Querido diário, sabe aqueles dias? Tem uns dias complicados, né? Então…

Desde que cheguei do Brasil, estou com um problema novo: insônia. Eu sempre me gabei por nunca ter problemas para dormir e, agora, eis que vejo as horas passando pela madrugada. Acho que o meu corpo resolveu me sabotar! Já sacaneei tanto com ele com essas mudanças de fusos horários que dessa vez ele pensou “ah, é? então agora quem decide a hora de dormir sou eu!”. Ah, diário, eu não poderia imaginar que a falta de sono fosse algo tão ruim, que aquelas horas na madrugada não têm como ser produtivas. Era para eu estar dormindo, só isso!!

E não bastasse a confusão atual dos horários, no final de semana viajaremos para outro lugar, onde a diferença de fuso é de 6 horas a mais! Sinceramente? Não sei o que vai ser de mim. Já não tenho mais espaço para olheira 🙁 Socorroooo! Alguém sabe se existe um limite de fusos horários que o nosso organismo suporta por mês? Pilotos de avião, aeromoças, vocês sabem? Hein, hein?

Enquanto a resposta sobre os fusos não vem, uma coisa é certa: eita coisa para tirar o humor da gente é a falta de sono, né? E aí vamos à segunda parte da história, onde o que já tá ruim sempre tem como piorar:

Hoje de manhã recebi uma faxineira filipina em casa. Eu ainda não abordei esse tema aqui, mas resumidamente é assim: para ter uma empregada doméstica, você precisa procurar uma agência desse tipo de serviço, que vai te encaminhar uma pessoa e você se tornará responsável por ela. Além do salário e férias, você tem que fornecer a ela uma passagem por ano para o país de origem e, geralmente, essa pessoa mora na sua casa. Tudo isso tem um custo que, pra gente, é alto. Já que não podemos pagar para ter uma empregada dessa forma, procuramos formas alternativas para que alguém me ajude com os serviços domésticos e, por indicação de uma vizinha brasileira, chamei essa filipina para vir hoje.

Foto: CC

Pelo telefone, ela me disse que ia duas vezes por semana, sendo 3 horas por dia, na casa dessa minha vizinha. Eu perguntei o preço e ela disse 120 AED. Bom, eu achei que fosse pelos dois dias da semana, então fiquei super feliz e já comecei a fazer planos para todo o tempo livre que teria, já que ela cuidaria da casa e das roupas!

Como dizem em Goiás: “alegria de pobre dura pouco”. Ontem confirmei com a minha vizinha e ela me disse o valor que pagava por mês. Eu fiz as contas e percebi que seria 120 AED por dia (3 horas). Achei caro, mas como já estava marcado, deixei que ela viesse para “testar” o serviço. O “plus” era que ela passaria roupa, era de confiança etc. Vamos dar uma chance, eu pensei.

Ela chegou pontualmente no horário combinado. Pedi que ela começasse pelo nosso banheiro, enquanto eu tomava o meu café da manhã. Quando terminei, fui dar uma conferida e não consegui entrar no banheiro, devido ao fortíssimo cheiro de produto de limpeza. Ela misturou produtos de limpar vidros, limpar vaso sanitário e limpar chão em um “combo” que usou para limpar o banheiro inteiro. Ah, claro, não lavou dentro do box… Muito menos as paredes… Hunf.

Depois, pedi que ela limpasse o quarto e vi que ela estava usando limpa-vidros para passar nos móveis de MADEIRA, enquanto o vidro mesmo não viu nem um paninho humilde. O tapete, ela enrolou para aspirar embaixo, mas não aspirou o próprio tapete e, que dirá atrás das portas. Ta aí: atrás das portas! Se a pessoa limpa atrás das portas, para mim já é 70% da faxina. Acho que isso é coisa de brasileiro. Somos enjoados com limpeza, não é mesmo? Somos muito mal-acostumados com a abundante mão de obra para serviços de limpeza no Brasil, inclusive a baixo custo e alta qualidade. Mas em Abu Dhabi não é assim. Em Madrid, também não era. 🙁

Bom, depois ela não limpou direito a cozinha passou um pouco de roupa e logo completou as 3 horas. Fui acertar com ela e, claro, teve um grand finale: “madame, não é 120, é 150! Seria 120 se a senhora me contratasse por mês. Esse é um serviço ilegal, tem que ser 150!”. É isso mesmo, diário: a pessoa faz um serviço horrível e te cobra A MAIS porque ela trabalha na ilegalidade. Oi? É sério isso? Eu pensei seriamente em falar para ela o que a minha mãe me repetiu a vida inteira: “dinheiro não dá em árvore!”, “eu não tenho um pé de dinheiro!”.

Como eu sou uma “madame” de bom coração e desesperada para me livrar do problema, dei os 150 AED e prometi a mim mesma que ela não voltaria aqui em casa. Achei muito abuso a pessoa combinar um preço e depois aumentar esse valor, dando a justificativa que faz um serviço de forma irregular – e que, na verdade, a ilegal sou eu, que estou contratando. O que também não é mentira. Minha culpa, meu prejuízo, lição aprendida.

Eu quis contar essa história para alertar a todos (e também a mim mesma), que não vale a pena trocar os serviços confiáveis de empresas sérias por pessoas que trabalham por conta própria. É ilegal? É mesmo. E agora eu entendo o motivo.: ficamos reféns de situações como essa, onde a pessoa oferece um serviço de baixa qualidade e sem compromisso com o que foi acordado. Além disso, caso aconteça algum infortúnio em sua residência, não há como reclamar para as autoridades.

E, hoje a noite, sei que terei insônia de novo. Tô me sentindo roubada, ilegal e trouxa. Dói no fundo do bolso da alma. Onde já se viu, sô?!

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