Os nossos dias por Bali não poderiam deixar de incluir os dois templos mais famosos da ilha hindu: Uluwatu e Tanah Lot. Se você conhece algum que já foi a Bali, ou se você mesmo já foi, tenho certeza que tem uma foto de recordação desses lugares. Eu também tenho, não vou negar, mas vou abrir meu coração e ser muito sincera sobre a minha opinião sobre esses dois lugares – obviamente baseada na experiência que tivemos, que pode ser diferente da sua.

Templo Tanah Lot em Bali

Tanah Lot significa “terra no mar”, em balinês. Isso porque esse pequeno templo hindu fica em um rochedo em uma praia na costa sul de Bali. Reza a lenda que o templo foi construído no século XVI e sua principal divindade é Dewa Baruna, mas Nirartha, fundador do templo, também é adorado lá. Com o desgaste natural do tempo e o “intenso” uso do pequeno rochedo, parte dele ruiu; e, em 1980, o governo do Japão ajudou Bali a reconstruí-lo. Hoje, um terço do rochedo é artificial.

Estávamos ansiosos para conhecer o famoso templo. Programamos para estar lá no pôr do sol, pois todos diziam ser mágico. Ao chegarmos perto do templo ficamos impressionados com a quantidade de carros e pessoas que se deslocavam para lá. Há uma grande área de estacionamento e lojas antes de entrar no complexo do templo. E gente, MUITA gente. Mas nada me preparava para isso:

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Templo Tanah Lot, Em Bali, lotado de turistas. Foto: arquivo pessoal

Chegamos em Tanah Lot durante a maré baixa e, o que era para ser um motivo de alegria, foi a razão do “desastre” que se tornou o passeio. Como as pessoas podiam passear pelas rochas em volta do templo, o que se via era um mar de gente no lugar do mar de água. O templo, no rochedo ao fundo, ficou “apagado” em meio à multidão. Uma pena!

Não havia ângulo para uma boa foto que não tivesse esse mar de gente. Não havia “clima” para contemplação, agradecimento, oração. Isso porque nem somos seguidores do Hinduísmo, mas deve ser complicado para eles lidarem com essa quantidade absurda de gente em um lugar considerado sagrado para eles.

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Cara de decepção de quem pensava que ia tirar uma foto sem ninguém ao fundo. Foto: arquivo pessoal

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Tanah Lot, Bali. Foto: arquivo pessoal

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Eu, mil pessoas e o Tanah Lot. Foto: arquivo pessoal

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Tanah Lot visto do alto. Foto: arquivo pessoal

Para a nossa segunda grande decepção, não era possível subir no templo. A única aproximação permitida era pagar uma quantia para receber a “água santa” com um punhado de arroz pregado na testa, embaixo do rochedo. Dispensamos. Fomos para o outro lado da praia, caminhando entre as pedras e poças d’água, onde havia menos gente, ou pelo menos mais silêncio, e ficamos admirando o monumento de longe. Não foi mais especial do que ter visto uma fotografia, por exemplo.

Depois, fomos para o outro lado, onde é possível avistar uma linda praia e um outro templo no topo de um rochedo. Dessa vez, sem ninguém. A terceira grande decepção do dia ficou por conta da ausência de pôr do sol cinematográfico, já que estava nublado. Voltamos pelo caminho das lojinhas até chegar no estacionamento e fomos embora. Uma observação aqui: os preços dessas lojinhas estavam muito bons; caso ainda não tenha feito suas compras em Bali, vale gastar suas rúpias ali mesmo.

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Vista para outro templo em Bali. Foto: arquivo pessoal

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Templo no complexo do Tanah Lot. Foto: arquivo pessoal

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Oferenda em templo hindu, Bali. Foto: arquivo pessoal

Templo Uluwatu em Bali

Outro templo muito famoso em Bali é o Uluwatu (Pura Uluwatu). Ele está localizado no topo de uma falésia e o seu nome significa à beira (ulu) de uma falésia rochosa (watu). Uluwatu também é o nome de uma famosa praia de Bali, mas que não tivemos tempo de conhecer. Pelas fotos, acho que vale a visita. O Templo Uluwatu é dedicado a Sang Hyang Widhi Wasa, o deus supremo do hinduísmo balinês, na sua manifestação como Rudra (o deus hindu das tempestades e dos trovões). Assim como Tanah Lot, ele tem uma localização extraordinária e é muito visitado por turistas – e também pelos balineses, que o tem como um lugar muito sagrado.

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Construções à beira do penhasco: Templo Uluwatu. Foto: arquivo pessoal

Como conto sempre a vocês, sempre leio muito antes de viajar para um lugar novo, para saber, dentre outras coisas, cuidados que devemos tomar. No Templo Uluwatu, por exemplo, o “perigo” não é o abismo de 70 metros de altura onde ele se encontra, mas os habitantes locais que adoram atanazar os turistas: os macacos-caranguejeiros (Macaca fascicularis). Esses macaquinhos são o terror dos que visitam o Templo Uluwatu. Fomos instruídos a não entrar com qualquer tipo de comida ou bebida e sem óculos ou qualquer objeto que eles pudessem roubar. Algumas pessoas, incluindo eu mesma, andavam com um galho na mão para se defender em caso de um ataque.

Parece exagero, mas o que não faltam são histórias de roubos feitos por esses animais. Imagina só perder bolsa, documentos e CÂMERA para um macaco? Em todo caso, optamos por seguir direitinho as dicas e correu tudo bem, assim como na Floresta dos Macacos, em Ubud, vocês lembram?

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Templo Uluwatu, em Bali. Foto: arquivo pessoal

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Templo Uluwatu, Bali. Foto: arquivo pessoal

A visita ao Templo Uluwatu foi bem mais agradável que a do Tanah Lot. Ele estava lotado também, mas as pessoas não impediam a vista e o passeio como aconteceu no outro. A vista de lá é absolutamente incrível! Não conseguimos ficar até o pôr do sol, mas dizem que é maravilhoso e que também vale assistir a apresentação de dança que tem lá. Para quem se hospedar em Ubud, como nós, fica complicado ficar até mais tarde. Isso porque demora umas 2h de lá até o hotel e isso deve ser combinado previamente com o seu transporte. O motorista que contratamos não ficaria conosco até tão tarde. Por isso, reforço, acho que vale a pena se hospedar em 2 lugares em Bali: Ubud e mais ao sul da ilha, perto das melhores praias e de alguns templos, incluindo Uluwatu e Tanah Lot.

***

Até hoje, não sei de ninguém que, em Bali, não tenha visitado esses dois templos. Eles são importantes cartões-postais da ilha indonésia e com razão. Porém, quis como sempre ser bastante sincera com vocês e contar fielmente a nossa experiência. Tanah Lot foi uma decepção, não pelo lugar em si, que é lindo e intrigante, mas pelo turismo descontrolado (oi, acho que vale a pena limitar o número de visitantes, viu?) e pela imensa comercialização da área – digo no sentido de ter muitas lojas e vendedores. Como eles sabem que é um lugar que todo mundo quer visitar, aproveitaram e fizeram praticamente uma feira a céu aberto por lá (no caminho para a praia, para ser mais exata) e isso, na minha opinião, tirou muito da magia do lugar.

Você deve ir a Tanah Lot? Claro, mesmo com esse porém. Mas vá preparado, porque provavelmente você também encontrará uma multidão por lá, e pode ser desagradável.

Uluwatu foi lindo, sim, mas acho que se tivéssemos ficado para o pôr do sol e assistido à tal dança teria sido mais “mágico”. Portanto, esse post serve como uma alerta a você que está planejando a viagem para lá: planeje bem o seu transporte e, se puder, fique hospedado também  no sul da ilha para visitar esses locais com mais calma. E cuidado, muito cuidado com os macacos. Eles já têm mil estratégias para roubar os seus pertences, além de possuírem dentes assustadores! Ao contrário dos macacos da Floresta de Ubud, esses costumam ser mais violentos por alimento, pois não são tão bem alimentados como os outros.

Beijo grande e até breve, com mais posts da Indonésia!

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