Depois das nossas andanças por Tóquio (que vocês podem conferir aqui) fomos para Hakone, uma cidadezinha que fica a menos de 100 km da capital japonesa, pertinho do Monte Fuji.

Para chegar lá, pegamos o tal trem-bala, depois outro trem local, depois um ônibus para o hotel. Mas devido ao cansaço da viagem, nós acabamos dormindo no ônibus, perdemos a nossa parada e fomos parar no ponto final! Meio constrangidos, tentamos conversar com o motorista, que não entendia nada em inglês, somente o nome do nosso hotel e, graças à cordialidade dos japoneses, arrumou outro ônibus para nos deixar lá na porta. Começamos bem! Hehe.

O restante da nosso tempo em Hakone foi tranquilo, sem grandes aventuras – justamente a nossa ideia inicial! Olhem só o clima nublado e chuvoso que fazia quando chegamos na cidade:

Em Hakone, Japão.

Em Hakone, Japão. Foto: arquivo pessoal

Em Hakone, Japão.

Em Hakone, Japão. Foto: arquivo pessoal

Hospedando em um ryokan com onsen

Quando estávamos programando a viagem ao Japão, vimos vários relatos de pessoas que tinham se hospedado em ryokans e da importância de se conhecer um onsen.

O onsen a gente já fazia ideia do que era, graças ao filme “A viagem de Chiriro” (Studio Ghibli, 2001), que são as casas de banhos típicas japonesas. Os banhos são de águas termais, muitas vezes de origem vulcânica e, no formato tradicional, as pessoas tomam banho nuas, em público, depois de uma rigorosa lavagem pré-banho.

ryokan é tipo uma estalagem japonesa, também típica, onde é possível experimentar a verdadeira hospedagem japonesa, o modo como eles dormem e comem. Em resumo, são experiências únicas que só se pode ter no Japão. Custa caro? Sim, se comparado aos preços dos hotéis regulares, mas vale a pena economizar em outros pontos da viagem e se jogar nessa aventura.

ryokan hakone onsen

Depois do jantar no Ryokan (com muito saquê, claro), até resolvemos cantar no Karaokê. A música escolhida foi uma do Zezé di Camargo e Luciano!!! (!!!) Não me perguntem o que ela estava fazendo na playlist deles… Foto: arquivo pessoal

Há inúmeras opções de ryokans que também são onsens e o nosso foco foi procurar algo assim, meio 2 em 1, para aproveitar ao máximo nosso tempo no Japão. Depois de muitas pesquisas, focamos na região de Hakone por ter diversas opções como queríamos e por ser perto do Monte Fuji, que pretendíamos avistar também!

Horas e horas debruçados em blogs e sites de hotéis, decidimos pelo Senkyoro Ryokan. Escolha muitíssimo acertada e que super recomendo! Os funcionários eram super solícitos, fofos e educados (japoneses, né?); as instalações do hotel são maravilhosas, desde as áreas externas, até as internas; o quarto era fantástico em todos os aspectos e a comida também estava muito boa (veja nossa experiência gastronômica no ryokan aqui).

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Algumas fotos da área externa do hotel (lembrando que era outono, fazia friozinho e nesse dia o tempo estava nublado):

No ryokan em Hakone.

No ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

No ryokan em Hakone.

No ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

No ryokan em Hakone.

No ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

No ryokan em Hakone.

No ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

No ryokan em Hakone.

No ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

No ryokan em Hakone.

No ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

No ryokan em Hakone.

No ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

Nas áreas comuns do hotel, lareira:

ryokan

Lareira do ryokan. Foto: arquivo pessoal

ryokan

Lareira do ryokan. Foto: arquivo pessoal

Os corredores dos quartos e das salas de banho:

ryokan japão

Corredor do Senkyoro. Foto: arquivo pessoal

onde ficar japão hakone

Corredor do Senkyoro. Foto: arquivo pessoal

O nosso quarto:

Ryokan em Hakone.

Ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

Ryokan em Hakone.

Ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

onde ficar hakone

Ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

hospedagem japonesa

Ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

onde ficar hakone japão

Ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

ryokan onsen hakone monte fuji

Ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

ryokan onsen hakone

Ryokan em Hakone. Foto: arquivo pessoal

Ao chegarmos, fomos instruídos a utilizar o kimono, que eles chamam de yukata, nas dependências do hotel, incluindo as salas de banho e o restaurante. Sim, todo mundo andava com essas roupas por lá, sem qualquer constrangimento.

Havia, já no quarto, um yukata masculino azul e um feminino vermelho. Cada um era composto de 4 peças: o kimono em si, a faixa da cintura, a capa de frio e a meia. É claro que cada peça tem um nome específico e um significado, mas eu não me recordo, infelizmente. De qualquer jeito, havia um manual de instruções no quarto para que soubéssemos como colocá-lo corretamente. É muito importante não colocar o lado direito sobre o esquerdo, pois é assim que eles vestem os cadáveres. Japoneses são extremamente supersticiosos, fica até difícil acompanhar, às vezes.

yukata kimono

Manual de instruções para colocar a yukata. Foto: arquivo pessoal

yukatas ryokan

Yukatas perfeitamente dobradas dentro do guarda-roupas. Foto: arquivo pessoal

Para quem quer saber, sim, nós usávamos roupas íntimas por baixo da yukata. Achei bastante confortável e quentinho (na foto, marido estava usando a capa de frio do dele). Ficamos hospedados por 2 noites e eles nos deram um conjunto limpo por dia. Ah, para dormir havia um especial, tipo “pijaminha”:

Enquanto estávamos no restaurante jantando, eles preparavam o nosso quarto para dormir: tiravam a mesa e as cadeiras e colocavam os futons. Também apagavam as luzes, deixando somente umas lanternas. Tudo muito confortável e convidativo para uma deliciosa noite de sono, sem qualquer tipo de barulho ou incômodo. Adoramos a experiência de dormir nos futons. Era quentinho e macio, nem parecia que estávamos dormindo “no chão”.

futon japonês

Nossos futons no chão – interessante como eles usam capas no edredons que deixam uma parte descoberta. Foto: arquivo pessoal

Sair da cama de manhã era difícil:

dormir em futon

Há um ser humano cheio de preguiça embaixo desse edredom. Foto: arquivo pessoal

Sobre as salas de banho, havia duas opções: públicas ou privadas. As públicas eram separadas em masculina e feminina e todos os hóspedes podiam utilizar a qualquer momento. As privadas tínhamos que pagar à parte, por hora, mas aí seria só a gente. Experimentamos ambas.

Há todo um ritual para utilizar os banhos. Primeiro, há uma sala onde tiramos TODA a roupa (tudo, gente, tudo) e colocamos numa cestinha. Depois, entramos para o lugar do banho e nos lavamos BEM. Há várias instruções espalhadas pelo local de como devemos nos limpar. Eles disponibilizam xampus e sabonetes (adorei a qualidade, vale observar). E aí, então, já nus, sentamos em um banquinho, abrimos a torneira, enchemos um baldinho e tomamos um belo banho. Depois disso, podemos entrar nas piscinas.

banho antes de onsen

Área de limpeza antes de entrarmos para o banho: os banquinhos com os baldinhos, a torneira e os produtos para pele e cabelo (esse é o do banho privado). Foto: arquivo pessoal

Quando fui ao banho público, havia mais uma mulher lá. Ela nem deu bola para mim (era japonesa, já estava acostumada), mas eu fiquei constrangida sim pela nudez, mas PRINCIPALMENTE pelas minhas tatuagens. Sim, galera, há um porém aqui que eu preciso comentar.

Um dos motivos de termos escolhido nos hospedar em um ryokan com onsen, é que havia uma chance alta de eu ser barrada em um onsen comum, dos vários que existem por Tóquio, por exemplo. Para os japoneses, tatuagens estão relacionadas à criminalidade. Os membros da Yakusa, a grande máfia japonesa, se tatuam em sinal de lealdade e resistência à dor; e as casas de banho têm o costume de proibir pessoas tatuadas, pois assim impedem também os membros da máfia de frequentarem seus estabelecimentos. Entendem?

E sim, é comum que eles impeçam as pessoas tatuadas de permanecerem em banhos públicos, mesmo que visivelmente não sejam japoneses. Há vários relatos pela internet de pessoas que foram convidadas a se retirar e de outras que não tiveram problema algum. Eu não quis arriscar um constrangimento, por isso nem fui. Melhor assim.

onsen japão

Banho público masculino no Senkyoro. Foto: arquivo pessoal

Bom, não tive esse azar e a moça, como falei, mal olhou para mim. O que poderia ter acontecido é que ela pedisse que eu me retirasse do banho, ou comunicasse à recepção das minhas “inconveniências”.

Finalmente, depois que saímos da piscina, tomamos novamente o belo banho no banquinho e voltamos à sala das roupas, onde nos vestimos, usamos os produtos para cabelo, pele e cosméticos que ficam disponíveis.

experiência onsen japão

Depois do banho, nos vestimos e podemos utilizar os cosméticos que ficam disponíveis (esse é o do banho público). Foto: arquivo pessoal

Já o marido não possui tatuagens e foi “tranquilamente” ao banho público masculino. Ele não quis contar muito a respeito, apesar da minha insistência, então eu imagino que deveria ter outros caras lá! Hahaha. Sem dúvida, essa experiência é muito diferente!

O banho em si é agradável e relaxante. A água é beeeem quente, do tipo que a gente ensaia para entrar e depois fica todo vermelho. Eu não conseguia ficar mais que 15 minutos seguidos dentro dela e precisava intercalar com o banho de baldinho. As águas do Senkyoro são de origem vulcânica (nota-se a cor esbranquiçada).

Acabamos indo somente essa vez ao banho público e depois reservamos o particular. Somos casados e, enfim, não há constrangimentos, né? Tiramos até umas fotos para lembrar dessa experiência! Mas é claro que não vou publicar todas… hehe.

Ufa! Foram tantas coisas legais em Hakone que nem coube em um post só. Vai ter parte II de Hakone também! Vocês também podem conferir a *sem palavras* experiência gastronômica que tivemos no ryokan e também dos passeios que fizemos por lá. Afinal, conseguimos ver ou não o Monte Fuji? Cenas dos próximos capítulos… Não percam!

Outros posts do Japão aqui.

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  • […] nossa experiência em um Ryokan no Japão também já está aqui no blog, vocês podem conferir aqui e aqui. O Senkyoro é incrível e atendeu e superou todas as nossas expectativas. O preço não é […]

  • […] que o primeiro post sobre Hakone fez tanto sucesso, que resolvi acelerar a publicação da segunda parte da nossa experiência no […]

  • […] nos acompanhou nos nossos últimos posts (aqui e aqui) sobre o Japão, viu que tivemos aventura o suficiente no ryokan: foi karaokê, banhos […]

  • […] nos acompanhou nos nossos últimos posts (aqui e aqui) sobre o Japão, viu que tivemos aventura o suficente no ryokan: foi karaokê, banhos […]

  • […] que o primeiro post sobre Hakone fez tanto sucesso, que resolvi acelerar a publicação da segunda parte da nossa experiência no […]

  • Marly julho 19, 2016

    Corrigindo “postagem”

  • Marly julho 19, 2016

    Sempre muito interessante! Parabéns pela pastagem!

  • Natácia julho 19, 2016

    Morri de rir lendo esse post. Imaginei você contando, e já sei a primeira pergunta que farei ao Hugo haha