Eu precisei de muito preparo psicológico para contar sobre esse dia de Komodo. Portanto, não vou economizar em fatos e parágrafos. Sente-se confortavelmente, pegue uma bebida de sua preferência e reviva tudo comigo.

Mamãe, tem certeza que quer continuar lendo?

Na ilha de Rinca, arquipélago de Komodo

Na ilha de Rinca, arquipélago de Komodo. Foto: arquivo pessoal

Eu não sou o tipo de pessoa que se arrisca à toa. Juro. Não ultrapasso a velocidade máxima da via, me vacino de todas as coisas possíveis, cuido do meu bem estar sempre. Em viagens, esses limites de segurança se tornam mais largos, mas mesmo assim evito a todo custo passar por situações em que eu me coloco em risco, até porque precisar de um serviço médico (porventura funerário) em terras distantes deve ser um trabalho descomunal.

Quando planejei a viagem à Indonésia, que aconteceu em junho de 2016, logo incluí a ilha de Komodo, famosa por seus dragões, em nosso roteiro. Como bióloga, e mais ainda como alguém que ama viajar para lugares exóticos e de belezas naturais, não havia como não incluir a famosa ilha na viagem. Marido concordou com meus argumentos e organizamos 3 noites (que viraram 2) em Labuan Bajo, cidade indonésia na ilha de Sonda Oriental, Mar das Flores, de onde partem os barcos diariamente com destino à ilha dos dragões.

Komodo, na verdade, é o nome de um Parque Nacional formado de 3 ilhas grandes (Komodo, Rinca e Padar) e várias outras pequenas. É uma área de conservação de várias espécies, terrestres e aquáticas, dentre elas o dragão-de-Komodo (Varanus komodoensis). Para chegar às ilhas é preciso pegar um barco, que pode partir de outras ilhas vizinhas (há rotas que fazem Bali – Labuan Bajo em 3 ou mais noites) e, mais comumente, de Labuan Bajo, já que essa cidade possui um aeroporto que a liga a outras cidades do país. Nós escolhemos essa última opção, pois tenho problema com enjoo em barcos, especialmente por vários dias e noites. No meu caso, quanto menos tempo eu passasse no barco, melhor.

Na ilha de Rinca, arquipélago de Komodo

Na ilha de Rinca, arquipélago de Komodo. Foto: arquivo pessoal

Antes de a viagem começar, fechei o passeio a Komodo e outras localidades próximas com uma agência super bem recomendada, a Flores XP Adventure. Porém, como perdemos o voo, perdemos também o passeio, já que ele sai muito cedo. Gostaria de deixar aqui a sugestão da empresa, que possui bons reviews, e cujo proprietário, Max, foi extremamente gentil e compreensivo com o nosso caso. Vale a pena fazer um orçamento com ele para organizar o seu passeio pela região.

Voltando ao relato, chegamos a Labuan Bajo sem passeio combinado e com 1 dia a menos na cidade. Fizemos como instruído por todos: fomos à rua principal da cidade e procuramos por passeios a Komodo que fossem para o outro dia. E aqui preciso abrir um parênteses:

Quando você vai passear pela região, Komodo e os dragões não serão a sua única parada do dia. Inclusive, a ilha de Komodo mesmo não é a melhor para ver os répteis gigantes, já que por lá eles estão em menor número, dificultando o avistamento. Por isso, quando se tem pouco tempo na região, o recomendado é ir para a ilha de Rinca, onde a população é mais abundante. O único “porém” é que em Rinca há mais dragões em um menor território, ou seja, há maior competição por comida e os dragões são um pouco menores que em Komodo. Olha, tendo visto o “menor” em Rinca, te garanto que não é necessário ver o “maior” de Komodo, viu?

Então, além de ir à Rinca para ver dragões de fato, também iríamos a Komodo para conhecer a praia rosa (sim, a praia tem areia cor de rosa!), nadar com raias-mantas, fazer snorkeling e ver as raposas-voadoras, espécie de morcegos gigantes. O passeio que havíamos combinado e que perdemos incluía isso tudo, daí eu fazia questão de que o que contratássemos também tivesse. Porém, não encontramos nenhuma empresa com essa “programação” para o dia seguinte e tivemos que contratar um barco particular, para que fosse feito o roteiro do nosso jeito.

Na Indonésia não é difícil alugar um barco só para você. Negocie bem e o preço vai ser bem razoável. O que é complicado mesmo é o pessoal te entender e depois agir como o combinado. Vai vendo…

Fechamos o passeio de barco com uma agência qualquer na rua principal. O preço ficou razoável, a “agência” tem um escritório fixo. Enfim, a gente não tinha muita opção, ou era isso ou voltar para casa sem ver os dragões. Fizemos o pagamento integral do passeio e cruzamos os dedos para que desse certo e não fôssemos enganados. Bom, não fomos, pelo menos em parte. Como o passeio seria de dia inteiro, e incluía o almoço, deixei claro ao proprietário que eu queria comida vegetariana, ou peixe. Eu só descobri que na minha marmita tinha frango frito com arroz e repolho já em alto-mar, quando não tinha mais o que fazer.

Combinamos de nos encontrar de madrugada (creio que umas 5h) na porta da agência para ir até o barco. Preparamos nossas coisas antes de dormir (foi o pior preparo mais despreparado que já fiz em passeios) e acordamos no horário certo para partir para a agência. Só, que, caia uma chuva, mas uma chuva com C maiúsculo. Estava tudo escuro, obviamente, e nosso hotel ficava a uma considerável distância da agência.

Tivemos que alugar uma moto no hotel e dirigir até a agência, no seguinte contexto:

  • Eram 4h da manhã, estava tudo absolutamente escuro;
  • Estávamos morrendo de sono e fome;
  • Chovia MUITO;
  • A distância do nosso hotel à agência era de uns 15 minutos de moto;
  • A Indonésia possui mão inglesa;
  • Marido tinha 2% de experiência em pilotar motos. Dirá no escuro, dirá na chuva, dirá na mão inglesa;
  • Estávamos sem GPS e nos perdemos no caminho;
  • Ficamos completamente encharcados (e era a única roupa que estávamos levando para um passeio de dia inteiro).

Quando, finalmente, chegamos à agência, cadê o cara? E o pesadelo não era só esse:

  • Estava escuro, chovendo, rua deserta, cheia de ratos gigantes;
  • Indonésia é um país muçulmanos e era Ramadã, as mesquitas já anunciavam a primeira oração (que dura uma meia hora e é gritada em imensos alto-falantes);
  • Chegou um cara muito esquisito, que não falava inglês, e que ficou conosco na porta da agência (vamos ser assaltados e mortos, pensei, claro).

O dono da agência chegou e eis que o cara estranho era, na verdade, da agência também, e o responsável por nos levar ao barco. Saímos então, na chuva, até um lugar pa-vo-ro-so no porto onde pegamos o equipamento de snorkeling e nossa comida. Eu já achava que já tinha vivido aventuras demais para um dia só, mas nem fazia ideia do que estava por vir.

Quando chegamos ao nosso barco, que era, como esperado e lido pela internet, um barco de pesca modificado para turismo, comecei a me preocupar mais intensamente com a minha segurança. Se antes eu estava preocupada com sofrer um golpe e perder o passeio, agora o medo era de estar fazendo o passeio naquelas condições meteorológicas terríveis e barco precário. Mas eu nem cogitei desistir – embora tivesse sido mais racional e prudente naquele momento.

Éramos eu, marido, o dono da agência, o cara esquisito e mais um monte de caras, todos esquisitos, não vou esconder. Um deles, inclusive, foi imediatamente expulso de dentro do barco quando chegamos. Ele estava dormindo lá dentro. E ele parecia um mendigo. Tinha um mendigo dormindo dentro do barco que passaríamos o dia inteiro passeando!!!

Entre muitos gritos e brigas entre os caras da agência, o mendigo escorraçado e os caras do barco, eu apenas sentei na cadeira dentro do barco e fiquei na minha, esperando para ver o que ainda poderia acontecer.

Creio que a briga era: “por que, diabos, tinha um mendigo dormindo dentro do barco?”, “não interessa se está chovendo, eles pagaram por um passeio e vocês têm que partir agora!”. Óbvio que eu não entendo a língua deles e o que inferi veio da gesticulação e situação que, juro, eu não desejava fazer parte. Parecia que o capitão não achava muito seguro sair em naquele momento, com aquela chuva e zero visibilidade. Desesperador, não é mesmo?

Por fim, ficamos no barco eu, marido, o “capitão” e dois rapazotes, que pareciam ser os filhos dele. Partimos, mas não sem muita emoção:

  • Continuava escuro, estávamos molhados e, agora, com frio e mais fome;
  • A “tripulação” não falava inglês;
  • Chovia muito ainda, só que agora estávamos no mar;
  • O capitão estava visivelmente preocupado com o clima;
  • As ondas estavam imensas e o barco mexia muito;
  • Não, o barco não passava confiança em meio àquela tempestade;
  • O capitão usava uma lanterninha comum de mão para sinalizar para outros barcos. Uma.lanterninha.de.mão.na.tempestade.
passeio de barco komodo

Essa era a situação de frio, sono, fome e tempo nublado. Foto: arquivo pessoal

komodo indonesia arquipelago

Nosso barco na região de Komodo. Foto: arquivo pessoal

Graças ao bom Deus eu havia tomado um remédio para enjoo, que segurou bem o meu estômago. Mas o meu cérebro entrou em parafuso e, depois de avaliar tantos fatores de risco juntos, ele resolveu me apagar. Desmaiei, de sono. Acordava de vez em quando com a força das ondas batendo no barco, ou com o barulho do motor que ficava esquisito demais.

Quase 2 horas depois, acordei definitivamente, o dia já estava claro, a chuva havia diminuído consideravelmente, mas o tempo estava horrível, nublado. A fome era imensa e, de café da manhã que estava incluso no passeio, só nos foi servido café puro mesmo, preparado nos fundos do barco com utensílios que eu fiz questão de não ver de perto. Nunca joguei tanto açúcar em um café como esse dia – era a fonte de energia que eu poderia ter naquele momento.

snorkeling komodo

Tomando um café antes de encarar o snorkeling. Foto: arquivo pessoal

Se vocês estão pensando “mas como vocês não levaram comida para o barco?”. Também não sei, gente! Aliás, sei: o hotel era afastado, não havia nenhum supermercado perto e de manhã não havia nada aberto. Não tivemos a “chance” de comprar nada, embora eu saiba que foi um erro tremendo mesmo assim. Por favor, não o repitam.

Do porto de Labuan Bajo até a praia rosa de Komodo eram 5 horas de viagem. Essa seria a nossa primeira parada do passeio. No caminho, depois que despertei, pude apreciar a paisagem, que era muito linda, mas estaria ainda melhor se estivesse fazendo sol. Fatores que não temos como controlar, fazer o quê? Se nem os fatos estavam colaborando, a Natureza iria se preocupar em nos dar um dia belo? Rá!

Algumas horas depois, quando tudo parecia mais tranquilo, nosso capitão abriu um parte do chão do barco, desceu até lá e começou a tirar água de lá de baixo com um balde. Água, gente, de dentro do barco! Em alto-mar!

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No barco que alugamos para o passeio. O capitão prestes a descer e retirar a água do barco! Foto: arquivo pessoal

Volta e meia, entre salvar o barco e o pilotar, ele parava, se posicionava voltado para Meca e fazia as suas orações. Ele era muçulmano. Era Ramadã, ou seja, ele ficaria durante o dia inteiro sem comer, sem beber água, pilotando o nosso barco.

Inspirando muita confiança. Só que ao contrário.

Eternas horas depois, chegamos à praia rosa em Komodo! O dia continuava horrível: nublado e chuvoso, mas nos jogamos na água mesmo assim e fomos nadando até a ilha. Eu queria muito poder pisar em terra firme, ainda mais em Komodo, para me convencer que aquele dia estava valendo a pena. Nesse momento, embora o clima não ter ajudado em nada, foi muito bom. Fizemos snorkeling, brincamos na areia rosa… E, ainda bem, nenhum dragão resolveu aparecer por lá e nos pegar desprevenidos.

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Muita chuva na praia rosa, em Komodo. Foto: arquivo pessoal

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Praia rosa de Komodo, Indonésia. Foto: arquivo pessoal

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Praia rosa. Imaginem se estivesse fazendo sol? Vi fotos na internet e achei maravilhoso! Foto: arquivo pessoal

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Detalhe da areia da praia rosa de Komodo. Foto: arquivo pessoal

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Snorkeling na praia rosa de Komodo. Foto: arquivo pessoal

Snorkeling na praia rosa de Komodo.

Snorkeling na praia rosa de Komodo. Foto: arquivo pessoal

Snorkeling na praia rosa de Komodo.

Snorkeling na praia rosa de Komodo. Foto: arquivo pessoal

Snorkeling na praia rosa de Komodo

Snorkeling na praia rosa de Komodo. Foto: arquivo pessoal

Snorkeling na praia rosa de Komodo.

Snorkeling na praia rosa de Komodo. Foto: arquivo pessoal

Voltamos para o barco e fomos procurar as raias-manta. Nessa hora, fez muita falta o pessoal do barco não saber inglês, pois queríamos perguntar coisas e víamos que eles tentavam se comunicar também, mas era quase impossível.

Algum tempo depois, começamos a ver as gigantes e maravilhosas raias-manta em volta do nosso barco. Eram dezenas, centenas de raias, nadando juntas e esplendorosas! O capitão ficou tentando achar um lugar ideal para que pulássemos na água e pudéssemos nadar com elas. Ficamos a postos esperando tal momento, que demorou a chegar. Finalmente, descemos para a água, mas não era um lugar onde havia váaaarias raias, então o capitão teve a brilhante ideia de jogar uma corda para que nós a agarrássemos enquanto ele movia o barco para outro lugar melhor (assim entendi pelas mímicas). Agora, visualize:

  • Você está em alto-mar, sem bóia, só com pé de pato e snorkeling;
  • Você já estava nadando há bastante tempo, sua refeição do dia foi 1 xícara de café;
  • Chovia, claro;
  • Um cara que você não entende te joga uma corda do barco (ainda bem! ele poderia simplesmente ter ido embora credo);
  • Marido agarra o começo da corda, eu o final;
  • Quando o barco começa a se movimentar, você, que está segurando a ponta de uma corda, por ação da física, é chicoteado para DEBAIXO do barco;
  • Eu fiquei lutando entre não permanecer embaixo do barco, não me machucar no casco, não soltar da corda, não perder a câmera que estava na minha mão, e não morrer;
  • Quando você é arrastado por uma corda em um barco, seu biquíni sai de você. Sim.;
  • A situação já tava excelente, mas faltava um tempero especial: a água estava cheia de mini águas-vivas, que me queimavam o corpo INTEIRO;
  • Eu comecei a tomar muita água e tentava, sem sucesso, gritar para pararem (nem “stop” eles entendiam);
  • Por fim, marido resolveu sair do seu maravilhoso estado de contemplação das raias que passavam por baixo de nós para olhar para trás e constatar que ficaria viúvo em alguns segundos, daí ele conseguiu fazer com que parassem o barco.

Reflitam por alguns minutos. Tomem mais um gole. Ainda não acabou.

raia manta indonésia

A “mancha escura” na foto é uma raia manta. É muito difícil fotografá-la fora d’água. Foto: arquivo pessoal

raia manta indonésia komodo

Raia manta que passou por baixo de nós. Foto: arquivo pessoal

Eu já havia sobrevivido a uma tempestade em alto-mar e arrastamento com afogamento e queimaduras de águas-vivas, mas eu ainda não havia visto os dragões. Então, fomos para Rinca, porque, né, quem não quer arriscar um pouco mais a vida em 1 dia só? Comi o meu delicioso arroz com repolho (que só descobri a essa altura que era meu almoço) e seguimos viagem.

Chegando em Rinca, logo de cara você já encontra uma placa que diz que é uma área com crocodilos. Eu já estava resignada, com fome, dolorida, cansada – pode vir, crocodilo! Mas não, esse não é o fim da história, e nem houve crocodilo algum. Mas dragão, sim!

Mal entramos na ilha e já demos de cara com um dragão! Ele tava ali, de boa, dormindo na dele. Mantive a distância segura, tirei fotos e segui meu caminho. Ufa! Depois, vimos outro macho, grande, e nosso guia achou que era uma boa ideia segui-lo. Nessa hora, havia outro grupo de turistas, com outro guia. Quando você entra no Parque, obrigatoriamente deve contratar um guia local e andar com ele. Devo admitir que isso é realmente essencial e não te recomendo a se afastar do seu guia.

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Entrada do Parque de Komodo, ilha de Rinca. Foto: arquivo pessoal

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Dragão de Komodo que avistamos logo na entrada do Parque. Foto: arquivo pessoal

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Dragão de Komodo menor que avistamos em Rinca. Foto: arquivo pessoal

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O dragão de mentira e o dragão de verdade. Foto: arquivo pessoal

dragão de komodo macho

Dragão de Komodo fazendo pipi. Foto: arquivo pessoal

dragão de komodo indonésia perigoso

Nosso guia pediu para tirar essa foto pra gente. Doido ele. Foto: arquivo pessoal

Enfim, seguimos esse réptil malandrão até que ele entrasse numa espécie de “casa de máquinas” do Parque e, para a nossa surpresa, e para a desagradável surpresa do dragão, havia um outro casal de dragões copulando ali dentro.

Esses dragões, num primeiro momento, parecem muito pacíficos. O malandrão achou que poderia fazer um ménage – ou dividir a companheira com o amigo, ou pegar o próprio amigo, vai saber – e ficou ali por um tempo tentando ver o que ia rolar. Enquanto isso, nós, os turistas idiotas, aproveitamos para tirar fotos da cena (quem tirou, no caso, foi o marido, porque eu ainda tinha um mínimo de medo e não quis me aproximar tanto).

Só que aí deu treta. O dragão interrompido não gostou da proposta do malandrão e resolveu expulsar ele dali. Eles começaram a fazer uns barulhos muito estranhos um para o outro, notadamente um comportamento de defesa/ataque. Nesse momento, a casa de máquinas estava rodeada de turistas, no caso eu e marido no meio, e o malandrão perdeu, levou um “passa fora” e saiu correndo NA NOSSA DIREÇÃO! Puto, depois de não ter conseguido um final feliz.

Final, quem quase teve, fomos nós! Final de vida, no caso. Corri como nunca na vida, mesmo com a chinela grudando no barro (já tentou correr de um dragão de Komodo usando Havaianas na lama?). Sobrevivemos todos, sem feridos. Certamente não havia ninguém com problema cardíaco ou de incontinência no grupo, porque se tivesse…

dragões de komodo copulando

Dragões de Komodo copulando. O que acontecer com aquele homem de boné espiando é chamado de seleção natural. Foto: arquivo pessoal

dragão de komodo macho

Malandrão saindo encabulado depois de perder a briga e correr atrás de nós. Foto: arquivo pessoal

Depois de recuperar a força das pernas e comprar um amendoim na loja de souvenir do Parque (para enganar minha fome, bendito amendoim), fomos até o alto de um morro, que é um mirante, lá em Rinca mesmo. O guia estava conosco e, – nem achei que fosse dizer isso, mas sim -, ainda bem, não vimos mais nenhum dragão. A vista de lá é belíssima e vale a pena ir.

Deixamos o Parque com o coração ainda em pulos, mas cheio de alegria por ter sobrevivido, óbvio, mas também por ter tido a chance única de visitar uma ilha cheia de dragões com mordidas mortais incríveis. Não faria tudo igual, e nem acho que preciso voltar à ilha, mas definitivamente recomendo.

rinca e komodo indonésia

Ilha de Rinca, arquipélago de Komodo. Foto: arquivo pessoal

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Nosso guia na ilha de Komodo. Foto: arquivo pessoal

dragão de komodo

Dragão de Komodo em detalhes. Foto: arquivo pessoal

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Parque de Komodo, Rinca. Foto: arquivo pessoal

Voltamos para o barco e seguimos para a nossa última parada: ver as flying foxes, ou raposas voadoras, ou morcegos gigantes. Teoricamente, elas voariam em bandos de milhares na hora do pôr do sol para uma ilha, promovendo um verdadeiro espetáculo. Só… que… que pôr do sol? Que sol? Fomos para o ponto específico, que também serve para fazer snorkeling, mas resolvi não entrar na água. Ainda bem, porque depois marido me mostrou uma caravela-portuguesa que estava na área de snorkeling e que certamente teria se agarrado ao meu pescoço, tamanha a sorte que eu estava nesse dia.

snorkeling komodo flying foxes

Última parada para snorkeling. Foto: arquivo pessoal

snorkeling komodo indonésia

Marido encarando o último snorkeling. Foto: arquivo pessoal

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Snorkeling em Komodo. Foto: arquivo pessoal

Eu estava cansada, com fome, com frio e nem a pau esperaria uma “possível” revoada de morcegos sem o visual incrível do pôr do sol. Me fiz entender ao capitão para voltarmos para Labuan Bajo. Definitivamente, já estava bom de aventuras naquele dia. Torcia eu.

Longas horas até Labuan Bajo e, quando chegamos no porto, quase fiz o ato papal de me ajoelhar e beijar o chão. É claro que não era para tanto naquele lugar imundo, mas foi uma alegria saber que aquele dia, pelo menos o passeio, tinha acabado.

Ainda bem, a moto ainda estava no mesmo lugar que havíamos deixado e seguimos para um restaurante. Comi feliz e fartamente. Depois, fomos para o hotel. Não sem antes tomar chuva, bater queixo de frio e nos perder de novo.

Sobrevivemos e contamos essa história dezenas de vezes aos amigos e familiares. É claro que viajar te proporciona momentos e histórias incríveis para lembrar, mas quando é COM VOCÊ, alguns sentimentos vêm junto com os relatos e nem sempre é tão agradável assim. Esse dia é um deles, cheio de dualidades.

Embora o relato traumático, não posso deixar de dizer a verdade: esse passeio é incrível! Juro. Quem diria que eu pudesse ver dragões, raias gigantes, morcegos gigantes, além de toda a beleza cênica e vida marinha em um mesmo dia? Vale a pena? Vale. Mas tenha em mente t.o.d.o.s os detalhes que contei a vocês nesse relato, para que minimizem os riscos e perrengues. Somos jovens, saudáveis e não temos filhos. Se qualquer um desses fatores fosse diferente, creio que não faria e nem recomendaria esse passeio. Deixem suas dúvidas nos comentários.

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  • Márcia Barbosa de Souza outubro 3, 2017

    Polly do céu, que aventura foi essa, até imagino as sensações e calafrios, deve passar mil coisas na cabeça. Com certeza inesquecível mesmo, você narrando os acontecimentos me deu arrepios de pensar, ainda bem que no final tudo deu certo. Imagino sua mãe lendo…..

    • Pollyane
      Pollyane outubro 10, 2017

      No final deu tudo certo, isso que importa!! Obrigada pela visita e pelo comentário =* Beijo grande

  • Elisabeth outubro 1, 2017

    Boa tarde Polly!

    Nossa que viagem incrível.
    Apesar de saber que foi perigoso, não deixei de dar boas risadas, mas não queria esta no seu lugar de maneira alguma. rsrs

    • Pollyane
      Pollyane outubro 2, 2017

      Acho que ninguém iria querer, Elisabeth! Hehe. Ainda bem que saímos vivos e bem! Beijo grande e obrigada pela visita.

  • Lari outubro 1, 2017

    Polly, vocês foram muuuito aventureiros! Achei os relatos assustadores! Hehe
    Eu , provavelmente , com essa chuva e a escuridão, nem teria saído do hotel!
    Mas agora que tá tudo bem…. vale a pena a experiência, né!?
    Beijos!

  • Ana Poli outubro 1, 2017

    Meu Deus, que história! Ainda que você foi super corajosa, eu acho que já teria desistido de tudo na parte da chuva e dos caras estranhos no barco! hahaha 😀 ainda bem que no final (quase tudo) deu certo!

    • Pollyane
      Pollyane outubro 1, 2017

      Oi Ana! Obrigada pela visita e comentário. Pois é, nem eu sabia que tinha tanta coragem assim! Hoje, quando lembro, penso que foi mta falta de juízo! haha. Beijoo!