Biblioteca de Alexandria

Acho que um dos fatos mais tristes da História foi o incêndio (na verdade, os incêndios) da Biblioteca de Alexandria. É lamentável pensar em quanta coisa se perdeu naquele lugar. Enfim, desolações inúteis de lado, fizemos questão de visitar a nova Biblioteca de Alexandria, construída em 2002, localizada próximo ao local onde a original ficava. A Biblioteca de hoje abriga a maior coleção de livros da África e o espaço não serve somente para armazenamento de livros, como também abriga museus, auditórios, laboratórios e um planetário.

Para visitar a Biblioteca de Alexandria é preciso agendar um horário com um guia local (disponível em algumas línguas). Guias externos não são permitidos no interior da Biblioteca. Durante o tour, que dura em média meia hora, a guia nos mostrou como é o sistema eletrônico da Biblioteca, através do site, como são feitas impressões de livro, a parte da biblioteca e áreas de estudo, além de alguns museus e exposições temporárias do local. Eu achei tudo muito interessante e definitivamente recomendo a visita, caso esteja por lá.

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Interior da Biblioteca de Alexandria. Foto: arquivo pessoal

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Museu na Biblioteca de Alexandria, Egito. Foto: arquivo pessoal

Onde comer em Alexandria

Alexandria é conhecida por bons restaurantes de peixes e frutos do mar. O nosso guia nos levou a um que é muito conhecido por lá, onde a maioria dos turistas também vão (então, sim, é um pouco “armadilha de turista”) que se chama Fish Market (

Citadel of Qaitbay

Terminamos a nossa visita a Alexandria na Citadel of Qaitbay. Infelizmente, não tivemos tempo de entrar nessa estrutura fortificada e só ficamos do lado de fora, contemplando os muros externos, pescadores, pessoas passeando… É um lugar agradável, apesar do constante assédio dos egípcios que nos tentar vender coisas. Caso você visite a cidade com mais tempo, acho que vale a pena se programar para entrar lá e aprender um pouco mais da história do lugar. Ah, o pôr do sol de lá foi bem bonito, então deixe para ir mais no fim da tarde também.

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Citadel of Qaitbay, Alexandria, Egito. Foto: arquivo pessoal

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Pôr do sol na Citadel em Alexandria. Foto: arquivo pessoal

***

Do fundo do coração, espero que possam visitar Alexandria e guardar uma impressão melhor que a minha. É totalmente possível fazer um bate-volta de Cairo e, se não fosse pelo congestionamento, teríamos visto e entrado em tudo que planejamos. Infelizmente, não foi dessa vez. Caso vocês tenham mais coisas para falar sobre a cidade, por favor, deixem nos comentários! Beijo grande e até a próxima.

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  • suelani outubro 6, 2017

    Olá, Polly.
    Tudo bem?
    Estou em Alexandria há uma semana vim para aprender o árabe e estou fazendo tudo sozinha sem guia sem ninguém, só pegando dicas na internet.
    Já visitei alguns lugares por conta própria mas não estou conseguindo achar essas Catacumbas de Kom el Shoqafa, perguntei para algumas pessoas e elas não souberam me responder.Você se lembra mais o menos onde fica? olhando no Google ela fica ao lado da mesquita de Abu al-Abbas al-Mursi e próximo da Citadel of Qaitbay. Ah parabéns pelo blog : )

    • Pollyane
      Pollyane outubro 7, 2017

      Oi Suelani! Obrigada por acompanhar o blog!
      Nossa, primeiramente, parabéns pela sua coragem em aprender o árabe. Eu estudei um pouco e sei que não é fácil! Sobre as Catacumbas de Kom el Shoqafa, o endereço é esse: 2 Amr Ibn El-Aas, Al Karah WA at Toubageyah WA Kafr Al Ghates, Qesm Karmouz, Alexandria. O site oficial é esse: http://www.sca-egypt.org/eng/SITE_Kom_el_Shuqafa.htm e elas ficam entre os Mosques Daash e El Mery. Não é perto da Citadel of Qaitbay. Eu não consigo colocar um mapa aqui para você, mas quando eu coloco no Google Maps aparece no lugar certo. Espero que tenha ajudado! Boa sorte! Beijos.