12 de Janeiro de 2017

Egito: o despertar de um sonho

Conhecer o Egito era um sonho antigo. Desde muito nova, enquanto ainda estava na escola, ouvia com fascínio sobre a história desse país. Mesmo não tendo a menor ideia que algum dia pisaria em seu território, sonhava em um dia conhecer as lendárias pirâmides de Gizé, Alexandria e o seu legado com a ciência, templos, monumentos. Imaginava um cenário bucólico, com uma luz amarelo-desértica misteriosa e tudo parecia muito perfeito… no meu sonho. E qual foi a minha decepção quando, ao desembarcar em Cairo, acordei de um Egito dos livros para o Egito real, atual, louco, sujo, perigoso. Foi como descobrir, pela segunda vez, que Papai Noel não existe. O Egito dos meus sonhos, se algum dia existiu, sumiu e deixou só vestígios.

Viajar pelo Egito foi intenso. Depois da expectativa frustrada, nos restou encarar a viagem como uma grande aventura, cheia de desafios e perigos, mas também repleta de coisas mágicas à nossa espera. A decepção que tivemos não foi, nem de longe, em relação aos monumentos históricos que visitamos, mas sim por um mix de insegurança, desconforto e indignação.

Cairo nos assustou – e muito! A capital egípcia é imensa, desorganizada, superlotada, poluída, Cairótica! Todos os dias, ficávamos horas presos no trânsito louco e impaciente de lá. A poluição atmosférica, sem ter como ser evitada, nos atacava os pulmões. Os vendedores, irritantes e insistentes, não nos deixavam aproveitar os monumentos. E a comida, bem, essa foi uma decepção do começo ao fim da viagem.

Em Cairo, sofrendo um choque de realidade. Foto: arquivo pessoal

As pirâmides são absolutamente fantásticas, todas elas! Estar ao lado (e entrar) de um pedação de história como aquele realmente me emocionou. Os templos egípcios ao longo do Rio Nilo também são absurdamente encantadores. E o Mar Vermelho foi uma das coisas mais lindas que já vi!

Egito de contrastes.

Viagem de contrastes.

Foram muitas emoções desencontradas a viagem toda. Ao mesmo tempo em que a moeda egípcia está bastante desvalorizada e tudo era muito barato, tínhamos que ficar desconfiando de golpes que vinham de todos os lados. Se por um lado olhávamos o Rio Nilo e pensávamos “caramba, esse é o Nilo!”, se prestássemos atenção, veríamos um rio poluído e motivo de enormes conflitos na região. O grande policiamento nas cidades também nos incitavam sensações confusas: “é para me sentir segura ou ameaçada?”. No fim, compreendemos que só há tanta polícia e armamento porque há uma ameaça real e constante à segurança no país. E digo: foi por pouco.

Do alto, o Egito ainda era o dos meus sonhos. Foto: arquivo pessoal

Passamos muita raiva/medo no trânsito egípcio, mas ficamos super satisfeitos com os nossos pilotos de barco e balão! Sim, balão! Nos rendemos a esse passeio e graças a Deus correu tudo bem. Foi incrível e eu super recomendo. E foi assim: alguns momentos de puro êxtase, outros de desespero, outros de raiva. Egito foi um teste de nervos – e de saúde.

Durante o cruzeiro no Rio Nilo, que foi uma das partes mais tranquilas da viagem, levamos do barco, além das memórias, fotografias e bagagens, uma baita infecção gastro-intestinal, que deixou um dos nossos companheiros de viagem acamado por muitos dias, perdendo a viagem da Jordânia, que viria logo em seguida.

Nos últimos dias no Egito, onde tínhamos a sensação de estar lá há semanas, fomos para Hurghada, no Mar Vermelho. Resort maravilhoso, com preço de hotel 1 estrela no Brasil. Por lá, tudo certo, a não ser pelo taxista que nos levou ao aeroporto, que escapou por pouco de levar um soco do marido. Egípcios, por que vocês fazem isso com o país de vocês?

Deixamos o Egito cheios de lembranças, boas e ruins. Talvez o que tenha complicado mais a minha viagem foi o fato de ter chegado com muitas expectativas infantis e ingênuas. Deveria tê-las deixado de lado antes de ter embarcado para lá, mas eu não o fiz. E este relato serve tanto como um desabafo quanto para um aviso, para que você não faça o mesmo. Não deixe de conhecer o Egito, caso essa seja a sua vontade, mas vá preparado para ter emoções muito mais intensas do que imagina, agradáveis ou não.

Encerro aqui o meu breve resumo e as minhas primeiras e últimas impressões sobre o Egito. Foi como ter um sonho lindo e acordar porque caí da cama. Ainda está muito recente para encaixar a realidade no sonho, porque o tombo ainda dói. Com o tempo, assim espero, todas essas impressões ruins vão ficar mais brandas, como aquela memória vaga do sonho da noite anterior, e o Egito voltará a ter o mesmo brilho que outrora teve para mim.

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  • […] e das grandes civilizações que habitavam o Egito. Sonhava em conhecer o país, já até contei aqui, e isso incluía Alexandria. Por que? Oras, porque Alexandria já foi uma das cidades mais […]

  • Rê Suzart Janeiro 17, 2017

    É uma pena quando a gente tem expectativas sobre algum lugar (ou alguma coisa, pessoa) e se frustra assim… Mas é sempre válido dar as caras e tirar as próprias conclusões e, tenho certeza que, com o tempo, vai acontecer bem isso que você falou: as lembranças dos perrengues e das coisas negativas vão desbotando e as lembranças de tudo de positivo só florescem 😉 Ainda bem que é assim, né?

    • Pollyane
      Pollyane Janeiro 19, 2017

      Oi Suzart! Ainda bem mesmo, viu? E o pior das expectativas é que elas são culpa exclusivamente nossa mesmo, né? Muito triste. Mas como vc disse, tb torço para que as lembranças negativas se apaguem com o tempo. Beijo grande e obrigada pela visita e pelo comentário.

  • Francine Gunther Janeiro 15, 2017

    Nossa, Polly, que pena. Já ouvi relato parecido sobre a India também. Enfim, bom saber dessas experiências sem filtros pra estarmos preparados se decidirmos algum dia visitar esses países.

    • Pollyane
      Pollyane Janeiro 15, 2017

      Oi Fran! Obrigada pela visita e pelo comentário. Sim, é bom mesmo estar mais preparado antes de visitar um lugar mais “complicado”. Com a Índia, sempre ouço dizer que a experiência é ainda mais “intensa”. Por enquanto, é difícil dizer se queremos pagar para ver… Hehe. Mas como disse no artigo, se você tem vontade de conhecer, vá! Se prepare, arrume uma boa agência e ande sempre pelo caminho mais seguro 🙂 Beijo grande.