A viagem ao Quênia, que fizemos em junho de 2017, foi muito especial. Eu não poderia imaginar que estar diante de animais selvagens em seu habitat natural pudesse ser uma experiência que mexesse tanto comigo, em vários aspectos. Vou confessar que me emociono todas as vezes que me lembro dessa curta viagem. Ainda bem que tirei muitas fotos, fiz muitos vídeos, e posso voltar aqui e dividir a minha experiência com vocês, assim revivo mais um pouquinho tudo isso.

Hoje vou falar sobre a nossa visita ao Ol Pejeta Conservancy, um projeto super bacana e sério que é referência mundial em conservação, especialmente de rinocerontes. Inclusive, a reserva, que ocupa uma área de 90.000 acres de áreas preservadas de savana, é hoje o maior santuário de rinocerontes negros da África Oriental. Também abriga os 3 últimos exemplares de rinocerontes-brancos do norte que ainda restam, espécie já considerada extinta na natureza.

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Rinoceronte-branco do sul tomando água no Ol Pejeta Conservancy. Foto: arquivo pessoal

Como visitar o Ol Pejeta Conservancy

Como contei no primeiro artigo sobre o Quênia, foi marido quem teve a ideia e insistiu para que fôssemos para o Ol Pejeta. A minha relutância se baseava em 2 fatores: apesar de ser possível fazer um bate-volta de Nairóbi à reserva, é uma considerável distância a ser percorrida (entre 4 e 5h de carro). Além disso, é CARO visitar a reserva e, na minha cabeça, a gente poderia simplesmente ter visitado outras reservas mais próximas e menos caras no entorno de Nairóbi.

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Ol Pejeta Conservancy, Quênia. Fonte: Google Maps

Mas, eu me arrependo? De jeito nenhum! Foi realmente único e fantástico ter conhecido um lugar como aquele. E, por isso, eu também recomendo que você vá até lá, caso seja possível. O ideal, eu recomendaria, é ficar hospedado lá na reserva. Há 8 tipos de hospedagens na área e nós tivemos a oportunidade de conhecer uma, durante o almoço (o Sweet Water Serena Camp), e ficamos apaixonados com a estrutura do lugar. Voltaria lá com certeza para passar uns dias! Veja aqui todas as hospedagens disponíveis no Ol Pejeta Conservancy.

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Lobby do Water Serena Camp, onde almoçamos. Foto: arquivo pessoal

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Na área externa do restaurante do Water Serena. Foto: arquivo pessoal

Para chegar até lá, contratamos um tour privado pelo Viator, que já incluía o pick-up e drop-off no hotel em Nairóbi, o ticket para entrar na reserva e o safári. As refeições ficaram por nossa conta. A empresa foi muito pontual, o motorista era tranquilo e dirigia com responsabilidade. O carro também era muito bom (uma van que abria o teto e podíamos observar os bichos por lá). Nós vimos outros carros de outras empresas fazendo o safári por lá. Eram grupos maiores, o que pode ser uma vantagem em relação ao preço, mas uma desvantagem em relação à flexibilidade do passeio.

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De dentro do carro podíamos avistar os bichos com segurança. Foto: arquivo pessoal

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Safári em Ol Pejeta. Foto: arquivo pessoal

Não pesquisei a respeito, mas o Ol Pejeta fica próximo à cidade de Nanyuki, que possui um pequeno aeroporto. Se você quiser evitar a estrada, talvez seja uma opção contratar um voo para lá. A propósito, a estrada estava em boas condições e, embora tediosa muitas vezes, foi interessante observar mais do Quênia pela janela da van.

Tour para Ol Pejeta

Como a reserva fica longe de Nairóbi (pouco mais de 200 km), paradas para ir ao banheiro e esticar as pernas são obrigatórias. Na ida, nós paramos em 2 lugares: uma loja de souvenires, onde também usamos o banheiro, e o local onde passa a Linha do Equador. Na volta, paramos de novo na loja de souvenires e depois em uma feira que acontecia na beira da estrada, em Karatina, onde nosso motorista comprou vários vegetais para ele mesmo e eu pedi a ele que comprasse bananas para mim. Se tivéssemos mais tempo, confesso que pediria para ficar ali na feira um tempo, pois pareceu muito interessante e soube que é uma das maiores do Quênia!

Quanto ao Equator Marker, o ponto onde passa a linha do Equador, é possível ver uma demonstração de como a água corre para um lado ou para outro a depender do hemisfério em que ela se encontra. Nós não pegamos a explicação (é preciso pagar aos homens que ficam lá), então só tiramos foto com a placa e voltamos para a van. Se você se interessar pelo experimento, não terá dificuldade em encontrar alguém que faça isso lá. O interessante de parar nesse ponto é também observar o Mount Kenya, a montanha de 5.199 m, a segunda maior do continente africano.

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Na Linha do Equador no Quênia. Foto: arquivo pessoal

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Monte Quênia visto da estrada. Foto: arquivo pessoal

A loja de souvenires é, claro, uma armadilha para turistas, mas a gente precisava usar o banheiro, então não tivemos como fugir. Além disso, ficamos realmente interessados e apaixonados pelos trabalhos de artesanato da África e acabamos comprando algumas coisas (prepare o bolso, viu? mesmo negociando não ficou nada barato).

O Ol Pejeta Conservancy – rinocerontes e outros animais

Os astros do Ol Pejeta são os rinocerontes – e você não demorará muito tempo para vê-los quando chegar lá. Há 3 espécies de rinocerontes na reserva: o rinoceronte-branco do norte, o rinoceronte-branco do sul e o rinoceronte-negro. Para ver os exemplares de rinocerontes-brancos do norte, que já estão extintos na natureza, deve-se pagar ~bem~ a mais. Nós não pagamos e também não vimos. Mas vimos muitos outros rinocerontes em vida livre e também os que vivem cercados, por uma questão de segurança, já que tem muita gente sem miolo, sem coração e sem caráter que quer caçar os pobres mamíferos e também arrancar os seus chifres para vender no mercado negro.

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Rinocerontes-negros que ficam em uma área mais segura, vigiada por guardas armados 24/7. Foto: arquivo pessoal

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Cemitério dos rinocerontes que já morreram em Ol Pejeta desde 2004. Vários morreram assassinados por caçadores que invadem a reserva a procura de seus chifres. Lamentável… Foto: arquivo pessoal

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Triste.

Ah, destaque para o rinoceronte-negro cego que todos costumam visitar: o Baraka. Pela sua condição, ele fica isolado dos demais e é possível alimentá-lo e até tocá-lo. Ele ficou cego de ambos os olhos após se meter em uma briga com outro rinoceronte e, depois, de ter catarata. Não é necessário pagar a mais para visitá-lo. Baraka pode até não ver, mas recebe muito amor todos os dias dos funcionários da reserva e dos visitantes ♥

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Baraka, o rinoceronte mais mimado da África! Foto: arquivo pessoal

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Marido alimentando Baraka. Foto: arquivo pessoal

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Felicidade.

Em Ol Pejeta é possível ver todos os Big 5 (os cinco mamíferos selvagens de grande porte mais difíceis de serem caçados pelo homem: rinoceronte, elefante, leão, leopardo e búfalo). Desses, lá, nós só vimos rinoceronte, elefante e búfalo. Como a reserva é grande, e gastamos um tempo visitando os rinocerontes, os chimpanzés e almoçando, não tivemos tempo para ir na área onde era provável que avistássemos leões e leopardos. Mais um motivo para que você permaneça na reserva por uns dias.

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Este foi o único elefante que vimos na natureza em nossa viagem à África. Muito especial. Foto: arquivo pessoal

Ol Pejeta Conservancy.

Ol Pejeta Conservancy. Foto: arquivo pessoal

Ol Pejeta Conservancy

Ol Pejeta Conservancy. Foto: arquivo pessoal

Ol Pejeta Conservancy.

Ol Pejeta Conservancy. Foto: arquivo pessoal

Ol Pejeta Conservancy

Ol Pejeta Conservancy. Foto: arquivo pessoal

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Vacas em Ol Pejeta. Foto: arquivo pessoal

Sweetwaters Chimpanzee Sanctuary

O Santuário de Chimpanzés de Ol Pejeta me impressionou muito. Quando penso que, estando lá, cogitei pular essa parte do passeio, nem acredito. Chegando ao local, fomos recepcionados por guias que ficaram conosco o tempo todo. Eles nos explicaram sobre o lugar e contaram as histórias dos chimpanzés do santuário. É muito, muito triste saber como a maioria foi parar ali: eram pets, e maus tratos eram comuns.

Algo que me impressionou é saber como os chimpanzés também são perigosos para nós, humanos. Eles ficam cercados em um tipo de “prisão de segurança máxima” e existe até uma “jaula” para as pessoas corram para lá caso algum chimpanzé consiga escapar da área cercada. Ouvimos histórias pavorosas de como eles conseguem perseguir, atacar e matar humanos, é terrível, eu não fazia ideia!

Santuário de Chimpanzés em Ol Pejeta.

Santuário de Chimpanzés em Ol Pejeta. Foto: arquivo pessoal

Santuário de Chimpanzés em Ol Pejeta

Santuário de Chimpanzés em Ol Pejeta. Foto: arquivo pessoal

Santuário de Chimpanzés em Ol Pejeta.

Santuário de Chimpanzés em Ol Pejeta. Foto: arquivo pessoal

Santuário de Chimpanzés em Ol Pejeta

Essa é a jaula para que os visitantes se protejam de possíveis ataques de chimpanzés fugitivos. Foto: arquivo pessoal

Se você também vai ao Ol Pejeta, recomendo estender a visita até o Santuário dos Chimpanzés. Foi uma experiência muito enriquecedora, onde aprendemos sobre a biologia da espécie e o ambiente ao qual eles pertencem (que, inclusive, não é o Quênia, mas sim os países vizinhos). Ao mesmo tempo em que estávamos lá, uma família com crianças também acompanhava as explicações do guia. Achei fantástico o interesse dos meninos sobre os chimpanzés e tudo o que era dito – ou seja, se você também tem crianças, é uma excelente dica para passeio.

***

Espero que aproveitem essas dicas e torço para que possam conhecer um lugar como esse em sua visita à África. Como relatei, é um passeio caro, sim, mas a oportunidade de visitar espécies em seu habitat natural e aprender mais sobre elas é recompensador em todos os aspectos. Não há nada mais gratificante do que, de repente, ver maravilhosas girafas passeando livremente pelas savanas, ou ver as dezenas de pumbas que ficam acompanhando os rinocerontes em busca de proteção, ou avistar um enorme elefante a apenas alguns metros de distância, ou até mesmo ver o trabalho de homens e mulheres que fazem o possível para tornar mais agradável a vida de animais selvagens resgatados ♥

Ao escolher um lugar para fazer o seu safári na África, se atente à responsabilidade ambiental e social que esses lugares precisam oferecer. Em relação ao Ol Pejeta, posso garantir que tudo que lemos e vimos por lá é condizente com um trabalho sério e responsável, recomendo a visita. Lembro-me, agora, de uma frase que vi na Malásia:

“No fim, nós iremos conservar somente o que nós amamos. Nós iremos amar somente o que compreendemos. Nós iremos compreender somente aquilo que nos foi ensinado.” – Baba Dioum

 

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