A maternidade é um assunto muito recorrente aqui em Abu Dhabi. As árabes locais têm famílias numerosas e, além disso, as brasileiras comumente têm filhos por aqui. Uma decisão tão importante e revolucionária na vida de uma pessoa traz, inevitavelmente, dúvidas e desafios para as mulheres que planejam a gravidez. Pensando nisso, entrevistei uma querida amiga com o intuito de esclarecê-los melhor sobre o tema.

A mamãe entrevistada é a Renata, de 32 anos, uma baiana que já está longe de casa há muitos anos. Ela e o marido são os papais de Amelie, uma gostosura sapeca de 10 meses, que é metade brasileira, metade alemã e nascida nos Emirados Árabes!

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Amelie e mamãe Renata. Foto: Renata Suzart

Polly: Está há quanto tempo em AD?

Renata: Em Abu Dhabi, desde novembro de 2014.

Polly: Foi uma gravidez planejada? Quais foram as motivações para ter filho em AD?

Renata: Planejadíssima. A mudanca para Abu Dhabi coincidiu com a fase/idade que achamos “ideal” para encarar a maternidade/paternidade, além de acharmos a estrutura dos EAU ótima para a primeira infância.

Polly: Você sentiu medo ou receio de engravidar em AD? Quais foram os pontos negativos? Na sua opinião, houve pontos positivos?

Renata: Não. Claro que o fato de não ter tido referências de amigos quanto a médicos (obstetra, pediatra, etc.) e hospitais e não ter o apoio da família morando perto não é tão fácil. Mas as redes sociais ajudam bastante para indicações destes. O ato de parir em si não acho vantajoso aqui, em relação a parir no Brasil. Mas também não é algo ruim. E a vida aqui com bebês/crianças é muito boa e tranquila.

Polly: Como foi a sua experiência engravidando e tendo filho longe das famílias (do marido e da sua)?

Renata: Passei quase 3 meses da minha gravidez no Brasil, no período de verão do hemisfério norte. Também tive o privilégio de ter meus pais aqui  em AD quando tive a minha filha, o que foi um super apoio. Meus sogros também vieram logo depois. Por isso, realmente não tive problema algum!

Polly: Você teve ajuda de alguém durante a gravidez e pós-parto?

Renata: Durante a gravidez não precisei de nenhum tipo de ajuda. Tive uma gestação super tranquila e saudável e viajei bastante. Para o pós-parto eu tive meus pais, e depois os sogros (2 semanas antes do parto até quase 2 meses depois), além de contar com a ajuda de uma “maid” que contratamos para ajudar nos serviços de casa (cozinha, limpeza).

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Esperando Amelie. Foto: Renata Suzart

Polly: Como foi a busca pelo obstetra e hospital? E em relação ao plano de saúde, cobria todos os gastos?

Renata: Procurei indicações de médicos e hospitais pelo Facebook (grupo de brasileiros residentes em Abu Dhabi). Ainda assim, acabei me consultando com 3 diferentes obstetras até me decidir por uma. Quanto ao plano de saúde, pagamos todas as despesas médicas com o nosso cartão de crédito aqui e depois pedimos o reembolso do nosso plano de saúde privado na Alemanha (nossa situação é diferente da maioria nesse aspecto, pois meu esposo trabalha para uma empresa alemã e teve a opção de manter o plano de saúde de lá).

Polly: Você recomendaria o seu obstetra e o hospital onde aconteceu o parto? Eles foram recomendados a você por outras pessoas?

Renata: Recomendaria sim. Apesar de não ter “morrido de paixão”, não tenho nada a reclamar. Hospital: Bright Point – Dra Tina Steinbacher.

Polly: Houve algum incentivo do hospital ou do médico para o parto natural e a amamentação?

Renata: A experiência que tive é que eles nem comentam sobre “opções” do parto. É como se fosse “óbvio” que o parto natural será o esperado e uma cesárea só seria feita em caso de necessidade. A amamentação também é bastante incentivada e recomendada até, pelo menos, os 2 primeiros anos de vida.

Polly: Teve algum acontecimento ruim/desagradável durante a gravidez e o parto que estejam relacionados às diferenças culturais daqui em relação ao Brasil?

Renata: Durante o curso do pré-natal (oferecido gratuitamente pelo hospital), às vezes eu revirava os olhos com algumas “orientações” passadas, que realmente não condizem com o que penso. Mas nada grave a ponto de ser desagradável (é até engraçado, na verdade).

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Amelie em suas primeiras férias no Brasil. Foto: Renata Suzart

Polly: Você aconselharia/recomendaria ter filhos em AD para outras brasileiras?

Renata: Não vejo o fato de morar em Abu Dhabi um “empecilho” para quem quer ter filhos. Pelo contrário, até acho que a estrutura e segurança daqui são pontos fortes e “encorajadores”.

Polly: Algum comentário extra?

Renata: DICA para quem for fazer cesárea, vale conversar com o/a obstetra sobre local do corte e cicatriz. No Brasil, os médicos fazem um corte pequeno e bem baixo. A minha médica, se eu não tivesse conversado a respeito, teria feito o corte acima da linha dos biquínis brasileiros!

Nós agradecemos, de coração, a disponibilidade da Renata em nos conceder essa entrevista. Desejamos a ela, à Amelie e à sua família muita saúde e alegrias sempre! Beijo grande.

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