15 de setembro de 2016

O cheiro de Bali

Sim, leitor, Bali tem cheiro. Tem também templos, comidas típicas, danças tradicionais, mas o cheiro… Ah, esse é especial! E é por ele que quero começar a falar dessa viagem incrível que fizemos à Indonésia em junho deste ano.

Bali – e toda a Indonésia – não estavam nos nossos planos de viagem imediatos. É claro que se me perguntassem se desejava conhecer, responderia com certeza, mas isso vale para qualquer destino do mundo, então não é um fator relevante. Deveríamos considerar outros fatores, já que há tantos lugares que desejamos conhecer.

Neste ano, o período de férias do marido seria em junho, então lá fui eu avaliar pelo clima qual seria o lugar mais favorável para visitar nessa época (para isso, sempre consulto o site Guia Viagem e confiro no próprio Google). Dentre as opções com passagens baratas + clima ideal, optamos pela Indonésia: Bali e outras ilhas perto. Felizmente, fizemos uma boa escolha: o tempo estava ótimo, quente, mas suportável e alguns dias chuvosos, que são uma verdadeira alegria para nós que moramos no deserto.

Dessa forma, alguns dias em Bali tinham cheiro de chuva, cheiro de arrozal, cheiro de incenso, mas uma coisa todos os dias tiveram: cheiro de Bali.

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Campos de arroz de Subak, em Bali. Foto: arquivo pesssoal.

Desde que pisamos no aeroporto, já começamos a sentir um cheiro diferente, novo ao nosso olfato, um cheiro meio adocicado, mas que não era perfume, nem incenso. No carro do motorista que nos levou ao hotel, o mesmo cheiro. Na recepção do hotel, de novo, mas dessa vez com uma surpresa: o cheiro também tinha gosto, notado claramente na bebida que nos serviram como boas-vindas.

Que cheiro é esse?“, perguntei à recepcionista, mas ela não soube responder. Para ela, não havia nenhum cheiro diferente. E eu comecei a suspeitar que aquelas terras, por alguma razão muito especial, tinham um cheiro próprio e único. Que coisa mais incrível!

Fiquei tão intrigada com a situação que comecei a procurar pela internet coisas como “cheiro de Bali”, “scent of Bali“, mas não tive sucesso. Não encontrei nenhuma resposta convincente. A dúvida permanecia e a curiosidade só aumentava com o passar dos dias. Sempre que tínhamos oportunidade, perguntávamos aos residentes o que era aquele cheiro. Tristemente, ninguém entendia o que eu queria dizer.

Bali é um lugar incrível, com um templo hindu a cada 10 passos que você dá. A ilha foi bem servida pela mãe natureza, com uma alta diversidade e abundância de espécies animais e vegetais (a bióloga falando neste momento). E como não poderia deixar de ser, é igualmente superpopulosa por humanos, que nem sempre têm o mesmo cuidado com os outros elementos da natureza. Apesar disso, as oferendas produzidas pelos hindus aos seus deuses sempre levavam flores e folhas e o culto ao divino na Natureza faz parte de sua cultura e religião.

Não aprofundarei muito nessas questões, pois não sou conhecedora do Hinduísmo para fazer tal análise, mas ficarei muito grata caso alguém queira nos explicar melhor nos comentários 🙂

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Vista do vulcão Kintamani e do lago Batur, em Bali. Foto: arquivo pessoal.

O cheiro poderia ser da natureza, poderia estar nas plantas: árvores, folhas, flores ou raízes; poderia ser de um inseto (torcia para que não fosse); poderia ser da terra ou dos fungos. Eu não sabia. Tudo era novidade e Bali é um lugar cheio de novidades, feitas pela natureza ou pelo homem.

O cheiro de pipoca – começamos a chamá-lo assim, pela semelhança dos cheiros – se fazia presente em todos os locais que visitamos na ilha. Comumente, as bebidas naturais, como sucos e batidas, também tinham o mesmo gosto. Toda vez que eu via uma planta diferente ou incenso sendo queimado, já chegava perto para tentar identificar o cheiro, mas sem sucesso. À essa altura, também já tinha percebido que ele não vinha das pessoas (elas tinham cheiro de óleo de côco!).

Passados alguns dias, saímos de Bali e fomos para as ilhas Gili, mais próximas à Lombok, outra grande ilha que compõe o arquipélago da Indonésia, mas que ao contrário de Bali tem o Islamismo como religião principal. E o cheiro sumiu.

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Pôr do sol em Gili Trawangan. O vulcão na foto é o Monte Batur, em Bali. Foto: arquivo pessoal.

Fiquei indignada! Estremeci ao pensar que nunca mais sentiria o cheiro de novo e não tive a chance de descobrir o que era. Isso pode soar um tanto exagerado para a maioria – e de fato o é – mas pessoas com o olfato apurado se sentem extremamente apegadas a cheiros, e memórias olfativas são tão importantes quanto às proporcionadas pelos outros sentidos. Para mim, realmente, era uma crise instalada na viagem.

O cheiro, de fato, era de Bali. Talvez do Hinduísmo. Certamente não do país todo, comprovamos quando chegamos em Flores, outra região do país, onde não havia nem sinal da “pipoca”.

Dias de angústia se passaram, até que os deuses dos viajantes curiosos ficaram com pena de mim. E no último dia da viagem, 15 dias depois da primeira cheirada, eu estava na recepção de outro hotel em Bali, que ficaríamos somente uma noite, antes do voo de volta para casa e, por curiosidade, peguei nos filetinhos de folha que estavam em uma oferenda no balcão.

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Eu não mexia nas oferendas, mas os macaquinhos… Foto: Floresta dos Macacos, Ubud, Bali, arquivo pessoal.

Em Bali, vemos essas oferendas o tempo inteiro: nas casas, ruas, carros, lojas… Mas, por respeito às pessoas, à cultura e à religião, nunca havia tocado em uma. No Brasil a gente aprende que não é legal fuçar em macumba alheia, certo? Pois lá eu usei o mesmo raciocínio.

Pois bem, esfreguei um pedacinho da folha nos dedos e qual foi a minha surpresa quando “cheiro de pipoca tá rolando no ar”. Imediatamente, mostrei a folhinha para a recepcionista e perguntei o nome: ela disse, eu não entendi. Então pedi que ela escrevesse:

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Foi quase tão bom quanto ler meu nome na lista dos aprovados no vestibular. Mentira. Verdade.

Abri um sorriso largo, suspirei aliviada e comentei com ela que tudo em Bali tinha aquele cheiro, e gosto. Ela sorriu meio tímida, provavelmente não entendeu nada o que eu disse, e continuou o que estava fazendo. Para mim, entretanto, aquele momento sublime fechava uma viagem com chave de ouro, aliás, de kembang rampe!

Agora que vocês já sabem o começo e o fim da nossa viagem, fiquem atentos aos próximos posts no blog sobre a Indonésia, onde contarei tudo que aconteceu nesses 15 dias no país. Beijo grande!

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  • Esther junho 7, 2017

    Oi Polly. Queria te agradecer pelas dicas incriveis de Bali e ilhas proximas. Sou brasileira vivendo no exterior tambem (Holanda). Eu e meu marido vamos viajar pra la em duas semanas (mesma epoca que vc foi) e nao fiz muita pesquisa ainda. Com certeza suas dicas serao uteis! Bjos

    • Pollyane
      Pollyane junho 7, 2017

      Oi Esther! Fico muito grata pelas suas palavras de carinho e por acompanhar o blog! Seja sempre muito bem-vinda! Ainda não fiz todos os posts sobre Bali, mas acho que vc já tem muita leitura para fazer aqui antes da sua viagem! hehe. Se tiver alguma dúvida específica, que não tenha encontrado nos posts, é só deixar aqui que responderei com a maior alegria. Se precisar fazer as reservas de hotéis, temos a parceria com o Booking.com e é só utilizar a caixa de buscas na caixa lateral do blog 😉 O mesmo vale para seguros de viagem 😀 Espero que façam uma viagem incrível! Eu amei Bali e voltaria com certeza 😉 Beijo grande.

  • […] do cheiro de Bali também? Pois é, acrescentem esse fator a tudo […]

  • […] Outro post de Bali aqui. […]

  • Taiana Bravo novembro 2, 2016

    Também tive a oportunidade de visitar Bali este ano e foi uma experiência única! Lembro da hospitalidade dos balineses, do macaco que roubou o óculos do meu marido! rs, da Bintang (principalmente do preço comparado a AD), da comida deliciosa, as motocicletas por toda parte e esse cheiro que nunca havia sentido!! Ótimo texto, parabéns!!

    • Pollyane
      Pollyane Martins novembro 2, 2016

      Oi Taiana! Muito obrigada pela visita e pelo comentário, viajei aqui de novo com ele… Ah, as Bintangs! Ainda falarei sobre elas 😉 E o nasi goreng, então? Fico feliz que também tenha gostado de Bali e guardado ótimas impressões, apesar dos imprevistos.. Rs. Beijo grande!

  • Perfumes 24 novembro 1, 2016

    Que inveja eu tenho de você por sentir o cheiro de Bali que é um sonho para mim ir visitar. Eu também gosto de sentir o cheiro dos locais para onde viajo, e sempre que posso trazer um souvenir. Gostei do seu relato. Parabéns pelo blog

    • Pollyane
      Pollyane Martins novembro 2, 2016

      Olá! Muito obrigada pela visita e pelo comentário. O cheiro de Bali é uma experiência que vale a pena. Espero que possa conhecer em breve! Beijo.

  • […] O cheiro de Bali […]

  • […] do cheiro de Bali também? Pois é, acrescentem esse fator a tudo […]

  • Tatiana Freitas outubro 20, 2016

    Maravilhoso artigo como sempre! Vc escreve tão bem que até a gente fica com vontade de sentir esse cheiro de Bali! Rsrs Parabéns!

    • Pollyane
      Pollyane Martins outubro 22, 2016

      Obrigada, querida! Puxa, eu realmente desejo que todos possam sentir o cheiro de Bali 🙂 Obrigada pela visita e pelo comentário! Beijo grande.

  • […] Outro post de Bali aqui. […]

  • Márcia setembro 23, 2016

    Polly, cheguei achar que você iria embora sem desvendar de onde vinha o cheiro de Bali, ufa, fiquei curiosa, ainda bem que conseguiu descobrir, será que esse cheiro que se refere, assemelha, ou ao menos lembra cigarro de bali?

    • Pollyane
      pollyanerezende setembro 23, 2016

      Oi Márcia, obrigada pela visita e pelo comentário! Pois é, o meu desespero foi enorme durante a viagem para descobrir qual era o cheiro. Infelizmente, apesar de ter visto para vender, não cheguei a sentir o cheiro do cigarro de Bali, então não posso te dizer se se parecem. Beijo grande.

  • Thaty Richter setembro 19, 2016

    Polly, qd eu morava no Rrasil, mais precisamente em São Paulo, filha de pais separados, minha mãe morava no Rio. E eu falava à ela, que toda vez que eu chegava no Rio, em copacabana, eu sentia o cheiro de casa. Copa cabana tem cheiro de aconchego. Um cheiro especial, de Copacabana. Tb tenho meu olfacto apurado e uma memória olfactiva mt forte! Exelente texto!

    • Pollyane
      pollyanerezende setembro 19, 2016

      Que experiência linda, Thaty! Muito obrigada por compartilhá-la conosco. Ainda não conheço o Rio, acredita? Mas já quero sentir esse cheiro de Copacabana… Goiás também tem cheiro de casa e esse é sempre maravilhoso 🙂 Beijo grande e obrigada pela visita e pelo comentário.

  • Josiane Bravo setembro 16, 2016

    Morro de vontade de conhecer Bali 🙂 Acho que ficaria louca com os macaquinhos kkk, adoro animais

    Abraços

    • Pollyane
      pollyanerezende setembro 16, 2016

      Oi Josiane! Obrigada pela visita! Nossa, ficaria louca mesmo, especialmente porque em Bali há uma floresta cheeeia deles, além de templos e outros lugares. O único perigo é vc ficar sem alguma coisa, porque eles pegam msm! hehe. Beijo grande.

      • Josiane Bravo setembro 16, 2016

        kkkkkk, imagino que deve ser perigoso. Já pensou se eles pegam sua câmera ou cel kkkk.

        Abraços

        • Pollyane
          pollyanerezende setembro 16, 2016

          Exato! Estava apavorada com essa ideia! Depois vou contar melhor em outro post qual foi a estratégia que usamos para nos prevenir. Hehe. Beijo!

          • Josiane Bravo setembro 16, 2016

            hahaha, é bom ter uma estratégia 🙂
            Beijos

  • Marly setembro 15, 2016

    Parabéns pelo excelente texto!