10 de fevereiro de 2016

Expectativa vs. Realidade – Língua

Hoje vou abordar mais um aspecto da vida aqui em Abu Dhabi, confrontando a minha expectativa antes de me mudar com a realidade que encontrei aqui. O tema escolhido foi Língua!

Oh_My_English_logo

Foto: CC

Para quem não viu, no primeiro post eu falei sobre TransporteE o post das expectativas está aqui!

Da expectativa:

A língua oficial do país é o árabe. Siiimmm, aquela mesmo, cheia de rabiscos traços lindos, que muita gente adora tatuar, mas ninguém sabe ler.

Felizmente, ao que tudo indica, todo mundo fala inglês. Há muitas pessoas de diferentes nacionalidades convivendo no país e o inglês, como língua simples e global que é, foi adotado por todos como meio de comunicação.

Estudei a língua inglesa por 4 anos e meio, o que não quer dizer, absolutamente, que eu consigo me virar em TODAS as situações. Até porque (e isso serve com qualquer outra língua) se a gente não pratica, acaba esquecendo. Por isso, pretendo voltar a fazer um curso de inglês por lá. Nada de voltar para o verbo to be, mas partir para algo mais prático, com mais conversação. Aceito indicações!

E também, já que está na chuva é para se molhar, já que está no deserto é para se queimar, pretendo fazer umas aulinhas de árabe. Longe de mim (e da minha capacidade com línguas) ficar fluente, mas acho muito legal quando as pessoas se esforçam para aprender a língua local, mesmo que “não tenha utilidade depois” – o que eu discordo. Sempre haverá aquelas pessoas de idade que não falam inglês, ou aqueles vendedores que te atenderão com mais carinho quando você disser Shukran ou Marhaba (sim, tive que olhar no tradutor, ainda não aprendi nenhuma palavra). Let’s see.

Da realidade:

Sim, a língua oficial do país realmente é o árabe! Todos os documentos, placas, letreiros, faixas, avisos e qualquer outro material escrito que você puder imaginar estarão escritos em árabe – e em inglês também!

Placas com os nomes das ruas em inglês e árabe. Foto: arquivo pessoal

Até hoje, só passamos por uma situação em que o documento não estava escrito em inglês também: um papel que veio da alfândega acompanhando a nossa mudança, nos informando dos itens que eles haviam retirado dos nossos pertences. Como só estava escrito em árabe, nunca chegamos a descobrir exatamente o que era.

Sim, “praticamente todos” falam inglês. Mas vamos colocar IMENSAS aspas nesse “todos” porque há falantes e falantes da língua inglesa aqui nos Emirados. Vamos dividir esse assunto em alguns casos para exemplificar:

Caso 1: há os expatriados nativos de língua inglesa que falam fluentemente e também muito rápido, já que eles têm o completo domínio do idioma. Dependendo da nacionalidade podem ter o sotaque fortíssimo, dificultando a compreensão, mas de maneira geral é fácil compreendê-los. Exemplo: norte-americanos, britânicos, australianos.

Caso 2: há os não-nativos de língua inglesa, mas que residem nos Emirados há muito tempo, ou que cresceram e foram educados aqui e também dominam bem o idioma, mas que ainda assim têm um sotaque forte. Exemplo: árabes, alguns indianos.

Caso 3: há também os não-nativos de língua inglesa, mas que aprenderam o idioma em seus respectivos países, ou em outros países de língua inglesa. Nesse caso, geralmente falam com mais clareza e mais devagar, sendo o grupo que eu melhor compreendo. Exemplo: franceses, italianos, espanhóis etc.

Caso 4: há os que vieram para cá falando pouco ou nada da língua inglesa e possuem um vocabulário muito limitado, misturando muitas vezes com palavras de seu próprio idioma. Nesses casos, os sotaques também são fortíssimos. Exemplo: a maioria dos indianos, filipinos, bangladeshianos, nepaleses, paquistaneses etc.

Bom, como deu para perceber, apesar de o inglês ser amplamente utilizado por todos que moram aqui, há vários “níveis” de habilidade para falar e compreender o idioma. Não é fácil entender um indiano falando inglês! Juro, gente, parece até que eles estão falando outra língua!!! Além disso, eles têm o hábito de mexer a cabeça de um jeito que a gente não sabe se eles estão concordando ou não com a gente.

Em relação à minha experiência pessoal, de maneira geral eu consigo resolver qualquer coisa aqui. O inglês que eu aprendi no cursinho [muitos anos atrás] me serve MUITO e o vocabulário a gente vai aumentando aos poucos, de acordo com a necessidade. Estou numa situação mais confortável de quem veio para cá sem saber nada, mas ainda acho que tenho muito a aprender, principalmente a “polir” o inglês, corrigindo velhos vícios e melhorando o vocabulário. Mas eu sei que isso é um processo e não vai acontecer da noite para o dia. Paciência.

Não fiz e ainda não tenho planos sérios de estudar inglês por aqui (pelo menos para os próximos meses). Um curso de inglês aqui é MUITO caro e, sinceramente, tenho medo de não valer o investimento. Por enquanto, vou praticando com filmes e aplicativos para o celular. Quando tiver uma boa indicação de um curso de conversação que valha o investimento, penso novamente no assunto 😉

rótulo árabe

Embalagens em árabe e inglês. Foto: arquivo pessoal

Quanto ao curso de árabe, o problema é o mesmo atualmente: o valor do curso. No caso, como seria iniciante, acho que o aprendizado seria significativo e dificilmente não valeria a pena, mas por ora não vou investir nisso não.

Às vezes me perguntam se é necessário saber árabe para morar aqui – a resposta é não. Como já falei, praticamente tudo está escrito em inglês também e, em tese, todo mundo fala o idioma também.

Em contrapartida, quando me perguntam se dá para viver sem o inglês aqui, bom, não creio que seja possível. Algumas coisas até que dá para resolver por mímica, mas outras não. Encaremos os fatos: por quanto tempo você não precisará ir ao supermercado, ler um rótulo, ler uma placa, entender um menu, pegar um táxi, conversar com alguma pessoa, pedir alguma informação, resolver algum assunto burocrático…

Além do inglês e do árabe, aqui em Abu Dhabi é possível ter aulas de francês, alemão, espanhol, mandarim etc. A cidade possui vários cursos de línguas e, muitas vezes, com professores nativos do idioma (já que aqui tem gente de todo lugar!). Além disso, há, por exemplo, escolas americanas e francesas, onde o currículo e a língua utilizada são os mesmos desses países.

Bom, pessoal, essas foram as minhas impressões em relação ao assunto até então! Caso tenha vivido uma experiência diferente, compartilhe conosco nos comentários! Se tiver uma boa dica de escola de idiomas, também vale deixar a indicação, pois a procura por esse serviço é muito grande por quem está chegando ao país! Beijos!

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  • […] de me mudar para AD, confrontada com a realidade que encontrei aqui. Já falei sobre transportes e língua; hoje falo sobre […]

  • […] de me mudar para AD, confrontada com a realidade que encontrei aqui. Já falei sobre transportes e língua; hoje falo sobre […]

  • Pollyane
    pollyanerezende fevereiro 12, 2016

    Entendi sim! hehehe. Esse vídeo é maravilhoso! Sempre dou muita risada quando assisto… 😀 Obrigada pela visita e pelo comentário! Beijo grande