Petra é considerada um Patrimônio da Humanidade pela Unesco e uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo. A Cidade Rosa, como é também chamada, foi fundada no século VI a.C pelos árabes nabateus, tribo de nômades que se fixaram na zona e construíram um império comercial que ia até a Síria. Entre anos de dominação romana e ocupação pelas Cruzadas, Petra só foi redescoberta em 1812, por um explorador suíço chamado Johann Ludwig Burckhardt.

Neste artigo, relatarei a nossa experiência ao visitar Petra e, por isso, não vou me alongar a contar detalhes sobre a história desse lugar tão fascinante. Quem quiser saber mais, pode consultar esses links que deixarei aqui e, depois, voltar para ler o meu relato. Caso já esteja com visita marcada a Petra, deixe para aprender sobre a história diretamente com o seu guia, vai ser mais emocionante!

Visit Jordan

Wikipedia

National Geographic 

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Petra, Jordânia. Foto: arquivo pessoal

Como chegar a Petra

Sem dúvida, esse é o lugar mais visitado da Jordânia e o sonho de 10 a cada 10 viajantes pelo mundo. Por sorte, moramos pertinho desse país incrível e pudemos visitar essa e outras maravilhas históricas.

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Saindo de Abu Dhabi, pegamos um voo direto para Amã e de lá um carro até Petra. Para quem mora em outros lugares, também pode procurar um voo para Amã ou para Israel e de lá ir de carro para a Cidade Rosa. Há quem faça a viagem a partir do Egito (Península do Sinai), pegando um barco até Aqaba e de lá um carro até Petra. Seja como for, você terá que acessá-la de carro, pois não há aeroporto na pequena cidade de Wadi Musa, que circunda Petra. Os aeroportos mais próximos a Petra são de Amã ou de Aqaba, sendo que esse último é somente para voos domésticos.

Excursões de 1 dia a Petra são comuns. Para quem está vindo de Israel, terá que atravessar de Éilat para Aqaba e de lá seguir de carro. Para quem estiver na Península do Sinai (Egito), a rota comum é ir de carro até o porto de Nuweibaa, de lá pegar um barco até Aqaba e terminar a viagem de carro. Quem já está na Jordânia, seja Amã ou outra cidade, basta dirigir por algumas horas e já estará na entrada de Petra. Quem estiver vindo de outros países, a recomendação é que contrate uma agência de turismo para que se assegure dos vistos e transportes. Dentro da Jordânia, é um pouco mais fácil ir por conta própria, mas nós não quisemos arriscar.

Chegamos a Petra a partir do Wadi Rum (artigo aqui). Saímos cedo de Amã, fomos para o deserto vermelho e de lá fomos para Wadi Musa. Chegamos ao nosso hotel por volta de 16h (não paramos para almoçar). Apesar de ser muitas horas na estrada, é tranquilo de ser feito no mesmo dia. Nós contratamos um motorista para que fizesse todo esse trajeto conosco. Foi ótimo, pois não tivemos que nos preocupar com horários, mapas, GPS… Para quem deseja fazer essa viagem por conta própria, saiba que essa estrada que liga o Wadi Rum a Petra é muito perigosa. Há vários caminhões e muitas curvas. Cuidado!

Petra, Jordânia.

Petra, Jordânia. Foto: arquivo pessoal

O que fazer e onde comer em Wadi Musa

A pequena cidade de Wadi Musa é a porta de entrada para Petra. Se você vai pernoitar em Petra, é lá que você deve ficar. Nós nos hospedamos no Petra Guest House Hotel, que fica literalmente NA PORTA de entrada para Petra. Melhor localização, nesse caso, não existe. Nós recomendamos o hotel. Mesmo que o seu hotel não seja esse, a cidade é muito pequena e é voltada basicamente para o turismo em Petra, ou seja, não vão faltar opções de hospedagem e restaurantes.

Como chegamos a Wadi Musa 1 dia antes de conhecer Petra de fato, ficamos descansando no hotel (foi uma ótima ideia) e depois saímos para jantar. Era inverno, chovia e até nevava em alguns pontos da cidade! Gente, como fez frio naquela noite!!! Fomos preparados, mas mesmo assim corremos na rua para evitar ficar exposto à temperatura gelada e o vento cortante. Caso você viaje no inverno também, vá preparado!

O restaurante que escolhemos foi o Deretna My Mom Recipe, com cozinha típica (oriente médio/libanesa) a preço justo. Pedi um peixe e marido espetinho de frango. Como entrada, eles serviram pão com azeite e especiarias árabes (foi a primeira vez que comemos nesse formato, onde molhamos o pão no azeite e depois passamos nas especiarias, fica delicioso!). Fomos atendidos por uma garçonete jordaniana, que não falava inglês, mas entendia bem as mímicas. O dono do restaurante, ao final da refeição, veio até a nossa mesa e foi super atencioso, querendo saber se gostamos etc. Super recomendamos o restaurante!

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Foto: arquivo pessoal

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Pão, azeite e especiarias. Foto: arquivo pessoal

Na cidade, não há muito o que fazer além de se preparar para conhecer Petra. Depois do jantar, fomos a um mercadinho comprar lanchinhos para o dia seguinte (aconselho, viu?) e dar uma olhada nas lojinhas de souvenir. O próximo dia prometia, então fomos dormir cedo.

A visita a Petra

Pontualmente às 7:30 o nosso guia nos esperava na recepção do hotel. Também o contratamos previamente, com a mesma agência que contratamos o motorista. Como o nosso hotel já ficava na portaria de Petra, não demoramos 10 segundos para entrar no complexo histórico. Tínhamos a opção de alugar camelos, burrinhos ou carroças para nos levarem até “O Tesouro”, o primeiro grande monumento de Petra, mas recusamos porque eu não ando em animais 😛

Na verdade, embora você não tenha problemas em usar animais como transporte, aconselho a não pegá-los logo na chegada, pois a graça é justamente ir conversando com o guia, enquanto ele explica a história do lugar, e ir descobrindo Petra aos poucos, com a mudança das rochas e o primeiro surgimento das estruturas trabalhadas na pedra. É fantástico!

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Na entrada de Petra, Brasil? Foto: arquivo pessoal

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Siq, Petra. Foto: arquivo pessoal

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Músico beduíno no Siq. Foto: arquivo pessoal

Quando entramos no Siq, que é a formação rochosa que forma um caminho entre dois paredões de pedra, a emoção começa a bater. Ficamos na expectativa de que a cada curva iríamos nos deparar com um monumento colossal e lindo. Fazia muito frio e havia água escorrendo pelo Siq. Conosco, apenas alguns turistas mais empenhados que acordaram tão cedo para ter Petra só para eles também. Dica: faça o mesmo, pois as imensas excursões que chegam depois são de desanimar…

Mesmo no Siq, que à primeira vista só parece um caminho esculpido pela natureza, há muita história das caravanas que ali passaram séculos atrás. O nosso guia ia nos contando tudo – sério, tenha um guia também! Por fim, finalmente, depois de uns 40 minutos de caminhada, chegamos ao “Tesouro” (The Treasury), o ponto mais visitado e mais conhecido de Petra.

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A última curva antes de ver O Tesouro. Foto: arquivo pessoal

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O Tesouro, Petra. Foto: arquivo pessoal

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O Tesouro, Petra. Foto: arquivo pessoal

O lugar é lindo mesmo, pessoas. É de uma magnitude, uma beleza e um mistério que mal consigo descrever. Como era muito cedo, estava silencioso e o ar de abandonado, combinado com a história cheia de enigmas, nos fazem inevitavelmente sentir que fomos transportados pelo tempo. Vai parecer piegas, eu sei, mas se não fosse tão incrível, não seria tão bem avaliado pelo mundo inteiro, portanto, acreditem! 😛

Tirar foto no Tesouro não é tarefa fácil. Foi complicado acertar o ângulo que a pegasse inteira e ainda tentar cortar os outros turistas que também desejavam uma foto exclusiva. O constante assédio dos donos dos animais, querendo que os alugássemos, também foi fator que fez o marido perder a paciência e eu acabei sem A foto perfeita no local. Fazer o quê! Seguimos, pois aquele era só o comecinho de Petra e ainda havia muito o que explorar no local.

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Beduíno desanimado. Foto: arquivo pessoal

Depois que passamos pelo Teatro de Nabatean, paramos para um chá. O frio era terrível (uns 2 ºC) e o chazinho típico, servido junto à fogueira em uma tenda beduína, foi providencial! O guia nos perguntou se queríamos subir nas Tumbas Reais, mas deixamos para a volta (acabou que não subimos, mas marido subiu lá da outra vez que visitou Petra, em 2008, e disse que vale a pena).

Passamos pelos outros monumentos até chegarmos ao restaurante de Petra (onde você decide se vai ou não para o Monastério) e nosso guia se despediu de nós. Apesar de o relato ter sido curto, na verdade se passaram algumas horas, pois íamos parando, ouvindo explicações e também porque as distâncias são grandes mesmo, além de o terreno ser bem acidentado. Muitos utilizam os animais para chegar até o restaurante (ele é o único lá dentro de Petra).

Petra, Jordânia.

Petra, Jordânia. Foto: arquivo pessoal

Petra, Jordânia.

Petra, Jordânia. Foto: arquivo pessoal

Petra, Jordânia.

Petra, Jordânia. Foto: arquivo pessoal

Petra, Jordânia.

Petra, Jordânia. Foto: arquivo pessoal

Petra, Jordânia.

Foto: arquivo pessoal

Petra, Jordânia.

Foto: arquivo pessoal

Petra, Jordânia.

Foto: arquivo pessoal

Petra, Jordânia.

Pedra em formato de camelo. Foto: arquivo pessoal

Fizemos um lanche, descansamos e paramos para decidir se iríamos ao Monastério. Seriam 2 horas para ir e voltar a pé, sem animais. Depois de já ter andado por algumas horas, estar um frio imenso lá fora e se ver diante de uma trilha com MUITAS escadas e subida, você: a) volta para o restaurante climatizado e fica por lá mesmo; b) volta para o hotel, porque afinal você tá de férias e quer descansar; c) pensa que não sabe se terá outra oportunidade na vida de estar ali e, como gratidão, resolve abstrair do cansaço e do frio e encara o desafio. Sim, escolhemos a opção C.

A trilha para o Monastério definitivamente não é para qualquer um. No inverno foi difícil porque estávamos com roupas pesadas, mas no verão deve ser muito pior. Nesse dia, estava nublado, então não tínhamos o sol como fator castigante – e nem como fator embelezador de fotos, uma pena. Alugar os quadrúpedes não era uma opção pra gente, mas muitos preferem fazer o caminho assim.

Se serve como motivação, embora seja uma trilha cansativa, especialmente se você é sedentário, a vista no caminho é maravilhosa! A outra motivação é chegar ao Monastério, que lembra O Tesouro, mas é ainda maior. Ah, e claro, a terceira motivação é que “para baixo todo santo ajuda”, a volta será tranquila. Caso você tenha alguma dificuldade de locomoção e não consiga ir ao Monastério, não fique triste, só de ver O Tesouro e os demais monumentos lá perto já vale a visita a Petra, certamente! 🙂

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Trilha Monastério. Foto: arquivo pessoal

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Trilha Monastério. Foto arquivo pessoal

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Trilha Monastério. Foto arquivo pessoal

Trilha Monastério

Trilha Monastério. Foto arquivo pessoal

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Monastério, Petra. Foto: arquivo pessoal

Depois de nossa aventura pela trilha, tivemos uma deliciosa recompensa no restaurante. Almoçamos e seguimos voltando, a pé, claro, para o hotel. Demoramos mais algumas horas e, enfim, quando chegamos ao hotel, meu celular me contou que andamos uns 18 km aquele dia. Sem mais, eu só queria ficar deitada. Só levantamos para jantar, no hotel mesmo, que valeu a pena também.

No outro dia pela manhã, nosso motorista nos buscou no hotel e nos levou para Madaba, Monte Nebo e Mar Morto, como já contei a vocês aqui.

Petra, Jordânia.

Petra, Jordânia. Foto: arquivo pessoal

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E esse foi o relato da nossa experiência em Petra. Achei perfeito o modo como fizemos: chegamos 1 dia antes a Wadi Musa, descansamos e reservamos 1 dia inteiro para Petra, sem ter que sair correndo para ir para outro lugar depois, ou sem chegar lá tão tarde que estaríamos brigando por espaço com outros turistas. Nosso guia nos contou que muitos fazem Petra como bate-volta e, por isso, não têm tempo de conhecer tudo, limitando a visita ao Tesouro. Eu acho válido, claro, mas definitivamente indico que as pessoas conheçam todo o resto também.

Sobre o Petra by Night, o evento de luzes de vela em Petra algumas noites por semana, não fomos porque o frio estava demais! Caso estejam por lá em uma estação mais amena, ou se tiverem grande resistência ao frio, recomendo, pois dizem que é muito lindo! Qualquer dúvida sobre Petra ou Jordânia, deixem nos comentários! E até a próxima.

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