Com certeza, de todos os posts da viagem que fizemos à Jordânia e ao Egito, este sobre o Mar Morto será o menor e menos expressivo deles. Não porque só ficamos 1 noite por lá, mas porque realmente não há muito o que dizer (o que poderia facilmente culminar em uma piada infame sobre o nome do mar e as minhas experiências; mas não, vou me controlar).

Mar Morto na Jordânia.

Mar Morto na Jordânia. Foto: arquivo pessoal

Um pouco sobre o Mar Morto

Boa parte das pessoas já ouviu falar do Mar Morto, seja por algum documentário na TV, ou livros religiosos, por onde também é conhecido por outros nomes (mar de sal, mar da morte, mar de Ló, mar de Arabá, mar Oriental, mar de Arava etc.). Quem ainda não conheceu pessoalmente, tem vontade, ou pelo menos curiosidade em saber como é entrar em um mar tão salgado, sem vida e onde não se pode afundar.

O Mar Morto na verdade é um lago endorreico (sem saída para o oceano), localizado no Vale do Rio Jordão. Segundo o Wikipedia: “… ele foi criado pela fricção de duas placas tectônicas que formam a chamada fenda Sírio-Africana, uma espécie de rachadura enorme responsável, também, por terremotos na região. Quando a fenda foi criada, água salgada entrou pela fissura. Há cerca de 18 mil anos, a ligação com o mar Mediterrâneo secou e a água salgada, sem ter para onde escoar, ficou depositada numa enorme bacia. Com o tempo, o lago diminuiu com a evaporação da água e se transformou no mar Morto.”.

margem mar morto

Margem do lago Mar Morto no hotel. Foto: arquivo pessoal

Chegando ao Mar Morto

Além de suas peculiaridades geográficas, importância histórica e turística, o Mar Morto também é uma fronteira natural entre dois países: Israel e Jordânia. Há quem o acesse pelo lado israelita, mas nós ficamos somente do lado jordaniano. Como puderam ver no artigo sobre Madaba, estávamos nessa cidade antes de chegarmos ao Mar Morto. Depois de visitar o Monte Nebo e já conseguir avistá-lo, nosso motorista nos conduziu por uma estrada estreita e bem movimentada, descendo até chegar ao resort.

O Mar Morto é o ponto mais baixo da Terra, a 400 m abaixo do nível do mar. É natural se sentir um pouco estranho ao chegar lá (eu senti uma ligeira tontura) e foi muito interessante ver as garrafas pet dentro do carro encolherem enquanto descíamos. Geralmente, turistas conhecem o Mar Morto a partir de resorts, pois a margem desse mar, que na verdade é lago, não é muito fácil de ser acessada por alguém que não conheça a região. Da praia do nosso hotel conseguíamos ver algumas pessoas em uma área que não era de nenhum hotel, mas certamente eles chegaram lá com a ajuda de alguém que já conhecia. Bom, nós não tínhamos tempo para desbravamentos… Era mais garantido ir para um resort mesmo.

Praia do Mar Morto no Holiday Inn dead sea

“Praia” do Mar Morto no Holiday Inn. Foto: arquivo pessoal

Mar Morto no Holiday Inn Dead Sea.

Mar Morto no Holiday Inn Dead Sea. Foto: arquivo pessoal

Hospedagem no Mar Morto

Nós nos hospedamos no Holiday Inn Resort Dead Sea, sugestão da empresa de turismo que contratamos na Jordânia e que super aprovamos. Para quem desce a estradinha do Monte Nebo ao Mar Morto, é praticamente o primeiro hotel da margem. Grande, confortável e com tudo que precisávamos para viver essa experiência. O hotel também possui muitos restaurantes, o que fui muito cômodo para a nossa curta hospedagem, já que não precisamos deixar o hotel.

pôr do sol mar morto

Belo pôr do sol no Holiday Inn Dead Sea. Foto: arquivo pessoal

Penso que ficar lá durante os meses mais quentes (lembrando que fomos em dezembro, inverno) deve ser mais gostoso. O hotel oferece muita estrutura de piscinas e “praia”, mas não conseguimos curtir nada, tanto pelo pouco tempo que passamos lá como pelo clima frio. Eu diria que, se você puder escolher, deixe para visitar a região fora da estação mais fria.

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Conhecendo, enfim, o Mar Morto

Marido já conhecia o Mar Morto, então para ele não era novidade. Para mim, no entanto, era surpresa total. Logo que chegamos ao hotel, depois do check-in, já quis correr para a “praia”. Fazia um friozinho nada convidativo a ficar de biquíni, mas eu só teria aquele fim de tarde e o começo da manhã do dia seguinte para aproveitar; logo, não tinha tempo a perder. Como estava sozinha (marido ainda estava no quarto – falei que para ele a empolgação era zero), pedi aos salva-vidas para tirarem foto de mim enquanto boiava. Eles se prontificaram na mesma hora e até me ofereceram um cardápio para fazer a típica pose “turista fingindo que está lendo enquanto boia”, mas eu deixei pra lá.

boiando no mar morto

Boiando no Mar Morto. Foto: arquivo pessoal

Fui entrando devagar, naquele terreno cheio de pedras, a água não estava tão gelada quanto eu imaginava. Eu estava nervosa. Marido foi o caminho inteiro me contando dados do Mar Morto, como “você sabia que as pessoas morrem, sim, afogadas lá?”, “você sabia que se a água espirrar no seu olho ou na sua boca você vai gritar muito de dor?” e por aí vai… É, nada como um belo incentivo para o passeio, né?  Mentira.

Por causa desse terrorismo todo e da dor quando pisava nas pedras, aliado ao medo de desequilibrar e cair de cara na água, demorei um tempão para entrar e conseguir boiar. Foram os salva-vidas que me disseram para relaxar e me soltar na água para conseguir boiar. E foi! Consegui! Finalmente, soltei meu corpo e boiei. Tentei manter o pescoço bem para fora para não molhar o rosto e fui cuidadosa com as mãos para evitar os respingos d’água. Deu certo.

Deu tão certo que comecei a boiar e me afastar da margem. Tentei descer as pernas para alcançar o fundo e voltar caminhando. Burra! Claro que não dava… As pernas não desciam e tive que usar os braços para “remar” de volta à margem, lembrando de cuidar para não respingar. Consegui! Assim que voltei à margem, saí da água – e nunca mais entrei.

Foi legal? Foi. Mas foi muito tenso também… Achei válido saber como é a experiência, mas não é como um mar de verdade que você se diverte com as ondas e mergulha alegremente, ou seja, uma vez que você já sabe como é, não precisa entrar de novo. Assim eu achei.

mar morto na jordânia

Mar Morto, Jordânia. Foto: arquivo pessoal

O spa Mar Morto

Depois de “nadar” – nem dá para chamar assim – no Mar Morto, saí da água e fui experimentar a lama dele – no corpo, claro. O hotel disponibiliza um pote gigante cheio de lama e é só passar no corpo, esperar secar e depois usar o chuveiro para tirar. Eu passei, achei fedorento e frio e enxaguei logo. Além disso, como já era quase pôr do sol (eles fecham a praia depois disso) e estava friozinho, não fiquei muito confortável toda melada de lama e de biquíni. Alguns chamarão de frescurite, eu chamo de “ausência de conforto climático” 😉

Para quem está perdido no assunto, a lama do Mar Morto tem propriedades medicinais e é muito utilizada também na estética. Isso porque no Mar Morto estão presentes 21 minerais, o que faz com que suas águas sejam consideradas terapêuticas, pois são ricas em sódio, iodo, potássio, magnésio, bromo, cálcio e enxofre. Pessoas do mundo inteiro vão para lá com a finalidade de terem uma pele mais jovem e bonita e se tratarem de doenças, como psoríase, por exemplo.

Nós não fizemos nenhum tratamento no spa do nosso hotel (caaarooo), mas enchemos algumas garrafinhas com a lama e a água do Mar Morto e trouxemos para casa. Além disso, no free shop do aeroporto compramos outros produtos com a bendita lama. Dias atrás, fui passar a lama no rosto e minha pele não reagiu muito bem. Talvez precise aprender como usar direitinho. Alguém com uma boa dica?

lama negra do mar morto

A lama negra do Mar Morto. Foto: arquivo pessoal

lama mar morto

Marido feliz pegando lama do pote. Foto: arquivo pessoal

***

Como adiantei a vocês no começo do artigo, esse foi um relato simples, objetivo e pessoal da nossa experiência no Mar Morto. Foi interessante conhecer, mas da próxima vez vou anotar para ir durante o clima mais quente e fazer o marido se calar durante a ida. Sem terrorismo e sem frio = passeio melhor aproveitado.

Outros posts da Jordânia aqui.

por do sol mar morto jordania israel

Pôr do sol no Mar Morto. Do outro lado, Israel. Foto: arquivo pessoal

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  • Chris agosto 29, 2018

    Ri demais contigo hahaha vou Israel e Jordânia no final do ano, aproveitarem suas dicas e quem sabe me encorajo em conhecer o Egito rs vou sozinha e já me alertaram o risco de ser trocada por camelos por la rs

    • Pollyane agosto 31, 2018

      Se tiver tempo, vale a pena sim, Chris! Eu só aconselho a contratar uma agência, pois o Egito não é um país mto simples de se desbravar sozinha… Espero que faça uma excelente viagem!

    • Carla fevereiro 5, 2019

      Ola Polly, Chris e pessoal! Estou indo pra Petra só com uma amiga e estou procurando dica de transfer de Israel (Eilat) pra lá, vocês teriam? Ou da agência? Muito obrigada!!

      • Pollyane março 26, 2019

        Só sei a agência que contratei, mas não tenho certeza se eles fazem Israel também. É a Jordan Select Tours.

  • Lívia Soares julho 6, 2018

    Oi Poliana! Que linda foi sua viagem, to aqui babando em cada foto e me arrepiando a cada palavra lida. Quero tanto conhecer também tudo isso. Então, parece que meu dia está chegando e vou em outubro com o marido, mas ainda estamos um pouco perdidos , sabemos que queremos fazer as principais cidades Do Egito e se possível ir até a Jordânia como vc fez . Queria saber se os dois países estavam inclusos no pacote que vc fechou na empresa no Egito, ou se vc fez a Jordânia por conta e lá fechou os passeio?
    Outra coisa 15 dias é o suficiente para ver tudo com calma? Outra coisa, não gosto muito de fazer passeios fechados sabe com horários marcados e tal, mas se for primordial enfim não terei escolha , mas na sua opinião dá para fazer alguns passeios por conta? E quais?
    Desde já muito obrigada

    • Pollyane julho 7, 2018

      Olá, Lívia, obrigada pela visita e pelo comentário. Bom, nós fizemos a viagem Egito e Jordânia em 15 noites e foi suficiente. Claro que não tivemos tempo para “relaxar” e o ritmo foi intenso, então você precisa avaliar se quer fazer assim também. Mas sim, é possível. Não encontrei nenhuma agência que pudesse fazer os dois países juntos (uma delas me falou que é proibido, na verdade), então contratamos uma agência no Egito e outra na Jordânia. As passagens reservamos por conta própria. Sobre fazer passeios fechados, essa viagem eu realmente não vejo muito como fazer por conta própria, aliás, no Egito eu não recomendo de jeito nenhum. Espero que faça uma boa viagem!

  • […] Mar Morto, a temperatura é um pouco mais alta. Deu para entrar no mar de biquíni, sim, mas logo depois já […]

  • Natácia março 31, 2017

    Como eu me divirto lendo! Leio com sua voz na minha mente. Ri demais.

    • Pollyane outubro 1, 2017

      Fico muito feliz! Assim você pode ir comigo a qualquer lugar 🙂

  • Gabi março 14, 2017

    Polly, adorei esse post. Eu morro de vontade de conhecer… alias, tenho muita vontade de ir a Israel e a Jordania, então quando acontecer quero encaixar uma visita ao Mar Morto. Agora, engraçado que eu nunca parei pra pensar na dor infernal que deve ser essa água respingando no olho ahahaha.. marido fez bem de te avisar! Beijos

    • Pollyane março 15, 2017

      Oi Gabi! Obrigada pela visita e pelo comentário. Pois é, agora fiquei com vontade de voltar e conhecer Israel também, mas no meu caso acho que não preciso ir de novo no Mar Morto porque é a mesma coisa! haha. Espero que consiga visitar em breve! Beijo grande!