Dando continuidade ao post anterior sobre as minhas expectativas em relação a Abu-Dhabi, vou comentar sobre o que eu espero em relação a outros tópicos, mais complexos.

Lembrando que, eu nunca estive nos Emirados Árabes Unidos, não conheço ninguém que more lá e a maioria do que escrevo nesses dois posts é baseado simplesmente nas expectativas que eu tenho do lugar. A ideia é justamente ter esses “pré-conceitos” anotados para depois, ao longo da minha vivência por lá, eu possa ir corroborando ou não.

Exatamente por serem informações baseadas no meu achismo, não vou me ater muito a referências estatísticas, dados atualizados, fontes confiáveis etc. Deixaremos isso para o futuro, quando puder falar com a propriedade de quem já esteve no lugar, vivenciando tudo isso. A minha intenção é aprimorar as informações, incluindo os dados corretos e atualizados, já que um dos objetivos do blog é contribuir com a divulgação de informações sobre esse lugar, para quem está de mudança, ou para quem deseja aprender mais sobre outras culturas. 😉

Vamos em frente!

6 – Segurança

Para a minha sorte, os Emirados Árabes Unidos é considerado um país seguro. De acordo com o Índice da Paz Global 2015, o país ocupa a 49º posição de 162 países avaliados. Para fins de comparação, o Brasil ocupa a 103º posição.

Sendo brasileiros, aprendemos desde cedo que “o seguro morreu de velho”. Nunca é demais prestar atenção ao seu redor, se está sendo seguido, se alguém te observa de maneira estranha. É sempre bom colocar a bolsa na frente do corpo, jamais perdê-la de vista etc etc etc. Crescemos ouvindo isso e colocando em prática. Mesmo aqui em Madrid, também considerado um lugar seguro, sempre me pego segurando a bolsa quando estou no meio da multidão. Como Abu-Dhabi é  uma cidade turística, creio esse cuidado também será válido.

Porém, a minha preocupação com a segurança em Abu-Dhabi vai além de me resguardar de “batedores de carteira oportunistas”, mas sim com o trânsito. No momento, não tenho nenhum dado oficial sobre os índices de acidentes nos Emirados, mas já li em diversos lugares que o trânsito de lá é extremamente violento. Simplificando: é uma mistura de direção perigosa, carros importados que alcançam altas velocidades, grande comunidade de expatriados (muitas maneiras de dirigir convivendo na mesma cidade), paixão dos árabes por carros e velocidade e por aí vai. Sim, a segurança no trânsito me preocupa… demais! Posteriormente, vou fazer um estudo mais detalhado sobre o trânsito nos Emirados e posto aqui.

Enfim, espero que a minha expectativa de um lugar seguro seja confirmada e que o meu receio em relação ao trânsito seja um exagero. O tempo dirá, em breve.

7 – Lazer

Em Abu-Dhabi encontramos a montanha-russa mais rápida do mundo, dentro do maior parque temático em área coberta do mundo, o Ferrari World. Os árabes realmente gostam de levar o título de “maior do mundo”, em várias categorias, principalmente as que envolvem lazer. Certamente ainda vou fazer um post para agrupar todos esses “títulos” que eles conquistaram, alguns são bem interessantes!

“Ferrari World Abu Dhabi” – Aziz J.Hayat                                                          

Lazer é altamente subjetivo. Clichê. Muito clichê. Mas sim, os árabes usaram essa subjetividade para criar opções de lazer que não envolvessem o que nós, ocidentais, dificilmente conseguimos desvincular dessa palavra: álcool.

O consumo de álcool é proibido nos Emirados, com exceção de alguns bares e hotéis. Tomar uma cervejinha gelada na praia? Nem pensar. Sentar em qualquer barzinho e tomar uns bons drinks com os amigos? Sem chance. Almoçar tomando uma taça de vinho, como aqui na Espanha? Pode esquecer.

Não que eu seja uma aficcionada por álcool. Pelo contrário. Essa é mais uma preocupação pelo marido e pelas nossas possíveis futuras visitas. (Sei… rsrsrs). O interessante é perceber o quanto a nossa cultura de lazer foi associada ao álcool, e, agora, teremos que nos reinventar.

Opções com certeza não faltarão: parques temáticos, shoppings, souks (mercados tradicionais árabes – tradução livre: feirinha), praias, museus, bons restaurantes, cidades vizinhas (inclusive Dubai!!!) e várias outras. Dá pra se divertir, né? Eu creio que sim… A minha expectativa é a melhor possível, principalmente nos primeiros meses, onde tudo será novidade!

8 – Custo de vida

Aqui vai outro clichezão: “ahh, mas depende do estilo de vida que você leva!”. Claro, minha gente, mas quando se trata de Emirados Árabes Unidos, que possui o primeiro hotel 7 estrelas do mundo, que você pode “sacar” ouro de caixa eletrônico, tomar café ou comer qualquer outra coisa com ouro, comprar um celular, computador ou carro de ouro, ouro, ouro, ouro, ouro… Bom, deu para entender, né? Nem se eu quisesse, ou o meu dinheiro desse, poderia me dar a esses luxos em qualquer lugar do mundo. Lá o céu é o limite. Mesmo!

E aí você resolve (e pode) viver como alguns nativos, colecionando carros, jóias, casas… Claro, seu custo de vida vai ser quase incalculável. Mas se você não nasceu em berço de ouro, literalmente, e vai depender do seu salário para viver, então vamos lá: o que eu vi até agora sobre custo de vida gira em torno basicamente dos aluguéis, que corresponde também a mais da metade do custo mensal de quem mora por lá. São altos? Sim. Mas também vi boas opções com valores razoáveis, o que eu acho bastante interessante. Por enquanto (e aqui eu digo realmente baseado somente nas minhas pesquisas), percebo que não há um “bairro” somente para a classe alta, inatingível (é claro que eu não estou me referindo às ilhas artificiais, em formato de palmeira, em Dubai – isso é outra história, viu?). Mesmo com um teto inferior à média dos aluguéis de lá, você consegue, sem grande dificuldade, alugar um apartamento em uma boa localidade, resguardando as devidas proporções e estado de conservação do lugar, claro.

Sobre os outros itens básicos para avaliar o custo de vida, confesso que ainda não sei o suficiente. Essa parte de procurar apartamento está tomando bastante o meu tempo… Chegarei lá com pouca expectativas, então provavelmente teremos muitas surpresas [medo].

Mas, para quem quiser matar a curiosidade antes, pode dar uma olhada nesse site que mostra o custo de vida de Abu Dhabi e de várias outras cidades no mundo. Só para fins de comparação, Abu-Dhabi está a 2 posições acima de São Paulo, ou seja, possuem praticamente o mesmo custo de vida (que, para mim, como boa goiana que sou, é alto!).

9 – Cultura

De todos os 10 tópicos, com certeza este será o de maior surpresas. É um misto de ansiedade, tensão, curiosidade, felicidade…

Desde que soube que mudaria para Abu Dhabi, há 5 meses, foram muitas as descobertas a cada dia! O vestuário, a religião, as músicas, o Ramadã, a história do país e do seu povo. Jamais imaginei que pudesse morar no Oriente Médio um dia. Jamais tive a curiosidade de procurar saber como vive esse povo no meio do deserto. E aí, a vida dá essa reviravolta e você se vê pesquisando alucinadamente sobre todas as coisas referentes a um país que você mal sabia onde ficava no mapa!

A cultura engloba tantos fatores que seria difícil falar sobre eles aqui, especialmente porque eu ainda não estou lá! Rsrsrs. O que sei até o momento é ínfimo, quando comparado a riqueza dessa cultura, tão distinta da nossa. Acho que mesmo que eu pudesse ler todos os blogs e sites disponíveis, não chegaria perto de saber o que é vivenciar de fato.

É certo que farei muuuuitos posts que falam sobre a cultura árabe e que incontáveis descobertas virão. Sim, elas poderão ser boas ou ruins. Mas estou de coração aberto, esperando ser conquistada por todo esse universo desconhecido. Essa foi a escolha que eu fiz, de me permitir vivenciar, de me permitir experimentar.

Expectativas? Muitas. Quais? Todas possíveis.

10 – Adaptação

E, por último, o mais difícil, o menos previsível. Não há, realmente, como dizer nada sobre isso agora.

Como dizer se vou me acostumar ao calor de 45ºC, do fuso horário tão diferente do Brasil, do apartamento novo, da vizinhança, dos costumes?

Incluí esse tópico porque vou fazer, de tempos em tempos, uma avaliação de como estará a minha adaptação ao lugar. A intenção é perceber como fui me adequando às mudanças, o que descobri de novo, o que me surpreendi e o que foi de encontro às minhas expectativas.

Pode ser que essa adaptação nunca chegue, mas pode ser que eu nunca mais queira ir embora. Vai saber… Vamos saber…

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