Vou confessar a minha ignorância: antes de planejar a viagem ao Egito, que aconteceu em dezembro de 2016, achava que só existam as pirâmides de Gizé. Depois, fui descobrir que há muitas pirâmides no país (até novembro de 2008, existiam fontes citando entre 118 e 138 pirâmides egípcias identificadas) e que na nossa visita não deveríamos deixar de conhecer, além das famosas 3 pirâmides de Gizé, as de Saqqara e Dahshur, que são ainda mais antigas.

Combinamos com a Egypt Tailor Made que o nosso “dia das pirâmides” deveria incluir todas essas e, por uma questão logística e também histórico-linear, começamos o nosso dia nas mais antigas e depois fomos para Gizé. Nem preciso dizer que foi um dos pontos altos da viagem, né? Vamos a mais detalhes:

Pirâmides de Dahshur

Dahshur ou Dahchur é uma área perto da cidade de Mênfis, ao sul de Cairo, que possui 5 pirâmides bem diferentes e interessantes. Foi a nossa primeira parada do dia e uma das mais agradáveis (estava vazio e o clima era friozinho). As pirâmides mais imperdíveis são a Inclinada, ou Romboidal, e a Vermelha, ambas construídas a mando do faraó Seneferu por volta de 2.600 a.C.  Aparentemente, ele mandou construir a Vermelha pois, dizem, a inclinada foi feita às pressas, resultando no seu formato “diferente”, embora não se saiba ao certo se foi um erro ou proposital. Apesar disso, ela é uma das mais bem conservadas do Egito.

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Pirâmide Inclinada, em Dahshur, Egito. Foto: arquivo pessoal

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Ao fundo, a Pirâmide Vermelha. Foto: arquivo pessoal

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Ao fundo, a entrada para a Pirâmide Vermelha (alguns sofridos degraus até chegar na entrada, muito mais alta do que aparenta na foto). Foto: arquivo pessoal

Se quiserem saber mais detalhes sobre a estrutura e história da Pirâmide Romboidal, vejam este site.

Marido e eu entramos na Pirâmide Vermelha e, vou dizer, não foi fácil! Se você mede mais de 1,85, tem problema de coluna ou sofre de claustrofobia, reavalie a sua entrada. No site Fascínio Egito achei um esquema do interior da pirâmide e vou colocar aqui para vocês entenderem o “drama” de ter que descer e subir agachado o estreito corredor (62 metros com 91 cm de altura e 1,23 m de largura) que leva às câmaras internas. Quando chegamos até lá, o cheiro de amônia, devido à presença de morcegos, estava quase insuportável e apressamos a visita com medo de passar mal e desmaiar lá no meio – imaginem o trabalho para tirar de lá depois…

Apesar de ter sido um pouco sofrido (as coxas e costas que o digam no dia seguinte), achei muito interessante e único, claro, entrar em uma pirâmide de mais de 4 mil anos! É uma sensação indescritível (e não podia tirar foto).

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Esquema da Pirâmide Vermelha. Fonte: Fascínio Egito

Visita à pirâmide de Saqqara

Saqqara fica ao sul de Cairo e não é difícil de acessar se você estiver com um carro e motorista – o que eu altamente recomendo no Egito, volto a repetir isso. No caminho, se prepare para ver o Egito-como-ele-é, com cenas de muita pobreza, descuido, lixo… Já tínhamos visto tudo isso em Cairo, mas não deixa de ser triste ver também fora da capital egípcia que o quadro não se altera.

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A caminho de Saqqara, Egito. Foto: arquivo pessoal

O Sítio Arqueológico de Saqqara abriga várias estruturas interessantes e ter um guia te acompanhando é essencial, ainda mais porque a conservação desses sítios não é das melhores. A pirâmide de Saqqara, complexo funerário do faraó Djoser, não é verdadeiramente uma pirâmide, mas uma estrutura escalonada chamada de mastaba, construída por Imhotep (uma figura importante, como vocês podem ver aqui).

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Pirâmide Escalonada de Saqqara. Foto: arquivo pessoal

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Necrópole de Saqqara, Egito. Foto: arquivo pessoal

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Saqqara. Foto: arquivo pessoal

Não é possível entrar nessa “pirâmide”, mas há outros lugares que você poderá visitar, inclusive uma outra pirâmide pequena, cuja entrada é subterrânea e o guarda nos pediu dinheiro para que nos deixasse tirar fotos lá embaixo. Contei aqui sobre esse fato e outros golpes que você pode sofrer no Egito.

Vale a pena combinar as visitas à Saqqara e Dahshur, pois são áreas próximas. Depois de visitá-las, seguimos para Gizé, dando uma paradinha antes na loja de papiro, que eu recomendo.

Sobre as visitas à Necrópole de Gizé

Observação: vou me me limitar à descrição da nossa visita. Para saber mais sobre a história da Necrópole de Gizé, o Wikipedia tem um artigo bem resumido, de onde é possível acessar outras informações mais específicas.

Gizé, para quem ainda não tinha entendido, é o nome de uma cidade no subúrbio de Cairo onde ficam as pirâmides. É surreal ver as pirâmides tão pertinho da cidade, aquele contraste entre estruturas milenares e o Egito de hoje. Nós, inclusive, escolhemos um hotel que fica em frente ao complexo de Gizé e podíamos ver uma pirâmide da sacada do quarto… Incrível, né?

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Da janela do nosso quarto no hotel Le Méridien Pyramids. Foto: arquivo pessoal

Enfim, apesar da curta distância de Cairo e de vários hotéis, você deve reservar um bom tempo para visitar as pirâmides e a Esfinge (que também fica em Gizé), já que a área é imensa e as pirâmides estão a uma considerável distância umas das outras. Nós ficamos por lá umas 3 horas ao todo e tivemos ajuda da van para os deslocamentos internos. Nem cogitamos contratar um camelo, já que isso demandaria mais tempo negociando com os egípcios (o que a gente tentava evitar a todo custo) e porque já moramos no Oriente Médio e de camelo já estamos saturados! Hehe. Se você quer ter a experiência, veja com sua agência de turismo antes, é melhor do que olhar só lá.

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Em Gizé, Egito. Foto: arquivo pessoal

É possível entrar na Quéops, mas eu preferi ficar do lado de fora. Marido entrou e voltou encharcado de suor, porque assim como a Vermelha, a entrada era difícil, ainda tinha o fator que estava lotada de gente. Vou confessar que não arrependi de não ter entrado, mas se você quiser entrar, lembre-se que é preciso comprar essa entrada à parte na portaria para o Necrópole de Gizé.

As outras duas pirâmides menores, Quéfren e Miquerinos, compõem o famoso trio de pirâmides símbolo do Egito. Ainda na Necrópole, há as pirâmides das rainhas secundárias, a Esfinge, a Tumba da Rainha Chentkaus I e várias outras construções que só vale a pena você investir seu tempo se se interessa realmente por Arqueologia e História do Egito. Pra gente, ver só o principal era o suficiente.

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Pirâmide de Quéops, Gizé, Egito. Foto: arquivo pessoal

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Tamaninho da pedra da pirâmide de Quéops, Gizé. Foto: arquivo pessoal

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A concorrida Esfinge – é difícil tirar uma foto nesse lugar! Foto: arquivo pessoal

Nosso guia nos levou também a 2 lugares de onde é possível ter uma vista panorâmica das pirâmides e das pirâmides + a Esfinge. Infelizmente, não vou saber dizer a vocês qual é o lugar preciso, mas mostrem as fotos para o guia e peçam que ele os leve nos mesmos lugares.

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As 3 pirâmides principais de Gizé e as das rainhas no canto direito. Foto: arquivo pessoal

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De novo: as 3 pirâmides de Gizé e a Esfinge. Foto: arquivo pessoal

Dicas para o dia de visita às pirâmides

Algumas dicas importantes para esse dia da visita às pirâmides:

  • Mesmo que seja inverno, como foi o caso da nossa visita, vai fazer calor por volta de meio-dia. Por isso, é importante usar roupas leves e casacos que possa tirar com facilidade;
  • Como podem ver nas fotos, praticamente não há sombras nos sítios das pirâmides (nenhum dos 3). Não se esqueça de levar um chapéu, óculos de sol e protetor solar. Água também vai ser bem importante, principalmente para não ter que negociar o preço de cada garrafinha por lá;
  • Quanto aos sapatos, escolha os fechados e resistentes, sem dúvida. É muita poeira/areia e terrenos irregulares para ir de chinela ou sapatos delicados. No nosso hotel havia um senhor que limpava os sapatos – achamos providencial depois do passeio!;
  • Eu aconselho a usar calças que te permitem fácil mobilidade, especialmente se você deseja entrar nas pirâmides;
  • Não se esqueçam: o Egito é um país muçulmano; logo, cobrir ombros e joelhos, evitar decotes, transparências e roupas justas é recomendado;
  • Não é um bom dia para você usar itens caros, já que a aglomeração de pessoas é inevitável. Além disso, quanto mais “pinta de rico” você tiver, mais os vendedores irão te importunar;
  • É bem provável que as pessoas peçam para tirar foto com você, pois te acharão diferente e bonito. Mas, se você deseja tirar foto com um egípcio, ou com o camelo dele, se prepare para ter que pagar por isso;
  • Ao redor de Quéops fomos muito assediados por vendedores, donos de camelo e sei-lá mais por quem. A minha recomendação é: não dê papo. Se não pararem, o único jeito é ser bem grosso para tirá-los de sua cola.

E você, já visitou as pirâmides e tem alguma recomendação? Deixe nos comentários para ajudar aos que ainda estão planejando uma visita a elas! Beijos e até a próxima.

Vejam os outros artigos do Egito aqui.

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