Vivemos em uma país muito distinto do nosso Brasil. A cultura, a língua, a religião e o clima são muito diferentes do que estávamos acostumados e é fato que nem todos conseguem se adaptar bem às mudanças. Aliada a essas diferenças, sofremos ainda a falta dos familiares e amigos que moram longe, entre várias questões comuns a expatriados e outras particulares a cada indivíduo.

Sendo assim, não é incomum que transtornos psicológicos, principalmente a depressão, afetem uma esmagadora porcentagem de expatriados, sejam brasileiros ou de outras nacionalidades. Como sabemos, a depressão é uma doença grave e pode, muitas vezes, culminar no fatídico suicídio. Infelizmente, esse não é um quadro distante dos brasileiros que residem nos Emirados Árabes.

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Foto: Unsplash

Pensando sobre essas questões, resolvemos fazer uma entrevista com a Ana Cruz, uma psicanalista brasileira que, além de possuir consultório no Brasil, faz atendimento a compatriotas à distância, promovendo esclarecimentos, tratamentos e curas a diversos distúrbios psicológicos.

Polly: Qual é o seu nome, nacionalidade e profissão?
Ana:
Ana Cruz, 37 anos, brasileira com coração árabe, psicanalista clínica e blogueira.

Polly: Ana, qual é a sua especialidade?
Ana:
Comportamento humano de consumo, violência doméstica e análise de discurso.

Polly: Há quanto tempo atua na área? E há quanto tempo atende brasileiros expatriados?
Ana:
Comecei meus estudos sobre comportamento humano há mais ou menos 10 anos, onde me deparei com a psicanálise e logo em seguida busquei formação na área e não parei mais. Atendo brasileiros expatriados desde que fui habilitada a atender, ou seja, desde o início da minha prática clínica. Atendo expatriados residentes no Egito, Estados Unidos, Espanha, Itália, México, Canadá. Mas confesso que a busca pelo meu trabalho se tornou maior conforme meu blog foi se popularizando através das redes sociais. Atualmente ele é acessado por mais de 80 países, uma grande alegria para mim.

Polly: O que te motivou a trabalhar com brasileiros expatriados nos EAU?
Ana:
Foi uma ideia do meu marido, ele é o maior incentivador do meu desenvolvimento e crescimento tanto pessoal quanto profissional. O Elijah é árabe e em função do seu trabalho tem contato com pessoas diversas em países diversos e, por ser casado com uma brasileira, casualmente ele soube através de um colega à respeito de comprometimentos psicológicos apresentados por brasileiros residentes em países islâmicos.

Polly: Como você pode resumir a sua experiência atendendo brasileiros nos EAU até hoje?
Ana: Entre a ideia e a implementação deste serviço específico, foram 6 meses de desenvolvimento, incluindo pesquisas, contatos, análises, entre outros. Em junho deste ano tornei oficialmente público e até o momento, por se tratar de tão pouco tempo, está superando minhas expectativas iniciais. A receptividade é muito positiva. Afinal, trata-se de uma profissional brasileira que também entende sobre a cultura árabe e isto facilita o processo de identificação e, por consequência o desenvolvimento terapêutico.

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Foto: Ana Cruz

Polly: Quais são as maiores causas de depressão em brasileiros vivendo nos EAU?
Ana:
Muito interessante esta pergunta. Vejo os seguintes aspectos: larga dificuldade de adaptação local por desconhecimento da cultura, fixação em elementos irreais (o famoso ‘vai ser tudo lindo, tudo perfeito’), despreparo psicoemocional (pois viver em outro país não se resume apenas a condições financeiras), ausência da capacidade de lidar com frustrações diversas, alta incidência de estresse, auto-sabotagem (sim, muitos se sabotam e de modo inconsciente para si), dificuldade em gerenciar respostas emocionais inerentes ao ser humano como solidão e carência afetiva. 

Polly: Como esses brasileiros com transtornos psicológicos morando nos EAU têm procurado ajuda? Você acha que a língua pode ser um empecilho para a busca de terapias no país?
Ana:
Aí é que mora o perigo, nem todos estão procurando auxílio e trata-se de resistências individuais. A depressão é uma doença seriamente real que atinge atualmente mais de 350 milhões de pessoas ao redor do mundo. Destes, há uma parcela que, infelizmente, acaba atingindo o ápice e comete o suicídio. Uma doença silenciosa e que pode ser destruidora. Muitos não procuram ajuda profissional por associarem depressão a ‘fraqueza’, ‘inferioridade’ e ‘humilhação’. Para o doutor Afaf Al Hashemi, médico de família do DHA – Dubai Health Authority, no mundo árabe estima-se que quase 20% da população sofre de depressão e este número é apenas a ponta do iceberg, pois nem todas as pessoas buscam tratamento. Procurar um profissional na sua língua materna faz muita, se não toda, diferença na construção de resultados porque produz a mensagem de acolhimento e compreensão das suas emoções.

Polly: Quais são os métodos utilizados para ajudar os brasileiros com depressão nos EAU? De que maneira você contribui para a melhora no estado desses pacientes?
Ana:
O governo dos EAU criou o Ministério da Felicidade o que eu considero muito nobre, porém, não há como desenvolver os seus pilares, dentre eles a questão do bem-estar e saúde emocional, se excluir tratamento específico para depressão – que é um problema real atingindo números cada vez maiores no país. Eu contribuo através da executação do meu trabalho e também com a atenção, dissolução de dúvidas e aconselhamento dos que me procuram. Em função do meu blog, recebo em média em torno de 100/120 emails por dia, excluindo bobagens e propagandas, dá para filtrar a metade. Os problemas são variados, depressão é um deles, é crescente o índice de transtornos de ansiedade, pânico e fobia.

Polly: Há diferença da terapia psicanalítica presencial e à distância?
Ana:
Nenhuma. A prática da terapia online já é muito popular em diversos países de primeiro mundo pela facilidade e conforto que a tecnologia oferece. Os resultados apresentados são os mesmos, pois o empenho de ambas as partes também é o mesmo. Comigo, por exemplo, é obrigatório que o paciente se encontre em local de privacidade durante a sessão, isto pode ser no conforto da sua própria residência. Li uma matéria no Khaleej Times onde o governo dos EAU está em discussão sobre a modalidade online. Com todo o meu respeito, enquanto ainda estão debatendo, eu e tantos outros profissionais já estamos fazendo. Li também no The National que os EAU apresenta extrema necessidade de profissionais de saúde mental. A doutora e especialista em psicanálise Yana Korobko afirma que há nos EAU 0,51 psicólogo para 100.00 habitantes, o que fomenta a busca por profissionais fora do país (como eu, por exemplo). Ela lançou um livro em setembro sobre os seus estudos chamado ‘Os Árabes em Tratamento: Desenvolvimento de Sistema de Saúde Mental e Psicanálise no mundo árabe-islâmico Mundial‘ abordando tais necessidades.

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Polly: Você poderia explicar como, quando, quanto custa e todos os detalhes do serviço prestado por você aos brasileiros nos EAU?
Ana:
Sobre o meu trabalho – O QUE É: este atendimento se diferencia por apresentar foco no resultado e não na causa propriamente dita. Para tal, é baseado em O Método – um conjunto de cinco ferramentas desenvolvidas pelos psicanalistas americanos Phil Stutz e Barry Michels e considerados referência mundial na atualidade da área comportamental. O Método é adaptado e aplicado no tratamento da depressão, juntamente com a perpecção e exercícios práticos da gestalt-terapia, desenvolvida pelo psicanalista Fritz Perls gerando resultados em 90% dos casos. A gestalt visa o ‘aqui e agora’ resgatando os aspectos positivos da personalidade do sujeito e novos modelos de percepção do meio em que se vive, oferecendo enquanto alternativa ao sofrimento e angústia, a plenitude vivencial. COMO FAZER: online através do skype. TEMPO DE SESSÃO: 60 minutos. VALOR: BRL 100,00 por sessão avulsa. Há a opção de pacote com 4 sessões no valor total de BRL 260,00 (somente para pagamento antecipado).

Polly: Ana, você possui alguma consideração final?
Ana:
Queridos brasileiros, atualmente posso ajudá-los à distância pelo skype porque ainda resido no Brasil. Mas me aguardem, pretendo me mudar para os EAU e abrir o primeiro centro de apoio e tratamento psicológico exclusivamente para brasileiros e fazer do país referência no tratamento da depressão. Todos têm problemas e dificuldades e eu posso te ajudar, mas para que isto aconteça é importante que você dê o primeiro passo. Estou à disposição através das minhas redes sociais, facebook, twitter, instagram e G+ (super fácil me encontrar, é anacruzoficial em todas), do meu blog (anacruzoficial.com) e pelo e-mail anacruz@anacruzoficial.com. Em especial, Pollyane: shukran!

***

Ana querida, nós é que agradecemos a sua disponibilidade em conceder esta entrevista e nos esclarecer sobre um assunto tão importante e comum que acontece aqui nos Emirados. Esperamos que os brasileiros residentes no país sejam beneficiados pelo tratamento adequado, feito por uma profissional competente e, melhor ainda, que fale a nossa língua materna. Beijo grande!

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