Querida Polly,

nossa cartinha demorou desta vez, Sissi e eu ficamos doentes essa última semana… Mas já estamos melhorando. No último mês, estivemos ajudando uma família nova que acaba de se mudar para Abu Dhabi! Como diz o ditado, é ensinando que se aprende, né? Com essa experiência de passar informação para os recém-chegados, Sissi, Allan e eu “revivemos” vários momentos da nossa chegada aqui na cidade. 

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e esse é o Allan, na formatura ano passado pela Gems American Academy!

Poucas coisas deram mais trabalho para nós do que encontrar escola e conseguir fazer a matrícula. Tudo é bem diferente do Brasil, começando pelo fato de que as escolas públicas daqui só aceitam alunos emiratis. Então, para todo expatriado, a única opção é mesmo matricular nas escolas internacionais.

E o susto na hora em que você descobre que só em Abu Dhabi existem mais de 100 escolas internacionais?!?

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Foto: Gulfnews

A primeira dica é começar selecionando pelo tipo de currículo. No Brasil, por exemplo, as escolas são credenciadas pelas Secretarias de Educação dos Estados ou Municípios, e todas (com exceção das escolas claramente estrangeiras) seguem o padrão brasileiro. Nos Emirados Árabes, é diferente… as escolas que seguem o currículo local não aceitam alunos estrangeiros. Então a única opção é buscar uma escola com currículo de outro país. E é aí que começam os problemas. Os nomes das escolas podem ser enganosos – especialmente o uso da palavra “English” ou “International”, que muitas vezes é usado pelas as escolas de currículo indiano; “American”, “British”, “English” ou “International” aparecem nos nomes de instituições islâmicas com ensino em língua inglesa; ou até mesmo palavras árabes podem aparecer em nomes de escolas não-árabes ou não-islâmicas (às vezes britânicas ou de expatriados ocidentais). Mais confusão ainda acontece quando o currículo australiano, canadense, “International Baccaleaureat” (IB), do Reino Unido ou dos EUA são seguidos por escolas que, na verdade, são islâmicas ou de cultura árabe internacionalizada. Fácil né?

Para dar um exemplo: a “American Community School” é uma escola que segue o currículo americano e é aprovada pelo governo dos EUA para ensinar expatriados norte-americanos. Ela tem uma cultura e um ambiente como se fosse uma escola norte-americana funcionando dentro dos EUA. Já, por exemplo, a “American International School” é uma escola que segue o currículo dos EUA, mas é voltada para expatriados árabes e famílias emiratis que desejam oferecer educação internacional aos filhos (a partir do sexto ano eles separam totalmente as turmas de meninos e meninas). “Al Sorouh American School” é, por sua vez, um colégio totalmente islâmico, com currículo dos Emirados, só que ensina em língua inglesa.

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American International School in Abu Dhabi. Foto: site oficial

Uma escola que enfatiza valores islâmicos é um ambiente muito diferente de uma escola de concepção ocidentalizada. Mais do que isso, além do currículo, é importante descobrir a cultura da instituição, a composição do corpo de alunos da escola (quais as nacionalidades que frequentam etc.). Eu sei que pode até parecer preconceituoso, mas não é. O número e a variedade de culturas que vivem nos Emirados é muito variado e isso é ótimo para as crianças, que aprendem a conviver com a diversidade e desenvolver tolerância, mas as diferenças culturais no ambiente escolar não devem ser ignoradas, especialmente quando os filhos da gente já estão sofrendo o trauma da mudança, né? Nenhuma mãe ou pai quer errar nessa hora e depois ver o filho isolado, em um ambiente desconfortável.

Uma dica: normalmente a maior oferta de escolas internacionais em Abu Dhabi segue o currículo britânico. Currículo americano são bem poucas. Mas, ao voltar para o Brasil, os papais que quiserem pensar em manter os filhos em escola internacional devem pensar nas futuras mensalidades. Na terrinha, as escolas britânicas costumam ser bem mais caras que as americanas. Outro ponto a favor das americanas é o ensino superior – estudar em uma escola americana facilita o processo de conseguir ser aceito em uma universidade nos EUA, o que é um desejo de muitos alunos que estão fora do Brasil. Nesse quesito, as escolas canadenses também podem ser uma boa opção, porque elas tem um currículo bem parecido com o americano. (Existem duas ou três escolas canadenses em Abu Dhabi, de que eu ouvi falar bastante bem.)

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Canadian International School. Foto: Site oficial CIS Abu Dhabi

 

Bom, por último, deixo os links de dois sites que podem ser úteis:

http://www.dubaifaqs.com/schools-abu-dhabi.php – lista todas as escolas de Abu Dhabi (pode estar um pouquinho desatualizado, mas foi o mais completo que eu já encontrei) com a indicação do currículo seguido e o idioma de instrução de cada uma.

https://www.adec.ac.ae/en/education/keyinitiatives/pages/irtiqaa-reports.aspx – relatórios de inspeção feitos pelo ADEC (Conselho de Educação de Abu Dhabi) que apresentam um ranking super detalhado e criterioso de cada escola no emirado. Vale a pena a leitura.

Até a próxima!

Daniella.

lagartapintada

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  • Marines agosto 7, 2017

    Encontrei o que perguntei no outro post, obrigada .

  • […] a oferta de educação de qualidade e, felizmente, nesse quesito Abu Dhabi tem muito a oferecer. Nesse artigo os papais podem se informar melhor sobre as escolas daqui. Aos adultos que desejarem cursar nível […]

  • […] para as crianças também é muito caro. Vocês podem ser mais sobre esse assunto aqui. Outro aspecto da vida que é muito caro é lazer – e é também o ponto de maior liberdade […]

  • Larilinda fevereiro 26, 2016

    As crianças devem crescer sabendo lidar com tudo, além de desenvolverem no mínimo o bilinguismo! Muito legal!

    • Pollyane
      pollyanerezende fevereiro 26, 2016

      Sim, dizem que as crianças têm contato com várias nacionalidades na mesma sala de aula (muitas vezes mais do que 20!). Imagine a troca cultural que deve acontecer… Acho fantástico!