1 – Rosas

Os que me acompanham no Instagram (@blogdiariodepolly) viram que eu amo rosas e até tenho 2 tatuadas nas minhas costas. Rosas são uma das minhas flores favoritas e fiquei super feliz de ver roseiras espalhadas por toda Bucareste e arrisco dizer que na Romênia inteira seja assim! Os parques tinham muitas rosas, as casas das pessoas também, os jardins dos monastérios e palácio… Várias rosas lindas e de todas as cores por todo lugar! O guia que me levou para o passeio pelo entorno de Bucareste, Valentin, afirmou que, para eles, as rosas de lá têm mais cheiro que as demais rosas do mundo (se é verdade não sei, só estou repetindo o que ele disse), além do mais, para eles é super comum utilizar rosas de várias maneiras, inclusive na culinária (ele comentou que a avó dele faz uma geleia de rosas deliciosa, fiquei doida querendo provar!).

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Canteiros de rosas no Parque Herastrau, Bucareste. Foto: arquivo pessoal

2 – Cigarro

Falando de uma parte nada bela como as rosas, o cigarro é muito presente na vida dos romenos. A Romênia é um dos países que já visitei com maior número de fumantes. Aparentemente, cerca de 37% da população é fumante direta. O assunto por lá é tão sério que a Cristina fez um artigo sobre isso no Brasileiras pelo Mundo (veja aqui). Como o guia Valentin também reforçou, apenas em março de 2016 criaram uma lei que impede as pessoas de fumarem nos espaços fechados, mesmo assim, é inevitável não levarmos fumaça na cara o tempo todo…

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Bucareste, Romênia. Foto: arquivo pessoal

3 – Língua

A não ser em Portugal, de onde herdamos a nossa língua portuguesa, nunca me senti tão “exposta” em falar português e ser compreendida pela população local. A língua romena também é de origem românica (que veio do latim, assim como o português) e acabou sofrendo outras influências, mas em sua essência lembra muito o latim, o que significa, resumidamente, que eles podem nos compreender facilmente, mas nós não os compreendemos bem. Que absurdo, né? Hehe. Enfim, estamos acostumados com o oposto e foi bem constrangedor estar nessa posição. Quando estávamos nas ruas e ouvíamos as pessoas conversando em romeno, olhávamos rapidamente para trás porque o som é MUITO parecido com o português. O guia Valentin, quando me viu fazendo stories no Instagram, conseguiu entender quase tudo o que eu disse!! Portanto, caros conterrâneos, cuidado ao visitarem a Romênia. Se forem dizer algo que ninguém deveria entender, falem baixo ou em um lugar discreto, porque lá somos facilmente compreendidos nas ruas.

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Biscoito romeno, observem a proximidade da língua romena com o português. Foto: arquivo pessoal

4 – Amostra de sobremesas

Em duas situações diferentes fomos surpreendidas pelo que parece ser um hábito comum por lá: amostra de sobremesas. E antes que sua boca comece a salivar pensando que você irá provar uma de cada, não é bem isso, é apenas uma demonstração visual das sobremesas da casa. No charmosíssimo café Camera din Fata, o cara trouxe as tortas que tinham para que escolhêssemos a que queríamos. No restaurante Zexe Zahana Sofia 1 o garçom fez a mesma coisa, com a diferença de que era uma bandeja enorme, super variada, e ele explicou o que era cada uma. Não sei se fizeram isso porque éramos estrangeiras e talvez não saberíamos como são as sobremesas de lá; ou talvez seja um hábito comum entre eles; ou, ainda, talvez a mais esperta das hipóteses, que você fique com mais vontade e peça várias.

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Amostra de sobremesas do restaurante Zexe Sofia 1. Foto: arquivo pessoal

5- Romenos

Não tive muito contato com os romenos, mas de modo geral achei um povo bem bacana. Algumas coisas que ouvi e notei: tanto a minha prima como os outros 2 turistas do tour que fiz falaram que seus países são cheios de romenos. O que acontece é que a Romênia ainda é um país com uma economia fraca, se comparado a outros países da União Europeia, e com o seu relativo recente ingresso nesse grupo (2007), houve na última década uma grande onda de romenos que resolveram ir ganhar a vida em outro país do continente. Junto com a sua nacionalidade, também carregaram a má fama que contei neste artigo que os ciganos têm. Resultado: há romenos por toda a Europa e, generalizando, eles são mau vistos pelos demais europeus. Além disso, notei que romenos são, em geral, super religiosos e supersticiosos.

igreja ortodoxa romenos

Romenas limpando a Igreja Ortodoxa em Otopeni, Romênia. Foto: arquivo pessoal

6 – Dragões

Eu nem teria pensado em incluir esse tópico, mas aí minha amiga Natácia, quando soube que eu estava na Romênia, me mandou uma mensagem perguntando se eu havia visto dragões por lá. Oi?!? Nesse mesmo dia, coincidentemente, eu havia feito o Walking Tour e a guia tinha explicado que Vlad III (vulgo Drácula) e seu pai, Vlad II, faziam parte da “Ordem do Dragão”, cujo símbolo era um dragão circular (veja mais sobre a Ordem do Dragão aqui). “Dragão” na antiga língua local era “dracul”, que também significava “diabo”, o que aterrorizava os camponeses supersticiosos da época. Isso porque, além do significado macabro, eles não conheciam dragões, pois não fazia parte da mitologia romena, e daí para acreditarem ser a “ordem do diabo” era um pulo… Então, quando a Natácia perguntou sobre os dragões, eu literalmente fiquei com cara de parede, imaginando como ela chegou a tal conclusão que na Romênia havia dragões; aproveitei e contei a ela o que havia escutado da guia. Só depois ela me explicou que leu em um livro do Harry Potter sobre os dragões da Romênia e aí eu parei de dar moral para o que ela diz. HAHAHA

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Símbolo da “Ordem do Dragão”. Fonte: CC

7 – Animais nas ruas

Talvez seja o impacto de morar em um país onde não se vê cachorros na rua, mas o fato foi que eu vi muuitos por lá e achei a coisa mais fofa como os romenos parecem amar cachorros e gatos! Algo especialmente curioso é que os gatos que vimos eram obesos; logo, penso que mesmo os de rua são bem cuidados pelas pessoas.

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Pessoas passeando com cachorros no Parque Herastrau, Bucareste. Foto: arquivo pessoal

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Uma lição para a vida inteira na Romênia

Durante o tour que fiz pelo entorno de Bucareste, logo na minha primeira manhã pelo país, fomos para o Monastério Caldarusani e ouvi um dos ensinamentos mais preciosos da vida, que levarei comigo para sempre! Antes de tudo, devo frisar que o nosso – já famoso por aqui – guia Valentin, logo que entramos no Monastério, nos informou que aquele lugar era muito especial para ele, pois ele próprio havia estudado lá por muitos anos, tendo inclusive ajudado a restaurar uns afrescos da igreja. Todos que passavam por nós nos cumprimentavam com alegria e simpatia, já que eram antigos conhecidos do Valentin.

Naquela linda manhã de outono, em que o sol brilhava forte sobre as folhas já amarelas das árvores, incentivada pelo silêncio penetrante do Monastério, passei a observar o trabalho de um monge que rastelava as folhas de uma frondosa árvore. As folhas teimavam em cair dos galhos quase na mesma proporção em que ele as varria. Parecia um trabalho pesado, e que estava longe de chegar ao fim. Eu apenas me concentrei em contemplar a tarefa que ele executava de maneira tão serena ademais perseverante. Foi aí que ele olhou para mim, sorriu, e eu perguntei se poderia tirar uma foto dele. Ele não compreendia inglês, então Valentin se aproximou e traduziu a minha frase e posterior consentimento da parte dele. Fotografei.

monge romeno igreja ortodoxa

O monge romeno. Foto: arquivo pessoal

Em seguida, o petulante (digo com sinceridade) turista inglês que compunha o nosso grupo perguntou por que ele não usava um soprador, ou qualquer outro instrumento que “potencializasse” aquela tarefa. Com a mesma serenidade com que ele já a realizava, inclusive sem a interromper, ele disse que executava a tarefa que tinha sido designada a ele pelo seu superior, e que acreditava que não se tratava apenas de “rastelar folhas por rastelar”, mas um contínuo e eficiente exercício de paciência, resignação e disciplina. De fazer as coisas que têm que ser feitas. Sem reclamar. Sem buscar atalhos. Com alegria e prazer.

Felizmente, após essa explicação magnífica, o inglês se calou. O monge me deu um último belo sorriso e seguimos o nosso passeio pelo lugar. Valentin aproveitou a oportunidade para nos contar ensinamentos que ele tivera ali também naquele lugar. Histórias e estórias que fazem parte de mim agora, que tentarei aplicá-las e repassar às gerações futuras. Talvez para você isso não signifique nada; talvez você ainda ache que ele deva usar o soprador; talvez você esteja procurando um jardim para rastelar.

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  • Natácia novembro 10, 2017

    Hahahah Amei o post! Que lição importante a ser aplicada na nossa vida e relações. Sim, em minha defesa, eu tinha certeza que haveria diversas referências a Dragões da Rômenia, uma vez que no livro da J. K. Rowling, há diversas citações do Carlinhos, irmão do Rony Weasley, morar na Romênia especificamente para estudar dragões! Uma pena não ser verdade!

    • Pollyane
      Pollyane novembro 10, 2017

      Essa J.K. Rowling tem uma mente muito criativa e um grande poder de persuasão! kkkkkk