07 de setembro de 2016

Feriado em Salalah, sul de Omã

Quando me lembro dessa viagem a Salalah, inevitavelmente os Vengaboys dançam na minha cabeça a abençoada música do início dos anos 2000: “my heart goes Sha La La La La”. Para quem é muito mais novo, ou muito mais velho, e não souber sobre o que estou falando, já deixo advertência: constitui aquele tipo de música que ficará PARA SEMPRE na sua cabeça. Cuidado!

E agora vamos ao que interessa (“sha la la in the mooorningg“): Salalah é uma cidade de Omã, o país vizinho aqui na Península Arábica, localizada bem ao sul do país, quase fronteira com o Iêmen, voltada para o mar arábico. É a capital da região de Dhofar. Possui cerca de 200 mil habitantes e é a segunda maior cidade do país, atrás somente da capital Muscat. A importância histórica da cidade remonta ao século 13, fazendo parte da rota comercial de incenso. Além disso, a cidade tornou-se importante porto ligando o extremo oriente, oriente e ocidente.

Lindo pôr do sol na praia de Salalah. Foto: Thiago Almeida

Atualmente, a cidade possui forte atividade de turismo, devido a importante sítios arqueológicos e históricos, além de um fenômeno pouco comum nessa região do globo: rios, cachoeiras e muito verde, são as monções do Oriente Médio! Infelizmente, durante o período da nossa viagem (maio deste ano), não havia nada “verde ou molhado” ainda. O período mágico acontece de junho a setembro (mas tudo bem, já fica o motivo para voltar!). Durante a nossa visita estava quente e úmido, assim como Abu Dhabi.

Como chegar a Salalah

É possível chegar a Salalah de carro, saindo de qualquer cidade dos Emirados Árabes. Porém, a não ser que você goste muito de dirigir e tenha espírito de aventura, não é recomendado. A viagem dura entre 11 e 12 horas e o caminho não será dos mais interessantes (ouvi de alguém que fez essa viagem). Nós fomos de avião, em um voo de menos de 2h que liga Abu Dhabi a Salalah, sem escalas, operado pela Rotana Jet.

No pequeno avião (feito pela Embraer!) rumo à Salalah. Foto: arquivo pessoal

Brasileiros podem pegar o visto para a entrada no país na chegada ao Aeroporto, mediante pagamento de uma taxa.

Hospedagem em Salalah

Fomos o marido e eu e outro casal de amigos. Escolhemos o hotel Crowne Plaza Resort Salalah (conseguimos uma promoção no Booking.com e valeu super a pena). O hotel é bonito, tem uma recepção bacana, dois restaurantes, várias piscinas e uma praia LINDA – motivo principal da nossa escolha. O quarto era OK, meio velho, mas nada que fizesse a nossa estada menos agradável. As piscinas eram muito cheias, especialmente de crianças e nem chegamos a entrar. Já a praia era ótima, limpíssima e o hotel disponibiliza cadeiras de sol e barraquinhas. Às famílias com crianças, cuidado, as ondas são fortes! Há salva-vidas no local, porém.

Ficamos hospedados por 3 diárias. Pegamos o café da manhã e estava muito bom, bem variado. Durante as 3 noites também jantamos no hotel e recomendamos. Um dos restaurantes serve buffet temático (fomos no dia de comida libanesa) e o outro serve à la carte. Há bebidas alcoólicas à venda no hotel – porém, no dia 5 de maio, feriado islâmico, Dia da Ascensão, a venda de álcool estava proibida, assim nos informou o hotel previamente.

parque aquático infantil hotel salalah

Quem precisa de chuveiro na praia quando se tem o parque aquático infantil? Foto: arquivo pessoal

O hotel disponibiliza translado de/para o Aeroporto – e recomendo fortemente a utilização desse serviço, pois os preços dos táxis são na base da negociação, nem sempre muito agradável de ser feita.

Você também está procurando um hotel em Salalah? Que tal utilizar a caixa de buscas do Booking.com abaixo? Caso você faça a reserva por esse link, estará contribuindo com uma pequena comissão ao blog, sem aumentar em nada o preço final para você! É um jeito de contribuir com o blog 🙂 Obrigada!

Booking.com

Passeando pela região de Salalah

Durante 1 dia inteiro da nossa viagem, fizemos um tour pela região que contratamos antecipadamente pela internet. Valeu SUPER a pena e há tanta coisa a contar sobre esse dia que será necessário fazer outro post só para falar dele. Já adianto: teve montanha, mar, vilarejo, ruínas, tumbas, incenso… Foi maravilhoso! (Confira: Parte I e Parte II)

passeio salalah omã

Spoiler do dia do passeio. Foto: arquivo pessoal

Além desse tour, visitamos dois pontos importantes de Salalah: o Museum of the Frankincense Land (museu da terra do incenso) e o mercado local, que no mundo árabe chamamos de “souk” – o de lá se chama Al-Husn Souq.

O museu e o incenso

O museu é interessante, possui uma arquitetura típica da região e um exemplar da árvore que produz o famoso incenso. Não é possível fotografar dentro das salas de exposição, mas posso dizer que, uma vez que esteja na região, vale a pena dar um pulinho lá e aprender um pouco mais sobre a história da cidade e desse tesouro natural.

Árvore de frankincense do museu. Foto: arquivo pessoal

O frankincense, também chamado de olíbano em Língua Portuguesa, é uma resina aromática extraída das árvores do gênero Boswellia, da família Burseraceae. Há 4 espécies desse gênero que produzem a famosa resina – e cada espécie produz resinas de 4 tipos, a depender da época da colheita (feita manualmente). O incenso é famoso há vários séculos e citado em escrituras sagradas de diferentes religiões. Para se ter uma ideia de sua importância, basta saber que foi um dos 3 presentes oferecidos ao menino Jesus pelos Reis Magos do Oriente.

olibanum_resin

Frankincense. Foto: CC

Em Salalah, encontramos os 4 tipos da resina e os preços por elas são igualmente diferentes. Pudemos comprovar isso no passeio pelo souk, onde gastamos omanis (a moeda local), nosso inglês, árabe e muuuita paciência para negociar o preço dos incensos. No fim, acreditamos ter conseguido um bom preço e trouxemos 2 tipos de incenso para casa! Para queimá-lo, basta colocá-lo em uma brasa e esperar que ele derreta e exale um cheiro ótimo, purificador e que lembra as grandes igrejas católicas mundo afora. É muito especial ter em casa um incenso que foi presente a Jesus. 🙂

No souk de Salalah

Para quem já conhece esse tipo de mercado local de outros países árabes, não terá tantas surpresas. Mas para quem nunca visitou, recomendo fortemente que coloque sapatos confortáveis, roupas respeitosas e gaste um bom tempo descobrindo o que esses lugares têm a oferecer. São produtos muito diferentes do que conhecemos no Ocidente e, se sentir vontade e puder, leve para casa alguns desses itens que não são encontrados senão por aqui.

O povo omani é muito agradável, alegre e humilde sendo, certamente, uma das maiores riquezas do lugar. Eles se alegram com a nossa presença no país deles e fazem de tudo para nos agradar. Ao saberem que somos brasileiros, um largo sorriso se abre – é bom saber de territórios onde a nossa reputação não foi manchada. A única recomendação que eu faço é a de que mulheres se vistam de acordo com as recomendações locais: roupas folgadas, cobrindo os ombros e joelhos, sem decotes ou transparências. Os homens de lá parecem muito “curiosos” a respeito dos nossos corpos e costumes. Eles não têm o hábito de assobiar ou falar obscenidades, mas os olhares são, por muitas vezes, constrangedores.

No souk, todos os preços serão negociados. Dizem que o ideal é levar o produto quando ele chegar a 30% do primeiro valor – eu, pessoalmente, nunca consegui tal proeza, mas tenho tentado! Negociação é, por um lado, divertido, mas pode ser exaustivo e se você estiver com pressa, provavelmente vai fazer um mau negócio.

O principal produto de lá, sem dúvida, é o frankincense. Há de todos os tipos e a venda é por quilo. Também vimos muitas pashminas (lenços), suportes para queimas de incenso, artesanato com osso de camelo, lojas de vestimentas típicas, perfumes e óleos naturais.

E essa foi a primeira parte do nosso passeio por Salalah. Adoramos conhecer a cidade e digo que é imperdível para quem já mora no Oriente Médio. Aos que desejarem conhecer a região, vale a pena colocar no roteiro com os demais países da Península Arábica. Qualquer dúvida, é só deixar nos comentários! Beijo grande e aguardem o próximo post 😉

Outros posts sobre Omã aqui.

confira os posts relacionados

Comente via Facebook

Comente com o WordPress

  • […] em Omã. Essa é a única viagem que já finalizei os posts aqui no blog, que vocês podem conferir aqui, aqui e aqui. Para quem mora na região, é um lugar imperdível, e para quem está a passeio e com […]

  • […] uma taxa de AED 32,13 por pessoa. Ao entrarmos em Omã, a taxa do visto é de OM 5. Como já falei no post de Salalah, brasileiros não precisam tirar o visto antecipadamente para entrar em Omã. Eles concederão o […]

  • […] nosso primeiro artigo sobre Salalah, comentei que fizemos um passeio pela região e que tinha valido muito a pena. Hoje, […]

  • […] uma taxa de AED 32,13 por pessoa. Ao entrarmos em Omã, a taxa do visto é de OM 5. Como já falei no post de Salalah, brasileiros não precisam tirar o visto antecipadamente para entrar em Omã. Eles concederão o […]

  • […] nosso primeiro artigo sobre Salalah, comentei que fizemos um passeio pela região e que tinha valido muito a pena. Hoje, […]