Vocês já acompanharam nossos deliciosos dias em Gili T. e já sabem, pelo nosso roteiro, que passamos 2 dias em Lombok. O que eu ainda não contei a vocês é o que fizemos nessa ilha, próxima à Bali, mas tão diferentes entre si.

Lombok, assim com o restante do país (com exceção de Bali) é muçulmana. Por lá, já sentimos bem mais essa diferença religiosa nas construções, nas pessoas e até no próprio clima – não sei explicar. Em Bali, a energia é mágica, cercada de mistérios, cheiros e suaves melodias das danças balinesas. Em Lombok, a pobreza, não disfarçada em fabulosos templos, fica mais evidente. E como fomos durante o Ramadã, a questão religiosa não pôde ser deixada de lado.

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Sinalizado no mapa: Lombok. Fonte: Google Maps

Muitos viajam para Lombok para escalar o Rinjani, o suntuoso vulcão indonésio localizado no norte dessa ilha. Nós, porém, não tínhamos tempo e nem disposição para tal feito. Se você deseja subir o vulcão, sugiro que se programe com bastante antecedência e guarde alguns dias depois do “desafio” para descansar. As pessoas que encontramos que haviam feito o trekking estavam demasiadamente cansadas – e satisfeitas também, claro.

Como chegar a Lombok

Fomos de Gili T. direto para Lombok (Teluk Kode) utilizando uma lancha rápida que contratamos no porto de Gili T. (não precisa ser com muita antecedência). Quando chegamos lá, o motorista que havíamos contratado via hotel estava nos esperando. Chegamos mais ou menos na hora do almoço e ele nos levou direto para as cachoeiras Sendang Gile e Tiu Kelep, na parte norte da ilha, aos pés do vulcão Rinjani.

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Trilha para cachoeiras em Lombok. Foto: arquivo pessoal

O trajeto, apesar de ser somente 60 km, demorou cerca de 1h30min, pois a “estrada” é, na verdade, uma rua bem movimentada e as leis de trânsito não se aplicam. Era cada susto que a gente tomava… Apesar de cansativo, foi interessante ver a diferença entre Bali e Lombok – essa última bem menos turística, mulheres de véus, paisagens mais “intocadas” e por aí vai.

Também é possível chegar a Lombok através do Aeroporto Internacional Bandar Udara. Nós deixamos a ilha por esse aeroporto e passamos muitos momentos de tédio e raiva por lá. Vou deixar esse assunto para um próximo post; mas só quis incluir aqui que é possível chegar a Lombok por esse meio também.

As cachoeiras Sendang Gile e Tiu Kelep

O meio mais eficiente para chegar a essas cachoeiras é alugando um carro/moto ou contratando um motorista local. As estradas são, como disse anteriormente, não exatamente “estradas” e não creio que haja sinalização suficiente para que você chegue lá sem se perder. Se você tem muito tempo na ilha e gosta de aventuras, vá dirigindo por conta própria; caso contrário, o que era o nosso, contrate o motorista (com carro, óbvio) e se livre de qualquer preocupação.

Nos informaram na guarita da cachoeira (um escritório pequeno) que éramos obrigados a contratar um guia local para nos acompanhar até as cachoeiras. Pode até ser que tenha gente, digo, turistas, que queiram economizar e dispensar o guia – vão ter que comprar uma briga lá, na certa – mas, sinceramente, o preço era tão baixo e era uma forma de ajudar a população local que nem ligamos. Além do mais, nós nunca estivemos por lá e não saberíamos se havia o risco de nos perder. Pagamos o guia sem reclamar e ele nos acompanhou do começo ao fim do passeio e até nos deu lanche na cachoeira. Valeu a pena!

O caminho para as cachoeiras é bem interessante. A mata densa aos pés do vulcão Rinjani é linda! Também vimos várias propriedades rurais com plantações de arroz, palmeiras… bem bonito e diferente do que estamos habituados. Durante todo o percurso, vamos acompanhando um curso d’água. A flora e a fauna do lugar são um espetáculo à parte, mesmo o ambiente sendo antropizado (= que sofreu ação do homem).

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Caminho para a 1ª cachoeira. Foto: arquivo pessoal

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Caminho para a 1ª cachoeira. Foto: arquivo pessoal

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Paisagens de Lombok. Foto: arquivo pessoal

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Dinossaurinho. Foto: arquivo pessoal

A primeira cachoeira era bonita de ver, mas não quis arriscar entrar. A queda d’água era forte, concentrada e eu previ que algum acidente iria acontecer comigo, ou com o meu biquíni, sendo levado pela água. Marido, que nada teme, entrou sem problemas. Depois, seguimos para a outra cachoeira, mais convidativa ao banho. O caminho até essa primeira é super tranquilo e não, não teríamos nos perdido na trilha. Para a segunda, porém, o acesso é mais complicado e pessoas com dificuldade de locomoção, idosos ou crianças muito pequenas terão problema em acessar.

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Cachoeira Sendang Gile, Lombok. Foto: arquivo pessoal

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A 1ª cachoeira. Foto: arquivo pessoal

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Caminho para a 2ª cachoeira. Foto: arquivo pessoal

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Caminho para a 2ª cachoeira. Foto: arquivo pessoal

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Linda natureza de Lombok. Foto: arquivo pessoal

Fomos em junho, um bom mês para visitar a Indonésia. O calor e a umidade, entretanto, são inevitáveis. A grande alegria de se fazer uma trilha para uma cachoeira é justamente poder entrar na água no fim! Na segunda cachoeira não me fiz de rogada e entrei na água GELADA e deliciosa. Havia muita gente ali tomando banho também. Para quem tem curiosidade: sim, fiquei de biquíni normal e marido estava de sunga. Não reparei ninguém olhando torto pra gente. É importante levar roupa extra, caso queira voltar “seco”. Mais importante ainda é escolher bem os sapatos, pois o terreno é acidentado e escorregadio (eu usei uma sapatilha de borracha e foi perfeito!).

Cachoeira Tiu Kelep, Lombok

Cachoeira Tiu Kelep, Lombok. Foto: arquivo pessoal

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Cachoeira Tiu Kelep, Lombok. Foto: arquivo pessoal

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Água gelada! Foto: arquivo pessoal

Aproveitamos a água e a cachoeira por um tempo, fizemos um lanchinho (levado pelo nosso guia, já incluso no preço que pagamos a ele) e depois voltamos.

Na volta, porém, nosso guia, em um dado momento do caminho, nos perguntou se queríamos pegar um atalho. Dissemos que sim e ele nos mandou entrar no curso d’água que fomos acompanhando na ida. Entramos de roupa e tudo e o seguimos pelo caminho da água, passando por túneis cheios de teias de aranha, onde a única iluminação era do celular. Além do risco de bater a cabeça nos túneis, ou, no mínimo, ganhar uma aranha na cabeça, não conseguíamos ver onde pisávamos e por várias vezes enfiamos os pés em buracos no cimento, com ferros retorcidos.

Nossa Senhora Protetora dos Viajantes Aventureiros, obrigada por nos proteger!

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Pegando o “atalho”. Foto: arquivo pessoal

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Pânico de quem saiu de um túnel escuro com água pelo joelho. Foto: arquivo pessoal

Deu tudo certo! Foi bem emocionante, confesso, mas acho que faria de novo, sim! Caminhamos bem menos para voltar para a entrada do parque – de fato, era um atalho – e seguimos para o nosso hotel, perto de Mataram. No caminho, vimos uma praia deserta com areia negra bem bonita! Não tínhamos tempo para parar e descer, então só passamos. Caso tenham oportunidade, acho que vale a visita com mais calma.

A casa abandonada, o pôr do sol e os muçulmanos

No caminho para o hotel, já quase na hora do pôr do sol, perguntei ao motorista se ele poderia parar em algum lugar para admirarmos a vista enquanto o astro-rei se despedia. Ele não falava bem inglês, mas entendeu o recado e parou exatamente onde eu queria: na casa abandonada da estrada que vai para Mataram.

Eu tinha visto fotos desse lugar em um blog antes de viajar. A blogueira também havia assistido ao pôr do sol de lá, mas como ela não deu nenhuma informação a respeito do local, jamais achei que pudesse encontrar casualmente. Mas aconteceu!

A casa se chama “Villa Hantu”, tem uma placa com o nome na porta e é bem conhecida entre os moradores da ilha. A construção abandonada já em fase avançada está perfeitamente posicionada para um pôr do sol fantástico! A casa é imensa e é inevitável sonhar como ela seria se estivesse pronta. Não vou mentir: sonhamos também em comprá-la (Vendedores, por favor, tenho interesse em comprá-la! Pago uma mixaria!).

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Villa Hantu, Lombok. Foto: arquivo pessoal

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Detalhes da casa. Foto: arquivo pessoal

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Pôr do sol lindo na casa abandonada. Foto: arquivo pessoal

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Vista da casa abandonada: a praia ao lado. Foto: arquivo pessoal

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Pôr do sol em Lombok. Foto: arquivo pessoal

Depois do pôr do sol, seguimos para o hotel. E se nos queríamos que o pôr do sol durasse mais tempo, nosso motorista, pobrezinho, que era muçulmano, estava de jejum desde que o sol havia nascido. Logo que o sol desapareceu, acompanhado por ele com muita alegria, ele correu e comprou uma água e a tomou inteira. Demos a ele os nossos lanches e poucas vezes na vida senti que alguém foi tão grato a um gesto.

Esse fato final nos faz refletir sobre o nosso papel como turistas em terras tão diferentes da nossa. Apesar de estarmos em uma ilha muçulmana, durante o Ramadã, todas as pessoas que nos encontraram não deixaram que o jejum delas afetasse o tratamento conosco. Sempre perguntávamos se eles se incomodavam se a gente comesse ou bebesse algo na frente deles, e eles diziam sempre que não. Mas temos consciência que Lombok é uma ilha pobre e as pessoas precisam da renda gerada pelo turismo e não queriam nos contrariar. Logo, cabe a nós termos respeito e bom senso com a religiosidade alheia. Nunca é demais, não é?

Em breve, outros posts sobre Lombok. Demais posts da Indonésia aqui.

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