Dando sequência aos nossos posts sobre “expectativa” de antes de mudar para Abu Dhabi vs. “realidade” que encontrei aqui, hoje falaremos sobre o tópico “Segurança“.

Da minha expectativa:

Para a minha sorte, os Emirados Árabes Unidos é considerado um país seguro. De acordo com o Índice da Paz Global 2015, o país ocupa a 49º posição de 162 países avaliados. Para fins de comparação, o Brasil ocupa a 103º posição.
Sendo brasileiros, aprendemos desde cedo que “o seguro morreu de velho”. Nunca é demais prestar atenção ao seu redor, se está sendo seguido, se alguém te observa de maneira estranha. É sempre bom colocar a bolsa na frente do corpo, jamais perdê-la de vista etc etc etc. Crescemos ouvindo isso e colocando em prática. Mesmo aqui em Madrid, também considerado um lugar seguro, sempre me pego segurando a bolsa quando estou no meio da multidão. Como Abu-Dhabi é  uma cidade turística, creio esse cuidado também será válido.
Porém, a minha preocupação com a segurança em Abu-Dhabi vai além de me resguardar de “batedores de carteira oportunistas”, mas sim com o trânsito. No momento, não tenho nenhum dado oficial sobre os índices de acidentes nos Emirados, mas já li em diversos lugares que o trânsito de lá é extremamente violento. Simplificando: é uma mistura de direção perigosa, carros importados que alcançam altas velocidades, grande comunidade de expatriados (muitas maneiras de dirigir convivendo na mesma cidade), paixão dos árabes por carros e velocidade e por aí vai. Sim, a segurança no trânsito me preocupa… demais! Posteriormente, vou fazer um estudo mais detalhado sobre o trânsito nos Emirados e posto aqui.
Enfim, espero que a minha expectativa de um lugar seguro seja confirmada e que o meu receio em relação ao trânsito seja um exagero. O tempo dirá, em breve

Falar sobre segurança em Abu Dhabi é fácil. Estando no país, não demora muito para termos uma opinião formada sobre o assunto. No entanto, eu quis aguardar mais tempo para passar a vocês uma visão mais embasada e usar alguns exemplos.

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Minha mãe impressionada com a “falta de segurança” das lojas no mercado do ouro, em Abu Dhabi. Foto: arquivo pessoal

Já há algum tempo, tenho postado em outros artigos sobre a ~impagável~ sensação de segurança que experimentamos em Abu Dhabi. Neste artigo para o Brasileiras pelo Mundo, considero a segurança oferecida pelo país como um dos principais motivos para se mudar para cá. Não dá para negar que se sentir seguro pode compensar vários outros “pesares” de um lugar. E isso eu ouço o tempo todo de quem mora por aqui.

“Me sinto segura, posso dirigir à noite e sozinha sem medo de ser sequestrada”

“Já esqueci o meu carro aberto o dia inteiro e nada aconteceu”

“Posso andar à noite com a minha filha sem sentir medo”

Posso andar na rua falando ao telefone; posso usar jóias e bolsas sem me preocupar em tê-los arrancados de mim; e não faltam exemplos…

Quando escrevi a minha expectativa, relatei que, como brasileiros, temos o costume de nos preocupar o tempo todo com segurança, seja do carro, da casa, da nossa bolsa, do celular e até da nossa integridade física. Antes, tinha a sensação que essa “paranoia” me acompanharia aonde quer que eu fosse. De fato, a gente não se torna menos precavido ao chegar a um local mais seguro, mas com o tempo aquela paranoia desapareceu e, quando estou em Abu Dhabi, fico mais relaxada quando o assunto é segurança.

Já cansei de ver mulheres com bolsas abertas andando pelo shopping, carros abertos em estacionamentos, celulares e carteiras deixados em qualquer lugar. Não cheguei a esse nível e nem devo, já que um dia voltarei a morar no Brasil, não é?

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Em um dos maiores shoppings da cidade, uma mulher anda tranquilamente com a bolsa aberta e jogada para trás. Foto: arquivo pessoal

Certamente, roubos e outros crimes relacionados à falta de segurança existem, mas não são tão comuns quando comparamos com o Brasil de hoje. Na minha opinião, o fato de os Emirados Árabes terem uma legislação tão rigorosa a respeito de crimes, principalmente furtos, é o principal motivo de não termos esse problema agravado por aqui.

Se uma pessoa for pega roubando, certamente será presa e deportada, mas não descarto a possibilidade de também ser punida pela Sharia (a lei do Islã). Portanto, não é um bom negócio roubar por aqui.

Extrapolando esse pensamento, como a permanência de pessoas no país sem emprego não é permitida, ou seja, as pessoas estão aqui justamente porque têm  (e precisam do) emprego, não seria inteligente roubar e acabar sendo deportado.

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Em Corniche, na orla da cidade, onde as pessoas passeiam tranquilamente, sem se preocuparem com seus pertences e integridade física. Foto: arquivo pessoal

O fato de terem emprego, mais que o fator religioso, pode ser, a meu ver, o maior controle de segurança. Digo isso depois que visitei Lombok, uma ilha da Indonésia próxima à Bali, onde a população também é muçulmana, porém muito pobre, e roubos a turistas são comuns por lá.

A rigidez da religião, ou a falta dela, não são indicativos de uma maior segurança ou não. Mas creio que o número de pessoas desempregadas, as crises morais e éticas e o pouco investimento em educação sim, fazem as pessoas seguirem por esse caminho. E eu digo isso porque não quero relacionar a minha sensação de segurança com religião; com cultura talvez; mas com esquemas de segurança (câmeras, policiamento) e rigor nas leis, com certeza.

Não podemos deixar de falar da segurança em relação ao terrorismo. Desde quando anunciei que mudaria para Abu Dhabi e até os dias de hoje, recebo inúmeras perguntas relacionada ao assunto. É claro que não estamos 100% imunes a ataques terroristas, mas afinal, qual lugar está? Com muita tristeza, creio que nenhum… De qualquer forma, em 1 ano morando no país, não presenciei (e nem soube) de qualquer ataque terrorista por aqui.

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Trânsito em Abu Dhabi. Foto: arquivo pessoal

Em relação à minha expectativa da segurança no trânsito, fico feliz em dizer que a realidade não é tão má quanto prometia. Acidentes acontecem, mas considero que as pessoas dirigem de maneira segura dentro da cidade (nas estradas é outra história). As leis no trânsito também são muito duras, assim como o “esquema” de fiscalização das vias. Há câmeras e radares de velocidade por todos os lados!

Não sei se é porque na cidade de onde vim as pessoas fazem barbaridades no trânsito, mas acho o trânsito de Abu Dhabi até tranquilo. Não vejo motoristas furarem sinal vermelho, dirigindo alcoolizadas, entre outras coisas.

Espero que eu tenha conseguido me expressar bem neste artigo. Esse é um assunto polêmico e controverso e cada um vê de uma forma. Expus aqui algumas opiniões e pensamentos que compartilho (não sou especialista no assunto) e que, mais uma vez, não necessariamente são as mesmas de outras pessoas que moram na cidade, ou em outras cidades pelo mundo, combinado? Beijo grande e até a próxima!

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  • […] Veja mais sobre Segurança nesse artigo. […]

  • […] 1 – Segurança – Na minha opinião, esse item deve vir em primeiro lugar, seja na lista ou na vida e não há lugar que eu já tenha sentido mais segurança do que aqui em Abu Dhabi. Caminhar pelas ruas sem medo de ser assaltada ou vítima de violência; poder dirigir à noite sozinha; deixar a bolsa na praia e dar um mergulho no mar. Em tempos de noticiários sangrentos pelo mundo inteiro, viver sem se preocupar excessivamente com a segurança é maravilhoso! Mais sobre esse assunto aqui neste artigo. […]

  • May setembro 13, 2016

    Gostaria de saber como sao as leis no UAE com relacao ao estupro de mulheres? Pq pelo que ja li na midia, o país transforma a mulher estuprada, de vítima para CULPADA. Tendo em vista que NAO HA leis que puna um estuprador.
    A lei diz que só será punido de o estuprador confessar.O que é uma logica bizarra!
    Por isso, qndo li este artigo, achei q fosse mencionar algo do tipo com relacao à seguranca das mulheres em
    paises islamicos q aplicam a Sharia.
    Agradeco a atencao desde ja.
    ;)))

    • Pollyane
      pollyanerezende setembro 13, 2016

      Olá, May! Muito obrigada pela visita e pelo comentário! Essa questão do estupro é muito delicada de ser discutida em países islâmicos, pois eles possuem um entendimento e legislação completamente diferentes dos nossos. Além disso, é complicado discutir assuntos que permeiam o aspecto cultural/religioso onde estamos sujeitos à censura, correto? Não comentei especificamente sobre o estupro neste post pois, como você pode ter notado, era um artigo onde eu debateria sobre as minhas impressões pré e pós mudança e mesmo antes de me mudar já sabia que o estupro não seria uma grande preocupação aqui. No meu artigo para o Brasileiras pelo Mundo “a caminho do altar” https://diariodepolly.com/2016/07/02/brasileiras-pelo-mundo-a-caminho-do-altar/ falo de maneira superficial sobre essa questão. Agradeço o interesse e a visita. Até logo! Polly.

  • Natacia Lima setembro 4, 2016

    Teria a mesma reação que a Marly