Quando me perguntam quais países já conheço, vou dizendo os nomes, mas sempre acontece um bloqueio na hora de dizer um deles: “ah, tem a China, que conta, mas não conta”. A verdade é que: já passei uma curta temporada em alguns lugares (coisa de horas), mas com alguns eu sinto que deu para aproveitar bem, com outros, e aqui incluo a China, sinto que preciso voltar lá e “consertar” a impressão que tive do país.

É uma pena que um país tão grande, diverso, intrigante e belo como a China tenha entrado em minha vida de uma maneira tão torta. O “primeiro contato” foi em Kunming, aeroporto onde fizemos conexão para Xangai, também na China. Passamos um dia inteiro entre os dois aeroportos antes de chegar em Tóquio, nosso destino final (falei sobre essa saga aqui nesse post).

Nos aeroportos, a impressão não tinha como ser boa: pessoas jogando lixo no chão, atrasos em todos os voos (a companhia aérea era chinesa; logo, vou culpá-los por isso). Comida ruim. Banheiros estranhos. Pessoas grossas. Estávamos desesperados para pegar logo o voo para o Japão e deixar aquela China para trás. Porém, não tínhamos como evitar a volta: teríamos que dormir 1 noite em Xangai e, pensando nisso, previamente reservamos um hotel que não ficasse tão longe do aeroporto (uns 20 minutos de carro). Nada luxuoso, mas também com um mínimo de dignidade que o Booking nos indicava.

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O hotel que reservamos pelo Booking foi o Chang Chun Yuan Business Hotel que, dentre as opções mais próximas ao aeroporto, era a mais decente. Eles oferecem um serviço de translado de/para o aeroporto, mas só utilizamos o serviço para o aeroporto, pois não tínhamos certeza da hora que o nosso voo chegaria a Xangai, afinal, com tantos atrasos na ida, quem poderia garantir a volta?

Na saída do aeroporto de Xangai, uma fila gigantesca para pegar o táxi. Bom, pelo menos pra gente era fila, mas para um monte de espertinhos que a furavam, aquilo deveria ser somente uma aglomeração humana. Chineses não respeitam fila. O que dizer?

Quando, finalmente, depois de 1h, conseguimos pegar um táxi, qual o nosso desespero que o motorista não sabia inglês; além disso, o carro estava em péssimas condições e ele fumava dentro dele. Que ó-te-mo. A sorte é que eu já tinha ido prevenida e levei o nome e o endereço do hotel em chinês (faça o mesmo, por favor). Durante os 20 minutos de corrida ficamos apreensivos se ele nos levaria ao lugar certo, mas sim, deu tudo certo. Ah, eu contei que isso era à noite? Pois é.

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De dentro da van, antes de ir para o aeroporto, uma foto da fachada do hotel para guardar de lembrança. Foto: arquivo pessoal

O hotel é digno. Apenas isso. Os funcionários foram atenciosos conosco. O cheiro de cigarro, poluição e o lixo em toda a parte nos incomodaram muito, porém. Teríamos que sair para jantar ainda naquela noite – e estávamos no subúrbio de Xangai. Bateu um leve desespero. E não era pra menos: quando saímos do hotel para procurar um restaurante (nós dois somos apaixonados pela cozinha chinesa – a que se vende fora da China, pelo menos), ficamos em choque com o que vimos nas ruas: era lixo, eram pessoas comendo e jogando o lixo no chão, eram gatos revirando os lixos no meio do restaurante, eram “churrasquinhos” malcheirosos nas ruas. Se selecionássemos bem os ângulos, daria um bom filme de terror.

A fome apertava, mas a coraSeguro viagem asia 250x250gem não era suficientemente grande para encarar um daqueles restaurantes e arriscar ter dor de barriga justo no dia de pegar outros 2 voos. Não quisemos ousar. Por sorte, encontramos uma mercearia, que possuía infinitos “miojos” e compramos 2 para jantar no quarto do hotel. Como não tínhamos panela, mas tínhamos uma chaleira, pegamos o miojo do tipo “cup noodles”, que era só jogar a água fervente nele e pronto. Compramos também água mineral (para fazer o macarrão), amendoim e goji berry (achei bem barato por lá). O sonho de comer comida chinesa na China estava longe de se tornar realidade. A ideia do cup noodles e do amendoim em situações de emergência, porém, foi ouro! Ah, tenha dinheiro (o deles) com você também! Eles não aceitavam cartão e ninguém na mercearia falava inglês, foi tudo na base da mímica mesmo.

Voltamos para o hotel, tivemos um delicioso e seguro (mais seguro que delicioso) jantar chinês. Tomamos banho e dormimos. No outro dia, ao acordar e olhar pela janela, levei um baita susto e fiquei estatelada: o nosso quarto dava para os fundos do hotel, em uma área residencial, além das casas, havia um córrego que corria separando o quintal do terreno do hotel (uma horta). A água desse córrego era de um verde quase fluorescente e opaco – não era beleza, era poluição mesmo. Ao longo desse córrego, plantações. Havia também muitos patos. E lixo e sujeira por todo lado. Terrível. Nesse momento, agradeci a mim mesma a prudência da noite anterior de ter comido o cup noodles, além da água mineral.

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A vista da nossa janela do hotel. Foto: arquivo pessoal

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A vista da nossa janela do hotel. Foto: arquivo pessoal

Acabamos não tomando o café da manhã do hotel. Enquanto aguardávamos a van que nos levaria para o aeroporto, tentei sem sucesso entrar no Facebook, por exemplo. Eu havia me esquecido: na China, há forte censura nos meios de comunicação e o tio Zuckerberg, apesar dos seus inúmeros esforços, não é aceito por lá. Por fim, a van chegou e fomos embora.

***

Esse foi o relato de nossa curta e desastrosa experiência na China. Sei que para alguns pode soar exagerado, pois nada deu “errado”, mas não é a ideia de que “deu tudo errado” que queria passar mesmo. A China nos deixou uma impressão muito ruim e sabemos que não podemos julgar um país tão grande por uma experiência tão inexpressiva. Eu queria poder dizer que aquelas horas me deixaram com vontade de voltar e conhecer mais, mas a verdade é que foi o oposto! Agora, não fazemos ideia de como seria turistar pela China, conhecer as grandes cidades, os monumentos e as belezas naturais. Racionalmente, sabemos que isso tudo existe por lá, mas na prática… Cadê a coragem? China, preciso muito te conhecer melhor, preciso melhorar a impressão que tenho de você. Como podemos trabalhar isso? Me ajuda, vai? 😉

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  • Oscar | www.viajoteca.com fevereiro 9, 2017

    A China realmente não é fácil…. Tem que ter muita paciência e olhar as coisas sob uma outra perspectiva.. A China é um país com coisas e lugares incríveis. Morando agora em Hong Kong estou começando a apreciar melhor esse país.. Estou até aprendendo Mandarin para facilitar um pouco a vida nas próximas andanças pelo “mainland”. Minha sugestão se vicie quer desfazer essa primeira impressão da China é numa próxima oportunidade começar por Hong Kong e Macau que são na minha opinião a China para iniciantes.
    Abs

    • Pollyane
      Pollyane fevereiro 9, 2017

      Oi Oscar! Muito obrigada pela visita e pelo comentário. Sou sua seguidora há tempos!
      Sabe que todos têm me dito isso sobre começar por Hong Kong? Com tantas recomendações, inclusive a sua, de morador, acho que vale a pena tentar! É muito triste ficar com uma impressão ruim de um lugar sabendo que ela não representa bem a verdade…
      Obrigada pelas dicas 😉
      Beijo grande.